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16/11/2004 - 16h34
Iraque bate Palestina no "clássico do roto contra o rasgado"
Da Redação Em São Paulo
 | | | Futebol e guerra: garoto iraquiano joga com soldado dos EUA em posto de controle no centro de Bagdá | Seria apenas um jogo para cumprir tabela no grupo 2 das eliminatórias asiáticas para a Copa de 2006, com o líder Uzbequistão já classificado. Mas as seleções de Iraque e Palestina em campo é a principal notícia pela situação histórica.
O clássico do "roto contra o rasgado" ou, melhor dito, do "invadido contra o bombardeado" acabou com uma goleada iraquiana por 4 a 1. Os palestinos seguraram o empate até o intervalo, mas sucumbiram na segunda etapa aos gols de Munir (2), Mohamed e Akram. Ao final, ainda descontaram com Zaatera e acabaram sua participação na disputa.
A partida aconteceu na calmaria de Doha (Qatar), afinal, nenhuma das duas convulsionadas nações têm possibilidade de sediar suas partidas.
Enquanto os iraquianos sofrem nestes dias nova ofensiva dos EUA do reeleito George W. Bush, a Palestina entrou na tumultuada sucessão de seu líder Yasser Arafat, morto na última quinta.
A campanha palestina nas eliminatórias foi acompanhada em cafés da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. "Apesar da morte de nossos líderes e nossos jovens, nós ainda jogamos futebol", afirma o torcedor Nael al-Omari, da cidade de Ramallah.
 | | | Garoto palestino, usando camiseta do São Paulo, participa dos funerais do líder Yasser Araft na cidade de Ramallah | A seleção foi reforçada por jogadores chilenos de origem palestina, como Patricio Mhena e Roberto Beshe, que, no primeiro confronto das equipes, fez o gol de empate em 1 a 1. O país andino tem uma comunidade de 300 mil integrantes, que conta até com um clube, o Palestino, no Campeonato Chileno.
O engajamento chileno inclui até a filmagem de um documentário sobre o selecionado palestino. "Testemunhei o capitão do time, Saeb Jundiya, ser empurrado contra a parede para ser revistado por soldados israelenses", afirmou o diretor Marcelo Pina.
Outra cena que ele não esquecerá aconteceu após a derrota para os uzbeques em jogo realizado no Egito. "A viagem de volta foi de ônibus. Como havia muito congestionamento na fronteira do Egito com a Palestina, os jogadores desceram do ônibus e subiram em burros, com bagagem e tudo, para entrar em seu país", disse Pina.
Depois de ter no comando do time um argentino, funcionário da ONU, a Palestina tem agora como treinador o austríaco Alfred Riedl.
A Fifa reconheceu em 1998 a Palestina, que recebeu os jogos das eliminatórias passadas em seus estádios. Naquela época, os acordos de paz com os israelenses prosperavam. O cenário, porém, mudou em 2000 com as intifadas de setembro e a ascensão da direita ao governo de Israel
 | | | Iraquianos organizam uma pelada nos subúrbios de Bagdá com céu coberto por fumaça de poço de petróleo queimando | Já os iraquianos, equipe tradicional na Ásia, com uma participação em Copa do Mundo (México-1986), escreveu outra página de glória neste ano, com o quarto lugar no torneio olímpico em Atenas-2004. Deixou escapar o bronze, perdendo para a Itália.
Mas durante a invasão, o campeonato local foi suspenso. O técnico da seleção, o alemão Bernd Stange, pediu demissão e se escapou da área de conflito. Antes disso, esporte sob o governo de Saddam Hussein ficou famoso pelas punições que seu filho Udah, máximo dirigente do esporte de então, dava aos atletas derrotados: chibatadas.
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