Em imagem de janeiro de 2009, João Havelange era homenageado pelo Comitê Olímpico do Paraguai
Depois de passar 64 dias internado no Hospital Samaritano, o ex-presidente da Fifa, João Havelange, 96, teve alta nesta segunda feira. O médico João Mansur, chefe da unidade coronariana do hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, divulgou boletim médico após o almoço confirmando a liberação do paciente que sofreu um forte surto infeccioso no tornozelo direito, no dia 18 de março.
Durante o período em que esteve sob tratamento, o ex-dirigente passou por duas cirurgias ortopédicas para drenagem do local infectado. O tratamento incluiu o uso de antibiótico venosos e alguns dias passados na unidade de terapia intensiva e semi-intensiva. Havelange usa marca-passo e isso exigiu, segundo o cardiologista João Mansur, "atenção redobrada da ala coronariana" do hospital Samaritano.
A internação de Havelange aconteceu três dias após a renúncia de Ricardo Teixeira ao cargo que mantinha no comitê executivo da Fifa, por denúncia de corrupção, investigada e julgada pela Justiça Suíça em primeira instância. Havelange renunciou ao assento vitalício que mantinha como executivo do Comitê Olímpico Internacional, devido à mesma investigação, em dezembro de 2011.
Havelange e Teixeira receberam suborno durante operações de venda de direitos de transmissão dos jogos de várias copas do mundo e das olimpíadas. A empresa International Sport Leisure, que subornou os oficiais da Fifa, mantinha contrato de exclusividade para a venda de direitos de televisão.
A ISL pediu falência e, durante as investigações do passivo de mais de US$ 200 milhões, a promotoria suíça descobriu que os brasileiros haviam usado empresas de fachada para receber propinas. No acordo firmado para estancar o julgamento na corte suíça, Havelange e Teixeira devolveram parte do dinheiro recebido ilegalmente.
O caso ainda tramita na Corte Federal porque dois jornalistas lutam para obter as cópias do processo, onde o maior esquema de corrupção do esporte moderno foi detalhado por vários auditores. Os documentos devem ser liberados pela Justiça em alguns meses. Além do jornalista suíço, Francois Tanda, o britânico Andrew Jennings também deve ter acesso a toda documentamentação, que hoje é mantida sob sigilo a pedido da Fifa e dos brasileiros.
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