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Wendel, de 14 anos, morreu em um centro de treinamento do Vasco em Itaguaí (RJ)

Wendel, de 14 anos, morreu em um centro de treinamento do Vasco em Itaguaí (RJ)

05/04/2012 - 06h10

Vasco sofre dois processos, e MP vê seis irregularidades após morte de garoto da base

Vinicius Castro
Do UOL, no Rio de Janeiro

Principal problema da gestão Roberto Dinamite, as categorias de base do Vasco seguem dando dor de cabeça ao mandatário. A morte de um garoto de 14 anos nas dependências do clube chamou a atenção para o assunto há quase dois meses, mas o Ministério Público já investiga o futebol amador da equipe desde agosto de 2010. Agora, o órgão foi além e apontou seis irregularidades (confira quadro abaixo), que resultarão na próxima semana em dois processos contra o clube. Um movido pela Promotoria da Infância e da Juventude e outro pela Procuradoria do Trabalho.

IRREGULARIDADES ENCONTRADAS EM SÃO JANUÁRIO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO

1 - Veículo que transporta os jovens das categorias de base em péssimas condições de conservação;
2 - Alimentação insuficiente para as categorias;
3 - Falta de exames médicos e atendimento especializado aos jovens;
4 - Estado físico precário dos alojamentos;
5 - Falta de higiene e condições questionáveis;
6 - Rotina intensa para os jovens e baixa frequência ao colégio que funciona na sede do clube.

A morte de Wendel Junior Venâncio da Silva, de 14 anos, no centro de treinamento de Itaguaí, em 9 de fevereiro, foi a “ponta do iceberg” para o MP protocolar as ações. No entanto, o processo investigativo transcorreu em São Januário, já que o Vasco omitiu em um TAC (termo de ajustamento de conduta) a existência do CT de Itaguaí, que não contava com médicos e equipamentos no momento da fatalidade.

As falhas no alojamento de São Januário até poderiam ser minimizadas. A reportagem do UOL Esporte teve acesso ao documento conhecido como proposta de suplementação orçamentária de 18 de novembro de 2011 - assinado pelo presidente Roberto Dinamite e elaborado pelo vice de finanças Nelson Rocha -, no qual a administração comunica ao Conselho Deliberativo o estouro de R$ 22 milhões no orçamento, relativos ao excedente nas despesas operacionais do ano passado.

Do montante, o item 5 do ofício – aprovado pelo Deliberativo - informa que R$ 4 milhões foram usados para manutenção e obras nos alojamentos do futebol amador, aparentemente reprovados pelo Ministério Público. Em contato com a reportagem, o clube por sua vez argumentou que obras foram realizadas na sala de musculação, cozinha e alojamentos dos atletas.

PROPOSTA DE SUPLEMENTAÇÃO ORÇAMENTÁRIA DO VASCO - EXERCÍCIO 2011

R$ 22 MILHÕES - Total excedente nas despesas operacionais do clube no ano passado.
ITEM 5: DESPESAS GERAIS - Impacto de R$ 4,0 MM referentes manutenção e obras nos alojamentos do futebol amador em razão da fiscalização iniciada em agosto de 2010 pelo Ministério Público e gastos com viagem, estada e locomoção.

Clisanger Ferreira Gonçalves, promotora responsável pelo caso, comemorou o avanço das investigações e espera que fatalidades sejam evitadas com as ações movidas contra o clube de São Januário. "O Ministério Público está atento aos clubes do Rio de Janeiro. Foi feita a inspeção no Vasco e estamos debruçados para protocolar as ações na semana que vem. É um processo inédito e longo. Tratamos de todos os problemas nas categorias de base. Estamos analisando a responsabilidade do clube em cima das crianças e adolescentes que estão lá. São dois processos independentes, além da responsabilidade criminal em relação ao Wendel, cujo inquérito policial foi instaurado em Itaguaí”, explicou.

Os processos são pontos de partida para que o Ministério Público evite que o CT de Itaguaí seja utilizado, além de investigar possíveis problemas no colégio que funciona dentro da sede de São Januário.

"A escola que funciona dentro do Vasco também será analisada pela Promotoria de Educação. Queremos saber sobre a autorização para funcionar, como funciona no momento, capacitação, tudo isso... É um trabalho longo, mas fundamental para o bem estar das crianças e adolescentes que vivem nesse ambiente. Isso é uma situação muito séria. Tratamos como nacional. A morte do Wendel é a ponta do iceberg. Temos problemas semelhantes em outros grandes clubes”, encerrou a promotora.

Se condenado, o Vasco pode ter de pagar multa pelas irregularidades, além de ter alojamentos e centros de treinamento fechados. Em termos legais, o clube aguarda a oficialização dos processos para se pronunciar através do vice-jurídico Aníbal Rouxinol.

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