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Mãe de jovem atropelada por Godói diz que ex-juiz lhe procura oferecendo dinheiro

Ricardo Freiesleben e Vinícius Segalla

Em São Paulo

27/09/2011 14h34

A auxiliar geral Bete Rodrigues, mãe da estudante Karol Rodrigues, atropelada no último sábado pelo ex-árbitro e comentarista esportivo Oscar Roberto Godói, afirmou estar sendo procurada pelo ex-juiz, que lhe oferece dinheiro. Desde a tarde do atropelamento, Bete tem dado entrevistas à imprensa afirmando que Godói estaria alcoolizado e não teria prestado socorro à vítima no momento do incidente. O ex-árbitro, que se recusou a fazer o teste de bafômetro, nega que estava bêbado e afirma ter prestado o socorro necessário.  Um exame de sangue foi feito logo após o episódio, mas o resultado só deverá sair em duas semanas.

"Ele me liga todos os dias oferecendo dinheiro. Pede um número de alguma conta e diz que é pra depositar, mas eu não vou aceitar nada enquanto não conversar com um advogado", disse a auxiliar, que tem uma renda mensal de R$ 870 e pretende encontrar-se com um advogado na próxima quarta-feira (28/9). "Uma emissora de TV me ofereceu de encontrar um advogado, então eu vou lá", explicou.

Bete estuda a possibilidade de processar Godói civilmente. Sua filha, de 18 anos, estuda à noite e recebe R$ 300 por mês da própria mãe para buscar seu irmão na creche e cuidar dele por algumas horas todos os dias, enquanto Bete trabalha até por volta das 20h. O marido de Karol é entregador autônomo, faz entregas e carretos com sua caminhonete. O jovem casal tem uma filha de seis meses.

"Agora, eu tenho que ir na creche, voltar mais cedo do meu trabalho. Minha filha tem que ficar de repouso, está usando um imobilizador de coluna, fazendo exames e com dores de cabeça. Mas a gente tem que dar um jeito de ir levando", diz Bete. No sábado, após o atropelamento, Karol ficou internada por quase 12 horas no Hospital Praça da Saúde, mas foi liberada.

Oscar Roberto Godói confirma que tem entrado em contato com a família de Karol, mas afirma que sua intenção é minimizar os infortúnios gerados pelo incidente. "Estou oferecendo ajuda com remédio, ou para, eventualmente, pagar uma babá para o nenê. Tenho oferecido toda a assistência possível, inclusive exames e consultas em hospitais particulares", diz o ex-árbitro. "Não estou oferecendo dinheiro em troca de coisa alguma. Até porque, se alguém tiver que decidir se há culpa ou se deve haver alguma punição, é a Justiça", concluiu.