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Como o VAR teria dado fim ao jejum de títulos do Vasco sobre o Fla

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

20/04/2019 04h00

O relógio marcava 46 minutos do segundo tempo. O Vasco vencia por 1 a 0 quando o Flamengo teve um escanteio pelo lado direito, Léo Moura fez a cobrança, Wallace cabeceou, a bola bateu no travessão, quicou quase em cima da linha e sobrou para Márcio Araújo empurrar para o fundo da rede. Estava ali prolongada a escrita de insucessos do Cruzmaltino para o rival em finais, algo que já carregava desde 1988. O que o clube de São Januário só não imaginava é que os adventos tecnológicos que chegaram ao futebol carioca cinco anos depois, teriam colocado fim ao incômodo jejum naquele fatídico 13 de abril de 2014.

Nesta temporada, através de um investimento feito pela Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj), o Campeonato Carioca adotou o VAR. Caso ele já fosse utilizado naquela ocasião, seriam grandes as chances do árbitro de vídeo ter notado que Márcio Araújo estava em condição de impedimento no lance do gol.

A polêmica do episódio rende até hoje e se iniciou quase que instantaneamente naquela ocasião. Bastaram os primeiros replays da jogada para a informação se difundir rapidamente. Quando o jogo se encerrou e o título foi decretado para o Flamengo, o goleiro Felipe, que defendia o Rubro-Negro na ocasião, não titubeou e emendou ainda no gramado: "Roubado é mais gostoso".

Presidente do Vasco na época, Roberto Dinamite deixou no ar até a possibilidade de não participar da edição seguinte do Estadual:

"Vamos pensar em relação a isso. Temos que sentar e discutir. Vamos pensar em um campeonato que seja bom para todos e não apenas para um só clube".

Flamenguistas alegam falta do Vasco em gol no 1º jogo

No primeiro jogo da final do Campeonato Carioca daquele ano, flamenguistas alegaram falta do atacante Éverton Costa no goleiro Felipe no lance que originou o gol do Vasco, marcado por Rodrigo, na partida que terminou empatada em 1 a 1. Após escanteio da direita, o zagueiro subiu mais alto que a zaga e cabeceou para o fundo da rede. No mesmo instante, Éverton estava à frente de Felipe e os dois tiveram um choque no momento que o arqueiro saía para interceptar o cruzamento.

Se o VAR já existisse, este seria um típico lance interpretativo que a arbitragem teria que decidir pela infração ou não.

VAR deixou arbitragem na mão no 1º jogo da final

A utilização do VAR em 2014 fatalmente anularia o gol de Márcio Araújo, mas se a tecnologia tivesse dado o mesmo problema que ocorreu no primeiro jogo da final do Campeonato Carioca deste ano, o lance irregular continuaria mantido. Isso porque o árbitro de vídeo simplesmente sofreu um "apagão" aos 28 minutos do segundo tempo da partida entre Flamengo e Vasco do domingo passado, vencida pelo Rubro-Negro por 2 a 0.

Em nota oficial, a Ferj informou que o problema ocorreu devido a uma "explosão do nobreak, aparelho que regula a voltagem e a pureza da energia que chega aos eletrônicos". E que a causa foi por "sobrecarga de energia".

Vale lembrar que no Campeonato Brasileiro todos os jogos terão a tecnologia do VAR.

VAR anula gol de Bruno Henrique e gera polêmica

Bruno Henrique comemora gol do Flamengo durante partida contra o Vasco pelo campeonato Carioca 2019 - Thiago Ribeiro/AGIF - Thiago Ribeiro/AGIF
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

A utilização do VAR, porém, não é garantia de que as polêmicas se encerrarão. O primeiro jogo da final do Campeonato Carioca está aí para não mentir, já que aos 25 minutos do primeiro tempo, o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, viu a bola sobrar livre e a empurrou para o fundo da rede. O árbitro de vídeo foi acionado e, após revisão, o gol foi anulado, gerando opiniões distintas até mesmo para especialistas em arbitragem, já que alguns acreditaram que o jogador estava impedido, enquanto outros alegavam que uma nova jogada havia sido criada com a intervenção do zagueiro vascaíno Werley na jogada.

VAR estará presente no Maracanã

Ferj inaugurou sala de treinamento de VAR para os árbitros do Carioca - Divulgação / Ferj - Divulgação / Ferj
Imagem: Divulgação / Ferj

O VAR estará ativo na grande decisão de amanhã no Maracanã. A empresa contratada pela Ferj para oferecer o serviço para este ano e também para 2020 é a Hawk-Eye, a mesma utilizada na Copa do Mundo da Rússia, em 2018.

Um total de 10 jogos terão sido realizados com o VAR nesta edição do Campeonato Carioca, todos na fase de mata-mata (semifinal e final). Em 2020, o árbitro de vídeo estará presente em 16 partidas, quando abrigará também os dois clássicos da Taça Guanabara e os quatro da Taça Rio.

A federação carioca terá um custo de R$ 280 mil (R$ 28 mil por jogo) com a tecnologia. No ano seguinte ocorrerá uma redução para R$ 250 mil.

Ferj criou sala de treinamentos para VAR

Tão logo fechou o contrato com a Hawk-Eye, a Ferj montou uma sala de treinamentos de VAR para árbitros e auxiliares na sede da entidade. Lá foram feitas simulações de jogo para os aprendizes. O curso continuará para o ano que vem.

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