Os torcedores do Vasco formam filas nas bilheterias: problema interminável no clube
O jogo contra o Cruzeiro, sábado, às 18h30, em São Januário, não é apenas importante para as pretensões do Vasco no Campeonato Brasileiro. A partida faz parte de um laboratório para a reforma do programa de sócios “O Vasco é meu”, responsável por uma série de impasses internos e alvo de investigações promovidas pelo Conselho Fiscal. Ciente da necessidade de mudança, o departamento de marketing estipulou alterações que serão realizadas em cerca de 90 dias. Além de modificar os pontos críticos do programa, a diretoria aposta na tecnologia de aeroportos para solucionar o problema crônico com a venda de ingressos.
Após as renovações de Eder Luis e Fellipe Bastos, o Vasco considera ter evitado uma temida debandada no meio da temporada. Como os acertos com Juninho e Renato Silva estão cada vez mais próximos, a diretoria passou a concentrar forças na extensão do vínculo com o lateral direito Fagner. O compromisso atual se encerra ao final do ano. Para isso, planeja gastar até R$ 2,5 milhões na aquisição de 30% dos direitos econômicos.
Observar longas filas nas bilheterias, confusão com policiais e revolta de torcedores já se tornou corriqueiro durante a comercialização dos bilhetes em São Januário. Para diminuir os transtornos, o clube iniciou um estudo sobre a frequência dos vascaínos e como as vendas são realizadas. Os dois próximos jogos em casa serão a parte final do laboratório para a implantação do novo sistema no decorrer do segundo semestre. Este processo está diretamente ligado ao reformulado programa de sócios.
A ideia é adaptar um programa de vendas para que o sócio e o torcedor comum não precisem mais ir até São Januário comprar os bilhetes. Só realizará tal procedimento quem fizer questão do deslocamento. O processo promete interligar os cadastros para compras online via portal e celular. O torcedor terá um número registrado e poderá realizar a aquisição através de uma senha pessoal sem passar pelo transtorno habitual.
“O torcedor que não é sócio e também não participa do programa será beneficiado através da ativação de pontos e compras pelos aparelhos de celular configurados. É uma coisa moderna, como acontece nos aeroportos. O cara embarca apresentando o número do localizador no celular. A ideia é a de que seja assim futuramente. Esperamos que atendimento, cobrança e relacionamento funcionem perfeitamente a partir do momento que tudo estiver implantado”, explicou Eduardo Machado, vice-presidente de marketing do Vasco, ao UOL Esporte.
IMPASSE SEGUE NOS BASTIDORES
As principais reclamações dos torcedores sobre “O Vasco é meu” abordam justamente pontos tocados pelo dirigente. Entre eles, falhas no atendimento online e presencial, erros na cobrança das mensalidades e ausência na prestação de contas. Todo o processo será remodelado, além da criação de um novo programa de fidelização. Na parte operacional, a questão está em andamento. No entanto, os problemas internos com as investigações podem atrapalhar e até atrasar o processo. Por isso, o vice-presidente geral Antonio Peralta nomeou o conselheiro Marcus Vinicius como responsável pela reforma de pontos delicados do programa juntamente com o departamento de marketing.
Conforme o UOL Esporte divulgou no mês de abril, a frequência dos questionamentos gerou uma investigação do Conselho Fiscal. Os conselheiros detectaram falhas no contrato e evidências de prejuízos financeiros. As principais queixas estavam ligadas ao fato de o clube não ter acesso à conta corrente do programa e extratos mensais. Além disso, a empresa responsável pelo funcionamento retém porcentagem excedente pela prestação do serviço.
Embora os valores sejam mantidos em sigilo, a reportagem apurou que o Vasco repassa algo em torno de 23% do captado mensalmente, mais do que os 15% acordados em contrato. A diretoria afirma que a arrecadação mensal com o programa de sócios é de R$ 330 mil. No entanto, as contas apontam que o montante não supera R$ 220 mil. Com isso, o prejuízo é superior a R$ 1,3 milhão por ano. Atualmente, a administração ainda seleciona documentos para esclarecer o contrato e repassá-los ao Conselho Fiscal após cobrança pública do Conselho Deliberativo. Entretanto, até o momento, apenas os extratos foram entregues e não conseguiram aprovação dos conselheiros responsáveis pela investigação. As contas seguem sem bater na Colina histórica.
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