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  28/10/2004 - 19h23
São Paulo quer novo jogo de 90 minutos

Ricardo Zanei
Em São Paulo

Marcius Azevedo
Do Pelé.Net
Em São Paulo

TRAGÉDIA NO MORUMBI

Serginho cai sozinho...


...é socorrido até pelo médico do São Paulo


...carrinho chega para transportá-lo à ambulância


jogadores vão à loucura com demora da ambulância


...zagueiro é colocado no carrinho e médicos tentam reanimá-lo, sem sucesso


...de ambulância, Serginho vai ao hospital, onde chega desacordado, mas com vida


...apesar das orações e votos, zagueiro não resiste e morre no hospital
Alegando que não gostaria de dar "continuidade a uma história traumática", o São Paulo defendeu nesta quinta-feira a realização de um novo jogo contra o São Caetano. A partida foi interrompida aos 14min do segundo tempo, quando o zagueiro Serginho, do time do ABC, sofreu um ataque súbito que causou sua morte uma hora depois.

Logo após o anúncio do falecimento do jogador, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) tomou duas decisões: adiou o jogo do São Caetano contra o Paraná, remarcando-o para o dia 10 de novembro, e decidiu que a partida interrompida no Morumbi seria retomada, com 31 minutos de duração, a partir das 20h30 do próximo dia 3.

"É difícil entrar para jogar apenas mais 31 minutos, ainda mais devido à fatalidade. É uma situação inusitada. Não acredito que exista clima para jogar", afirmou o atacante Grafite, que estava ao lado de Serginho no momento do desmaio.

A decisão de jogar apenas a parte que falta da partida não agradou ao São Paulo, que, por meio de sua cúpula, manifestou nesta quinta-feira sua vontade de disputar um novo jogo, de 90 minutos.

"O Nairo (Ferreira de Souza, presidente do São Caetano) quis conversar sobre isso (um novo jogo) ontem (quarta-feira), mas achei que não era o momento. Falei que ligaria hoje (quinta-feira), mas o dia de hoje é tão ruim quanto o dia de ontem", afirmou o presidente do São Paulo, Marcelo Portugal Gouvêa, sobre o possível consenso quanto ao novo jogo.

Com a interrupção, São Paulo e São Caetano se mantêm com 65 pontos, empatados na terceira colocação do Campeonato Brasileiro e com chances reais de brigar pelo título, já que os líderes da competição, Santos e Atlético-PR, estão empatados com 69 pontos.

"Eu sugeriria que tivesse um outro jogo, com outra história. Não gostaria de continuar esta história. Não sei se isso é legal, mas a vida continua, não podemos ficar de luto pelo resto da vida", afirmou Marco Aurélio Cunha, superintendente e médico do São Paulo, mostrando dúvida em relação à regra da competição.

Segundo o regulamento geral de competições da CBF, legislação na qual a entidade se apóia para organizar o Campeonato Brasileiro, o procedimento a ser adotado é a continuidade do jogo a partir do momento da interrupção.

De acordo com o parágrafo segundo do artigo 15 do regulamento, "as partidas depois de iniciadas e que forem suspensas em definitivo(...)até o termino do 29º minuto do 2º tempo, serão complementadas no dia seguinte e caso tais motivos persistirem, em data a ser marcada pelo Departamento Técnico da CBF". Caso a partida tivesse superado o limite de tempo determinado, o resultado em questão (0 a 0) seria o definitivo.

"O ideal seria uma nova partida para que não haja nenhuma lembrança. Mas o que a legislação determinar vamos cumprir", assegurou Marco Aurélio Cunha, que aguarda a definição até esta sexta-feira.

O volante Renan, um dos mais abalados do time do São Paulo - ele presenciou, aos 15 anos, o enfarto que provocou a morte de seu pai -, vê um problema prático para a realização de apenas mais um terço do jogo contra o São Caetano.

"Estamos todos abalados, mas tinha quer ter outro jogo. Vamos concentrar para entrar em campo e disputar 31 minutos. Você, em um jogo normal, demora 10 minutos para entrar em um ritmo bom para jogar. Entrar para jogar só 31 minutos é difícil".

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Veja vídeo da tragédia:


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