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21/05/2012 - 13h54

Havelange tem alta depois de passar 64 dias internado por infecção

Roberto Pereira de Souza
Do UOL, em São Paulo
  • Em imagem de janeiro de 2009, João Havelange era homenageado pelo Comitê Olímpico do Paraguai

    Em imagem de janeiro de 2009, João Havelange era homenageado pelo Comitê Olímpico do Paraguai

Depois de passar 64 dias internado no Hospital Samaritano, o ex-presidente da Fifa, João Havelange, 96, teve alta nesta segunda feira. O médico João Mansur, chefe da unidade coronariana do hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, divulgou boletim médico após o almoço confirmando a liberação do paciente que sofreu um forte surto infeccioso no tornozelo direito, no dia 18 de março.

Durante o período em que esteve sob tratamento, o ex-dirigente passou por duas cirurgias ortopédicas para drenagem do local infectado. O tratamento incluiu o uso de antibiótico venosos e alguns dias passados na unidade de terapia intensiva e semi-intensiva. Havelange usa marca-passo e isso exigiu, segundo o cardiologista João Mansur, "atenção redobrada da ala coronariana" do hospital Samaritano.

A internação de Havelange aconteceu três dias após a renúncia de Ricardo Teixeira ao cargo que mantinha no comitê executivo da Fifa, por denúncia de corrupção, investigada e julgada pela Justiça Suíça em primeira instância. Havelange renunciou ao assento vitalício que mantinha como executivo do Comitê Olímpico Internacional, devido à mesma investigação, em dezembro de 2011.

Havelange e Teixeira receberam suborno durante operações de venda de direitos de transmissão dos jogos de várias copas do mundo e das olimpíadas. A empresa International Sport Leisure, que subornou os oficiais da Fifa, mantinha contrato de exclusividade para a venda de direitos de televisão.

A ISL pediu falência e, durante as investigações do passivo de mais de US$ 200 milhões, a promotoria suíça descobriu que os brasileiros haviam usado empresas de fachada para receber propinas. No acordo firmado para estancar o julgamento na corte suíça, Havelange e Teixeira devolveram parte do dinheiro recebido ilegalmente.

O caso ainda tramita na Corte Federal porque dois jornalistas lutam para obter as cópias do processo, onde o maior esquema de corrupção do esporte moderno foi detalhado por vários auditores. Os documentos devem ser liberados pela Justiça em alguns meses. Além do jornalista suíço, Francois Tanda, o britânico Andrew Jennings também deve ter acesso a toda documentamentação, que hoje é mantida sob sigilo a pedido da Fifa e dos brasileiros.

 

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