| |
25/06/2004 - 08h28
Felipão dá show, chora e impressiona até os ingleses
Julio Gomes Filho Especial para o UOL Em Lisboa (Portugal)
"Big Phil é um show à parte."
Esta foi a conclusão -mais do que correta- de um jornalista inglês ao final da epopéia que classificou Portugal para as semifinais da Eurocopa 2004. Depois de empate de 1 a 1 no tempo normal e resultado repetido na prorrogação, o time de Big Phil, o Felipão, bateu a Inglaterra nos pênaltis e avançou no torneio.
 | | | Scolari acompanha Portugal x Inglaterra; "jeitão" espontâneo do treinador brasileiro chama a atenção até dos adversários | A reportagem do UOL acompanhou a partida no Estádio da Luz atrás do banco de Portugal, a mais ou menos 15 metros de Luiz Felipe Scolari.
E, de fato, é incrível seguir as ações e reações do treinador pentacampeão do mundo durante toda a partida.
Scolari abusa dos gestos, grita, reclama, pressiona o árbitro, o quarto árbitro, o bandeirinha. Faz absolutamente de tudo em campo. As engraçadas caretas que o treinador sempre solta nas entrevistas coletivas são mais do que corriqueiras durante a partida.
"A gente fica feliz porque Portugal é uma equipe que tem um bom toque de bola, mas muitas vezes faltava essa parte de ser mais aguerrida. Hoje a gente já tem isso", disse Scolari ao final da partida.
E se tem um responsável por isso é o próprio treinador, que incutiu nos jogadores de Portugal um espírito de luta que nunca antes havia sido visto na seleção lusitana.
Sua atitude na lateral do campo, literalmente jogando junto com seus atletas, é decisiva.
Contra a Grécia, na estréia da Eurocopa, Scolari estava desapontado, decepcionado, sentado todo o tempo no banco de reservas. O time, apático, perdeu. Contra a Rússia, o técnico já participou mais. Contra a Espanha e a Inglaterra foram "shows", como bem resumiu o jornalista inglês.
No segundo tempo do duelo contra os ingleses, Scolari arriscou tudo e colocou em campo Postiga, Simão e Rui Costa sacando Figo, Costinha e Miguel. O time, extremamente ofensivo, ficou desfigurado taticamente.
Desde o gol de empate, marcado por Postiga aos 38min da segunda etapa, até o apito final do árbitro na prorrogação, o técnico não parou. Gritava com Deco, improvisado na lateral-direita; com Rui Costa, que precisava ajudar Maniche na marcação no meio; com Cristiano Ronaldo e Simão, que também tinham que ajudar na defesa, não só no ataque.
"No final a nossa equipe teve aquele trabalho fantástico de todo um grupo, com alguns jogadores totalmente deslocados de sua posição", elogiou o pentacampeão.
Chegaram os pênaltis. Scolari foi de jogador em jogador, conversou, fez massagem, deu palavras de apoio. Olhou para Rui Costa, perguntou se ele queria bater, recebeu um sinal de positivo. Fez o mesmo com os outros todos.
Durante as penalidades, organizou a corrente.
No final, a explosão. Scolari correu, pegou uma bandeira brasileira com um torcedor e saiu pelo campo com ela na mão esquerda e com a portuguesa na direita. Chorava, chorava copiosamente. Chorava e olhava para cima, para as arquibancadas, agradecendo ao empolgante público português.
A poucos metros, o lendário Eusébio, sozinho no gramado, também chorava olhando em direção às arquibancadas da Luz. No público, o choro se replicou entre muita gente. As lágrimas só eram sufocadas pelos gritos de "Pur-tu-gal, Pur-tu-gal".
"O Felipão veio aqui para colocar ritmo no coração de todos nós, portugueses", disse ao final o torcedor Ricardo Duque.
Falou tudo.
|