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08/07/2004 - 07h30
Alex tem no Peru chance de ser o "10" também na seleção
Daniel Tozzi Enviado especial do UOL Em Arequipa (Peru)
Um jogador de 26 anos que é convocado desde 1999, passa pelas eras Luxemburgo, Leão, Scolari e Parreira, bate a marca de 55 convocações e leva seu ex-clube a conquistar quatro títulos num ano e meio ainda precisa batalhar para ser considerado "jogador de seleção"? Sim, caso o próprio fique fora da principal lista dos últimos anos - a de Luiz Felipe Scolari para a Copa do Mundo de 2002 - e tenha participado de dois dos maiores fiascos recentes do futebol brasileiro - Sydney-00 e a Copa América-01.
 | | | Experiente na seleção, Alex usa torneio para se firmar no grupo de Parreira | Na Copa América deste ano, Alex tem nova chance de ser protagonista com a camisa amarela. E não apenas pelo seu talento. Reserva nas eliminatórias, disputa na qual o Brasil escala sua força máxima, o meia é o mais forte candidato para ser escolhido por Carlos Alberto Parreira o capitão do time no Peru.
E a volta ao topo da hierarquia na seleção, ainda que seja num time renovado, faz de Alex "professor" de uma situação na qual ele conhece os riscos e as dificuldades em dar a volta por cima. "Falo para eles (jogadores mais jovens) sobre a oportunidade que estão tendo. Todo mundo trabalha no clube para chegar à seleção. O desempenho aqui é uma marca que fica na carreira", afirmou o jogador na seguinte entrevista:
Pergunta: Você é um dos jogadores mais experientes do grupo da Copa América. Chega a dar conselhos para os mais novos? Alex: Falo sobre a oportunidade que estão tendo. Todo mundo trabalha num clube para chegar à seleção. O desempenho aqui é uma marca que fica na sua carreira.
Pergunta: Ambos são times jovens, mas essa equipe de hoje vive um ambiente diferente daquele vivido pela de Sydney-00? Alex: Com certeza. Tínhamos um belo time, fizemos um belo Pré-Olímpico, mas não nos preparamos bem. O treinador (Wanderley Luxemburgo) tinha problemas pessoais e isso gerou uma confusão tremenda. Nos classificamos na primeira fase de maneira super complicada. (O Brasil foi eliminado nas quartas-de-final por Camarões, que venceu com o "gol de ouro").
Pergunta: Você foi bem no Palmeiras, no Cruzeiro, mas ainda falta arrebentar na seleção. Qual avaliação você faz do seu trabalho na seleção? Alex: Sempre joguei de uma maneira muito boa na seleção, caso contrário não teria tantas convocações. Se alguém vem de maneira ruim, as oportunidades vão diminuindo, e eu sempre tive as oportunidades, sempre joguei. Claro, minha carreira boa comigo até 2000, e de 2000 a 2002 tive vários problemas para serem resolvidos (Alex entrou numa disputa judicial para ser liberado pelo Parma, da Itália).
Pergunta: E a recompensa pelo seu currículo na seleção seria a faixa de capitão? Alex: Isso não me preocupa. O treinador é capacitado, conhece todos os jogadores profundamente, e quem for escolhido vai procurar exercer bem essa função.
Pergunta: É uma responsabilidade maior (ser capitão)? Alex: É o treinador dentro do campo, né? É o homem de confiança que ele (Parreira) vai ter dentro de campo para passar algumas coisas, que na beirada do campo ele consegue ver mas não tem tempo hábil, está longe do jogador. Então realmente é muito importante.
Pergunta: Alguns lamentam a falta das estrelas na seleção. E você, comemora o fato de poder ser titular? Alex: Não, eu lamento também. Acho a Copa América um campeonato importante. No mundo existem três competições importantes: A Copa do Mundo, a Eurocopa e a Copa América. Seria superinteressante se todas as equipes estivessem aqui no Peru com os seus principias jogadores. Mas não aconteceu dessa forma, por isso vamos com o time que o Parreira convocou, que também não deixa de ser um time forte.
Pergunta: Tomando por base a seleção com suas "estrelas", qual o nível de cobrança que o grupo que está na Copa América sofre? Alex: Os (jogadores) que estão aqui estão buscando espaço e, se vestem a camisa da seleção, é porque têm condições. A cobrança é sempre para vencer.
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