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  28/10/2004 - 14h45
Ex-companheiro paga ônibus para família de Serginho

Danilo Valentini
Do Pelé.Net
Em São Paulo

TRAGÉDIA NO MORUMBI

Serginho cai sozinho...


...é socorrido até pelo médico do São Paulo


...carrinho chega para transportá-lo à ambulância


jogadores vão à loucura com demora da ambulância


...zagueiro é colocado no carrinho e médicos tentam reanimá-lo, sem sucesso


...de ambulância, Serginho vai ao hospital, onde chega desacordado, mas com vida


...apesar das orações e votos, zagueiro não resiste e morre no hospital
A decisão da mulher de Paulo Sérgio Oliveira da Silva, o Serginho, de velar o corpo do jogador do São Caetano no município mineiro de Coronel Fabriciano deixou a família do zagueiro indignada.

Moradores da cidade de Serra, na região metropolitana de Vitória-ES, pais, irmãos e parentes de Serginho, que morreu depois de sofrer um ataque súbito durante o jogo contra o São Paulo, nesta quarta-feira, em São Paulo, reclamaram da decisão de não receber o atleta em sua terra natal.

Na manhã desta quinta, um vôo fretado saiu do aeroporto de São Paulo em direção a Ipatinga, em Minas Gerais. De lá, o corpo e mais alguns integrantes do elenco e da comissão técnica do São Caetano seguiriam para Coronel Fabriciano.

"Não tinha problema nenhum esse vôo passar por aqui, onde está tudo dele. Umas três, quatro horas para ficar ao lado dele já estava bom. O Serginho nasceu e cresceu aqui, os amigos e vizinhos estão inconformados, indignados", declarou Daniel de Oliveira da Silva, um dos dez irmãos deixados por Serginho.

Os irmãos de Serginho tiveram de contar com a solidariedade do meia Luiz Carlos Capixaba para conseguir alugar um ônibus que os leve de Serra até Coronel Fabriciano, uma viagem de aproximadamente cinco horas de duração. A saída do ônibus está programada para acontecer durante a tarde desta quinta-feira

Capixaba, que atualmente defende o Coritiba, foi colega de Serginho no São Caetano. Sabendo das dificuldades financeiras da família do zagueiro, Luiz Carlos Capixaba se prontificou a bancar os custos do ônibus, que levará 48 pessoas para acompanhar o enterro, que está marcado para as 9h desta sexta-feira.

Segundo Daniel de Oliveira da Silva, um dirigente do São Caetano entrou em contato com a família autorizando a compra de passagens para os pais de Serginho. "Não sei o nome dele, mas ele mandou procurar a direção do clube lá no velório para sermos ressarcidos".

Com problemas de saúde, o pai do jogador, Virgílio de Oliveira, de 68 anos, havia recebido a recomendação médica, assim como sua esposa, de manter repouso. Até por isso, os familiares procuraram fazer um apelo para que a mulher do jogador, Elaine, autorizasse a passagem do corpo por Serra.

"Médicos proibiram meus pais de viajar, estão com problemas sérios de saúde, pressão alta. Não é pelo fato de não termos condições, já que somou humildes, todos trabalham, ganham pouco. Não por nós, mas pelo pai pela mamãe", afirmou Maria da Graça de Oliveira da Silva, irmã de Serginho.

Segundo Maria da Graça, a última vez que Serginho visitou os pais foi em junho, quando passou o final de semana. "Via ele só uma vez por ano, durante as festas. Vinha com a esposa, o filho e cunhada", conta a irmã, revelando que o jogador "ajudava um pouquinho o papai".

Reclamando da falta de informações por parte da direção do São Caetano, Maria da Graça informou que conversou com o procurador de Serginho, Marcelo Robalinho, que disse "não poder fazer nada". Robalinho estava no avião que levou o corpo e a delegação que irá acompanhar o enterro.


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