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Conmebol explica regras do árbitro de vídeo e não garante tecnologia em 18

O árbitro de vídeo sendo usado na Copa das Confederações (Foto: Getty Images) - Getty Images - Getty Images
O árbitro de vídeo foi usado na Copa das Confederações
Imagem: Getty Images

Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo

11/10/2017 14h58

A Conmebol apresentou os critérios que usará para o árbitro de vídeo na semifinal e final da Libertadores e também na decisão da Copa Sul-Americana. Em uma apresentação nesta quarta-feira (11), a entidade explicou em quais condições a tecnologia será usada e pontuou que não é certo que as competições de 2018 seguirão com a ajuda das câmeras.

O processo respeita as normas impostas pela IFAB, que regulamenta as regras do futebol, e tem parceria com a Media Pro, empresa que já opera a tecnologia em diversos países. A decisão de fazer o teste já nas competições deste ano foi do presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez.

Presidente do Comitê de Arbitragem da Conmebol, Wilson Seneme, explicou que os árbitros já passaram por um curso de capacitação e ainda irão para Assunção (sede da entidade) participar de mais uma etapa que durará quatro dias.

“Em um primeiro momento, a decisão nos deixou surpresos, mas a gente vestiu a camisa do presidente e vimos que é possível fazer isso agora. A gente não quer acabar com todos os erros, mas com as decisões que forem claramente incorretas, para não prejudicar o fluxo do jogo”, explicou Seneme.

“É importante saber que o árbitro de vídeo vai salvar o investimento do clube, a paixão da torcida, mas também a própria carreira. Só vão seguir adiante os que se adaptarem. Depois desses testes, vamos sentar e analisar o futuro, mas ainda estamos em período de testes”, pontuou.

Todo o procedimento dos árbitros de vídeo e a comunicação entre os envolvidos serão gravados para que erros sejam evitados no futuro.

Quem pode pedir a análise de vídeo?

A Conmebol deixou claro que apenas os árbitros poderão pedir para checar as imagens. A entidade ainda deixou claro que o atleta que pressionar e/ou fizer o gesto pedindo análises pelas câmeras será punido com o cartão amarelo. Os árbitros de vídeo também poderão alertar o juiz central de alguma infração. Haverá também um monitor na beira do campo para que o árbitro que esteja no gramado possa checar o lance de maneira independente caso necessário.

Quais lances poderão ser analisados

Gols: Os árbitros de vídeos poderão anular ou ratificar um gol caso tenham dúvida da posição de quem fizer o gol. Ainda poderão analisar caso o artilheiro tenha cometido alguma infração durante a jogada. Por fim, o árbitro também analisará se a bola saiu ou não em instante prévio ao gol. Se houver uma dúvida de interpretação, será mantida a primeira decisão do árbitro central.

Pênaltis: O vídeo poderá analisar se a falta foi dentro ou fora da área, se houve falta de fato caso o pênalti seja concedido e ainda analisar uma falta que tenha sido feita antes do momento da penalidade máxima.

Cartões vermelhos: O árbitro de vídeo poderá analisar se o jogador que cometeu a falta merece o vermelho por ter impedido uma chance clara de gol. As câmeras ainda vão auxiliar se o jogador fez uma infração passível de expulsão que não foi detectada. É importante destacar que cartão amarelo não poderá ir ao julgamento do vídeo.

Confusão de identidade: O árbitro poderá recorrer às TVs para saber quem foi o verdadeiro responsável pela infração de jogo para evitar punições para o atleta errado.

Quantos árbitros de vídeo estarão no jogo?

O projeto inicial da Conmebol coloca ao menos um árbitro que comandará o vídeo e mais um assistente, que ajudará no processo, mas não tem poder de decisão. Há a chance de um terceiro profissional compor o grupo. Em um primeiro momento, os árbitros de vídeo ficarão no próprio estádio. Antes de cada jogo, a arena será vistoriada para saber as condições de trabalho.

De quem é a imagem analisada?

As imagens serão fornecidas pela transmissora do evento. O tema gera polêmica pela possibilidade de manipulação, mas a organização esclarece que os árbitros de vídeo terão acesso a dois tipos de conteúdo: diretamente das câmeras, sem que a imagem passe antes pela mesa de edição das emissoras e também ao material editado, já com replays e diferentes ângulos de transmissão.

O público saberá o que está sendo analisado?

Quem estive acompanhando a transmissão pela televisão saberá exatamente o motivo de discussão entre os árbitros. Já quem estiver no estádio precisará apenas entender o lance pelo gestual do árbitro. A análise não será transmitida no telão.

Quem paga o investimento? Até quando a tecnologia está garantida?

Em um primeiro momento, a Conmebol bancará a tecnologia. O contrato assinado com a operadora das câmeras vai apenas até dezembro e está em caráter experimental. Seneme e companhia não confirmam que o árbitro de vídeo será usado em todos os campeonatos continentais em 2018 e também não descartam que a tecnologia seja exclusiva a partir de uma determinada fase.

"Não sabemos as condições de todos os estádios e não seria justo analisar um jogo e não analisar outro que são da mesma fase. Por isso, a gente pode adotar isso em determinadas etapas das competições para que todos tenham a mesma tecnologia".