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  28/10/2004 - 21h40
Médicos fariam "tudo novamente" no atendimento a Serginho

Ricardo Zanei
Em São Paulo

Folha Imagem 
O trio Altmann, Gouvêa e Cunha concede entrevista coletiva no estádio do Morumbi
"Se tivéssemos uma situação igual, faríamos da mesma maneira". A frase é do coordenador responsável pelo resgate do Hospital São Luiz, Dino Altmann, sobre o atendimento ao zagueiro Serginho, do São Caetano. O jogador faleceu na noite desta quarta-feira, após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante a partida contra o São Paulo, no Morumbi.

No início da noite desta quinta, o presidente do São Paulo, Marcelo Portugal Gouvêa, o superintendente e médico do clube, Marco Aurélio Cunha, além de Altmann, concederam uma entrevista coletiva para explicar como foi o socorro ao jogador do time do ABC.

O estádio do Morumbi conta com um centro médico, em parceira com o Hospital São Luiz, para onde foi levado Serginho quando sentiu o mal súbito aos 14min do segundo tempo.

"Estamos tristes e aborrecidos com o que aconteceu com o Serginho, mas foi uma fatalidade que estava fora do nosso alcance. Mas tudo o que seria possível ser feito pelo São Paulo, foi feito", disse Gouvêa. "O procedimento foi absolutamente correto. Ele estava em uma situação crítica e saiu do estádio sendo ressuscitado. As manobras de ressuscitação continuaram na ambulância e no hospital por pelo menos 50 minutos", disse Altmann.

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Vista da ambulância usada no Morumbi; veículo similar levou Serginho ao hospital
Um dos pontos que levantou polêmica foi relacionado ao uso da ambulância. Ainda dentro de campo, Serginho foi atendido pelos médicos de São Caetano e São Paulo, que tentaram reanimá-lo por meio de massagem cardíaca e respiração boca-a-boca. Em seguida, o zagueiro foi colocado em um carro-móvel e, cerca de três minutos depois, chegou à ambulância, onde recebeu o primeiro choque com um desfibrilador.

"O atendimento em campo foi prestado imediatamente. Duvido até que, em um hospital, seria mais rápido. Corremos sempre atrás do tempo, mas com segurança. O primeiro passo é oxigenar a respiração e manter a circulação, o que foi feito", disse Altmann. "A ambulância é um veículo de transporte, não é para fazer o primeiro atendimento. Como o centro médico tem mais recursos, a ambulância o levou para lá. Quando a condição ficou mais estável, voltou a ambulância e daí foi encaminhado ao hospital", completou.

O atendimento seguiu no centro médico e, em seguida, continuou no hospital. O processo entre a queda do zagueiro e sua morte, às 22h45, durou cerca de uma hora.

"O momento da morte quando a pessoa não responde às manobras de ressuscitação cardiorrespiratórias, ou seja, sem um mínimo de batimento cardíaco ou atividade elétrica no coração. Enquanto as manobras são mantidas, mantém-se também a vida. No momento em que elas se tornam inviáveis, é dada a hora do óbito", explicou Altmann.

O médico revelou que, em nenhum momento, Serginho respondeu ao tratamento ministrado. Mesmo assim, ele acredita que não se pode dizer que o jogador faleceu antes que os procedimentos médicos chegassem ao final. "No momento que você mantém a vida, mesmo em condições artificiais, está alimentando a vida. No meu entender, a morte só pôde ser constatada às 22h45."

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Ambulância conta com desfibrilador; demora em seu uso ocasionou polêmica
Outro fator que ocasionou discussão foi a demora no uso de um desfibrilador (o São Paulo conta com um na ambulância e outro no mini-hospital). Parte da imprensa e alguns médicos entrevistados chegaram a dizer que, caso o aparelho tivesse sido utilizado mais rapidamente, poderia ter aumentado as chances de recuperação de Serginho.

"Os procedimentos dentro de campo foram corretos, e ele recebeu a primeira descarga do desfibrilador logo que entrou na ambulância. Isso tudo aconteceu em três minutos, que é um tempo fantástico. Além disso, o uso de um desfibrilador não é a única maneira de se reverter um caso de parada cardiorrespiratória", apontou Altmann.

O boletim médico com a causa da morte do zagueiro do São Caetano não foi revelado e, segundo a assessoria do clube, só será veiculado se for liberado pelos familiares do atleta. Serginho será enterrado na manhã desta sexta-feira, às 9h, na cidade mineira de Coronel Fabriciano, onde iniciou sua carreira de jogador.

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Veja vídeo da tragédia:


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