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28/10/2004 - 16h40
Tristeza, saudade e revolta se misturam no adeus a Serginho
Da Redação Em São Paulo
Tristeza, consternação, revolta, saudade. Neste cenário estão jogadores, técnicos e dirigentes depois da morte do zagueiro Serginho, na noite desta quarta-feira, depois de sofrer uma parada cardíaca na partida entre São Caetano e São Paulo, no estádio do Morumbi.
| REPERCUSSÃO |  | Mário Sérgio, técnico do Atlético-MG "Estou revoltado porque ele foi exposto a esta situação. No mínimo houve negligência" | |  | Fabinho, volante do Corinthians
"É uma situação muito triste. Fico abalado com o que aconteceu. Ele sempre me ajudou" | |  | Deivid, atacante do Santos
"Foi uma fatalidade e todo o Brasil está chateado. Só espero que ele esteja bem onde estiver" | |  | Adãozinho, meia do Palmeiras
"Perdemos um irmão, um cara de caráter. Tínhamos uma verdadeira família no São Caetano" | | "Além de uma pessoa maravilhosa e de ter um caráter muito grande, era um ótimo profissional. Não desistia nunca, era um guerreiro dentro de campo. É um pedaço de nós que se foi. Ele sempre brincava com a gente, dividi quarto com ele na concentração muitas vezes no São Caetano. Temos que ter solidariedade agora com a família dele", disse Claudecir, hoje volante do Palmeiras.
Claudecir despontou ao lado de Serginho no São Caetano, quando a equipe ganhou notoriedade ao chegar à final da Copa João Havelange em 2000 e perder o título para o Vasco.
Outro jogador daquele elenco era o atacante Wagner, agora no Atlético-MG. "Fiquei muito baqueado e fui dormir quase quatro horas da manhã. Não caí na real. A gente não estava lá na hora para ver o que aconteceu. Fico triste e chateado. Perdi um amigo especial, uma pessoa tranqüila e maravilhosa."
O experiente meia Adãozinho também jogou com o emergente São Caetano de Serginho em 2000. Hoje no Palmeiras, o jogador revelou que a cumplicidade fez daquele grupo uma família. "Perdemos um irmão, um companheiro de trabalho, um cara de caráter dentro e fora de campo. Tínhamos uma verdadeira família no São Caetano e o Serginho fazia parte dela."
Outro companheiro de Serginho no time do ABC paulista foi Fabinho, volante que acertou com o Corinthians no segundo semestre de 2001, mas nunca se esqueceu do amigo. "Nos encontramos na semana passada, íamos à mesma igreja. É uma situação muito triste. Fico abalado com o que aconteceu. Ele sempre me ajudou, sempre conversou muito comigo."
Fabinho soube da notícia da morte do amigo ainda dentro de campo, durante o segundo tempo do empate por 1 a 1 contra o Criciúma. O misto de saudade e desespero fez com que o jogador chorasse copiosamente dentro de campo, levando o técnico Tite a pensar em tirá-lo antes do fim da partida. Mas o corintiano ficou até o apito final, para "honrar" o amigo.
A consternação de Fabinho se estendeu para outros companheiros de profissão, como o zagueiro Gustavo e o volante Magrão. Os jogadores chegaram atônitos ao hospital São Luiz, local onde foi levado Serginho após sofrer uma parada cardíaca ainda no gramado do Morumbi.
A situação foi a mesma do supervisor de futebol do São Caetano, Carlos Eike Batista, que tinha dificuldade em encontrar explicações sobre o fato. "É um momento muito difícil na hitória do São Caetano. Foi uma noite fatídica. Esperamos que ele tenha um bom lugar lá no céu."
Entre os parentes, a situação não foi diferente. Luizinho, cunhado de Serginho, assistia à partida ao lado de seus filhos e de sua esposa quando viu a cena pela televisão. O anúncio do falecimento foi traumatizante. "Recebemos, como o Brasil inteiro, com muito choque. Foi um momento muito difícil. A cidade está toda em luto. Ele era um cara muito querido", disse, à rádio "Jovem Pan".
A morte também trouxe revolta, como a do técnico Mário Sérgio. Ex-São Caetano, o hoje comandante do Atlético-MG culpava o clube do ABC pela fatalidade. "De repente as pessoas sabiam que isso podia acontecer e, no minimo, houve negligência por parte de quem estava à frente do São Caetano. É inadimíssível. Uma tremenda irresponsabilidade. Estou revoltado porque ele foi exposto a esta situação. No mínimo houve negligência por parte do São Caetano. Se chega um diagnóstico, e que seja um 1% de chance de acontecer alguma coisa, não se pode aceitar isso, mesmo que ele queira jogar. A gente perdeu um cara como ele por negligência pura", terminou.
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