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28/10/2004 - 11h47
Serginho corria risco bem maior que outros jogadores, diz médico
Vinícius Segalla Em São Paulo
| TRAGÉDIA NO MORUMBI |  Serginho cai sozinho...
 ...é socorrido até pelo médico do São Paulo
 ...carrinho chega para transportá-lo à ambulância
 jogadores vão à loucura com demora da ambulância
 ...zagueiro é colocado no carrinho e médicos tentam reanimá-lo, sem sucesso
 ...de ambulância, Serginho vai ao hospital, onde chega desacordado, mas com vida
 ...apesar das orações e votos, zagueiro não resiste e morre no hospital
| O jogador Serginho, vítima de uma parada cardíaca fatal durante a partida São Paulo e São Caetano no Morumbi, nesta quarta-feira, possuía um risco muito maior de sofrer um ataque como esse do que um atleta de saúde perfeita, segundo opinam médicos especialistas em medicina esportiva.
O UOL Esporte apurou que Serginho sofria de arritmia cardíaca de origem genética, detectada em exames realizados no início do ano, e inclusive pensava em deixar o futebol em 2005. Arritmia cardíaca significa que o coração do atleta não apresentava um ritmo constante nos batimentos, o que gerava insuficiência cardiorrespiratória. "Dependendo da gravidade da arritmia, não é recomendável nenhum tipo de atividade física, muito menos a profissão de atleta, tal o risco que se gera de uma parada cardíaca ocorrer", afirma o dr. Turíbio Leite de Barros, médico fisiologista, coordenador do Centro de Estudos Medicina da Atividade Física e do Esporte, da Escola Paulista de Medicina (Unifesp).
O médico destaca, porém, que arritmia cardíaca é um termo médico associado a um problema que pode ter diferentes graus de gravidade. Ainda assim, sempre segundo o dr. Turíbio, "qualquer atleta que sofra de arritmia tem um risco de morte bastante mais elevado que o de um atleta comum".
O cunhado do jogador, Luisinho, disse que a família estava ciente dos riscos que o atleta corria, porém minimizou sua gravidade. "A família está encarando como uma fatalidade. Quando o Serginho esteve em São Paulo, eu acompanhei muito de perto. O risco que foi posto para ele foi de menos de 1%. Ele não teria motivo e nem a gente deixaria ele arriscar a vida dele por causa do futebol. Confiávamos e confiamos plenamente nos médicos", comentou, em entrevista à rádio Jovem Pan, o parente de Serginho, que se refere a exames realizados pelo jogador em clínica paulistana.
Na noite desta quarta, foi divulgado no Morumbi que Serginho teria assinado, a pedido do São Caetano, um termo de responsabilidade em relação à sua própria saúde para que pudesse entrar em campo pelo time do ABC paulista, informação posteriormente negada pela diretoria do clube. De qualquer maneira, sabia-se que o atleta possuía problemas de coração, e a decisão de deixá-lo entrar em campo é difícil.
"Um médico tem o dever de alertar, mas não pode impedir um jogador de exercer sua profissão. Penso que a Fifa ou algum órgão regulador deveria criar uma norma no sentido de impedir atletas com problemas cardíacos graves de jogar futebol", opina o dr. Turíbio.
Para o dr. Nabil Gorayeb, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o que deveria existir é um treinamento de árbitros e auxiliares para atendimentos preliminares de emergência em casos como esse. "Os jogadores estão emocionados com a partida, os médicos, massagistas, estão longe. O árbitro e os bandeirinhas estão bem próximos à jogada e deveriam ser os primeiros a atender os jogadores em um caso como esse", defende o médico. Gorayeb acredita também que um aparelho desfibrilador semi-automático deveria ser objeto obrigatório nos estádios de futebol.
O desfibrilador é um aparelho que solta uma descarga elétrica no coração do indivíduo infartado para que o coração volte a bater. É denominado semi-automático porque possui controle eletrônico que detecta a força do choque a ser aplicado e dá informações de voz à pessoa que aplica o choque, permitindo que uma pessoa leiga em medicina possa realizar os primeiros atendimentos. "O conceito que temos sobre essa situação é a seguinte: temos uma parada cardiorrespiratória por uma descarga elétrica no coração. Isso não é morte. Você tem três minutos para tentar a reanimação e ela tem resultado positivo em 70% dos casos", explica o médico.
"Irresponsabilidade" O técnico Mário Sérgio, atualmente no Atlético-MG e ex-treinador do São Caetano, acusou de "negligentes" os dirigentes do São Caetano por deixar Serginho entrar em campo. "De repente as pessoas sabiam que isso podia acontecer e, no mínimo, houve negligência por parte de quem estava à frente do São Caetano. E é inadimíssível isso. Uma tremenda irresponsabilidade", disse o técnico, em entrevista à rádio Jovem Pan.
O atual técnico atleticano disse que sabia do problema de Serginho, já que seu filho, Bruno, era procurador do atleta. "Parece que na pré-temporada teve um problema de arritmia", explicou, dizendo que indicou seu médico particular.
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