
Apontada como a mulher mais velha do mundo, Vó Quita é flamenguista e não perdia a oportunidade de acompanhar pela televisão os jogos do seu time
Maria Gomes Valentim, a Vó Quita, foi confirmada como a mulher mais velha do mundo pelo livro dos recordes nesta semana. E durante boa parte dos 114 anos de vida, a mineira externou o apreço pelo futebol. Nascida em Carangola, Zona da Mata de Minas, ela ignorou os ‘novatos’ representantes regionais Cruzeiro e Atlético-MG e torce por um time mais velho que ela: o Flamengo.
“Ela gostava de ver jogo pela televisão, parava de fazer as coisas para assistir jogo do Flamengo”, revelou Taís Nolasco, bisneta de Vó Quita, ao UOL Esporte. Ela não sabe dizer com certeza a origem da sua opção pelo Rubro-negro, já que é a única da família que optou por esse caminho. “Tem botafoguense e muito atleticano”, contou Taís, que é torcedora do Cruzeiro, assim como sua mãe Jane Ribeiro Moraes.
Na verdade, quando Vó Quita nasceu, em 9 de julho de 1896, nenhum dos tradicionais times mineiros existia. O Atlético-MG surgiu em 1908 e o rival Cruzeiro foi fundado em 1921. Já o clube do coração da mulher mais velha do mundo dava seus primeiros passos. O Flamengo teve sua origem oficializada em 15 de novembro de 1895.
A bisneta da mulher mais idosa do mundo disse que a rotina de ver os jogos do Flamengo durou até cerca de quatro anos atrás. “Agora, ela já não enxerga e não ouve tão bem. Como ela mesma diz, não vale a pena ver televisão, pois só enxerga vultos”, explicou Taís, acrescentando que sua bisavó tem boa saúde e precisa apenas de cuidados necessários a uma pessoa centenária.
Na véspera de o Atlético-MG estrear no Campeonato Brasileiro, a rotina na Cidade do Galo foi quebrada, na manhã desta sexta-feira, pela visita de dona Leontina Lopes, que completa 100 anos neste sábado e pôde realizar dois desejos: conhecer o centro de treinamentos de seu time no coração e o atacante Neto Berola, seu preferido. A torcedora emocionou-se com o presente de aniversário.
“A minha bisavó é uma prova que o brasileiro pode envelhecer feliz, com qualidade de vida. É uma pessoa que come de tudo, sem nenhum tipo de restrição alimentar e que não faz uso de medicamentos”, comentou Taís Nolasco. A bisneta ainda reiterou que Vó Quita se alimenta sozinha e que mantém a lucidez. Ao longo de seus 114 anos, a mineira teve apenas um filho. Mas a família cresceu com quatro netos, sete bisnetos e cinco tataranetos.
E a vida saudável de dona Quita, na opinião de sua bisneta, pode ter relação direta com hábitos que ela sempre fez questão de manter. A caminhada é um deles. “Minha bisavó sempre gostou de caminhar. O que ela mais reclama hoje é não poder fazer essas caminhadas”, relatou.
Até 2005, quando tinha 108 anos, dona Quita fazia tarefas comuns como ir ao banco. “Em dezembro de 2006 ela sofreu uma queda em casa e fraturou o fêmur”, contou Taís. Outro hábito que a mineira de Carangola manteve durante muitos anos foi o de montar a cavalo.
Rotina inalterada
Residindo boa parte da vida na zona rural do município, a cerca de cinco quilômetros de Carangola, a centenária mulher percorria o caminho entre a sua casa e a cidade, durante a semana, para fazer compras e, aos finais de semana, frequentava bailes. “Ela sempre gostou muito de forró”, destacou a bisneta.
A fama repentina, a partir do reconhecimento pelo livro dos recordes, trouxe satisfação à família, que, no entanto, tem se esforçado para não alterar a rotina da ilustre cidadã de Carangola. Ela dorme em torno de 21h, 21h30, mas não tem hora certa para acordar.
A bisneta contou ainda que a bisavó recebeu bem a notícia de que é a mulher mais velha do mundo na última quarta-feira. “Ela nos disse ter gostado”, comentou. Mas o assédio dos jornalistas já tem cansado a senhora, que possui seus truques. “Quando ela não quer conversar, finge que está dormindo”, contou Taís, que é enfermeira.
Ela revelou que dona Quita não era uma pessoa muito conhecida em Carangola. “A população, em geral, não tinha essa informação, que ficava restrita às pessoas amigas e conhecidas”, explicou. Segundo a bisneta, somente em meados do ano passado é que um jornal local, o JC Carangola, foi autorizado a fazer uma matéria.
“Foi assim que o grupo que pesquisa os super centenários, o GRG, ficou sabendo e nos procurou. Vimos que era um grupo sério, integrado por médicos e passamos a documentação da minha bisavó. Nem sabíamos da relação desse grupo com o Guiness, que, depois entrou em contato com a gente”, comentou.
Taís explicou que há cerca de 20 dias, um correspondente do GRG esteve em Carangola para certificar a autenticidade da documentação. “Ela foi registrada seis dias após seu nascimento, em 1896, o que demonstra que o pai dela era uma pessoa culta e organizada”, observou.
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