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Anjo? Pai diz que filho é herói e explica sumiço após garoto salvar atletas

Johan Ramirez, 15 anos, ajudou a resgatar vítimas da tragédia - Divulgação
Johan Ramirez, 15 anos, ajudou a resgatar vítimas da tragédia Imagem: Divulgação

Leandro Carneiro

Do UOL, em São Paulo

03/12/2016 06h00

A noite da última segunda-feira e a madrugada da terça-feira não serão esquecidas tão cedo por Johan Alexis Ramirez e Miguel Ramirez. Os dois estavam tranquilos vendo televisão na fazenda em que moravam quando escutaram um forte estrondo. O barulho era o avião da Lamia que levava o elenco da Chapecoense para Medellín, que havia acabado de cair. A queda causou morte de 71 pessoas. Mas seis se salvaram. Cinco com a ajuda dos dois.

Johan, 15 anos, é o menino que nos últimos dias foi tratado como anjo e fantasma pela imprensa mundial. Seu sumiço no meio do resgate fez com que poucas pessoas vissem o menino que corria para cima e para baixo ajudando os bombeiros. Diversos veículos chegaram a questionar sua existência. O pai explica o motivo que fez com que o adolescente saísse do local.

“Ele sumiu porque um policial nos tirou da área do acidente de um jeito muito rude. Nós saímos e não nos viram mais essa noite. Ficamos das 11 horas (2 horas da manhã no Brasil) até às 3 horas (6 horas da manhã no Brasil)”, falou Miguel.

Segundo o pai do menino, Johan chegou a discutir com um bombeiro, e Miguel achou melhor tirá-lo para evitar que uma confusão atrapalhasse o resgate.

Enquanto os veículos pelo mundo discutem se seu filho é fantasma ou anjo, Miguel tem uma resposta mais simples, recheada de orgulho. “Me sinto muito orgulhoso dele porque foi salvar vidas e não saquear as coisas que não eram dele, como fizeram muitas pessoas. É muito lindo que não tenha medo dos mortos, colaborando muito. Graças a Deus, fui premiado com esse herói”, falou.

Divididos com as equipes de resgate, Miguel e Johan assumiram o papel de guiar os bombeiros em uma região que eles não conheciam muito bem. O conhecimento da dupla se dava pelo fato deles morarem a quatro minutos do local da queda.

“Nós os guiávamos por um caminho mais curto e iluminávamos com lanterna e meu celular. Ajudei eles a tiraram a Ximena, a aeromoça. Meu filho ajudava igualmente. Nós os levávamos do local da queda até a estrada”, explicou.

No período do resgate, não foi só Ximena que foi salva pelos dois. Apenas Neto, que foi encontrado depois deste horário, não teve ajuda dos dois. O lateral Alan Ruschel foi o primeiro encontrado por Johan.

Mas nem todos os resgatados por eles chegaram com vida. “Meu filho levava um jogador quando o bombeiro o chamou e avisou que ele tinha morrido”, lamentou.

Depois de deixar o local, os dois voltaram para casa, mas não conseguiram dormir. “Era muita tristeza pela tragédia, mas graças a Deus pudemos salvar essas pessoas”, encerrou.