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  27/11/2004 - 17h53
Atlético-MG perde para Figueirense e agoniza

MBPress
No Rio de Janeiro

Na partida encarada como decisão por ambas as torcidas alvinegras, o Figueirense levou a melhor sobre o combalido Atlético-MG. Os catarinenses derrotaram os mineiros por 2 a 1 neste sábado, em Ribeirão Preto, pela 43ª rodada do Campeonato Brasileiro. Renato marcou para o Atlético-MG e Mazinho empatou na etapa inicial. No segundo tempo, Genílson virou a partida.

Precisando vencer para fugir do rebaixamento, o Atlético-MG começou a partida no ataque. Aos 14min, Renato driblou dois adversários e abriu o placar. Lutando por vaga na Copa Sul-Americana, o Figueirense reagiu. Aos 30min, Mazinho, de fora da área, encobriu Danrlei e empatou a partida. No fim do primeiro tempo, o lateral André Santos foi expulso, prejudicando o time catarinense.

Nem mesmo o fato de atuar com um jogador a mais, trouxe tranqüilidade aos atleticanos. O Figueirense aproveitou o nervosismo adversário e desempatou na etapa final. O atacante Genílson foi o autor do gol da vitória, aos 30min.

Com o resultado, o Figueirense aumentou as chances de transformar o sonho de obter uma vaga na Copa Sul-Americana em realidade. Os catarinenses pularam para a nona colocação na tabela do Campeonato Brasileiro, com 60 pontos e 46,5% de aproveitamento na competição. Detalhe curioso é que esta foi apenas a segunda vitória sobre o adversário mineiro na história do confronto entre as duas equipes.

Já a briga do Atlético-MG contra o rebaixamento tornou-se mais desesperadora. Na antepenúltima posição com 46 pontos, o clube precisa somar mais sete nos três jogos que ainda lhe restam para escapar da Série B. O clube mineiro tem 35,7% de aproveitamento e, com apenas 10 vitórias, é um dos três times que menos venceram no Brasileirão. Para piorar, os atrasos de salários ainda complicam a relação entre jogadores e diretoria.

No próximo sábado, o motivado Figueirense enfrenta o Guarani, às 16h, no estádio Brinco de Ouro. No domingo, em verdadeiro mata-mata para evitar o descenso, o Atlético-MG recebe o Paysandu, às 16h, em Ipatinga. Uma nova derrota significará o rebaixamento matemático dos mineiros.

O jogo
Por motivos diferentes, torcedores de Figueirense e Atlético-MG consideravam o jogo deste sábado uma final de campeonato. No entanto, a decisão não foi disputada na casa de nenhum dos alvinegros. Isto porque os catarinenses foram punidos pelo Superior de Justiça Desportiva (STJD) com perda de mando de campo devido a incidentes ocorridos em Florianópolis no jogo contra o São Paulo, pela 39ª rodada do Brasileirão.

A diretoria do Figueirense aceitou proposta de empresários de Ribeirão Preto para atuar na cidade e a partida foi marcada para o estádio Santa Cruz. Mesmo longe de casa, o técnico Dorival Júnior optou por uma formação ousada para tentar a segunda vitória seguida no Brasileirão.

A novidade foi a escalação do meia Mazinho, de 19 anos. O zagueiro Márcio Goiano, capitão do time, e o volante Bilu retornaram à equipe após cumprirem suspensão.

Em termos de ousadia, o Atlético-MG não ficou atrás. Nas arquibancadas, um bom número de torcedores compareceu ao interior paulista para incentivar o clube. No campo, o treinador Mário Sérgio modificou o time derrotado pelo Paraná para buscar os três pontos.

O atacante Márcio Mexerica entrou no lugar do volante Emerson. No entanto, na lateral direita uma surpresa: Walker ganhou a disputa com Wagner, de características mais ofensivas. O desfalque ficou por conta do zagueiro André Luiz, suspenso.

E a ameaça de rebaixamento levou o Atlético-MG ao ataque assim que a bola começou a rolar. Logo aos 7min, Zé Antônio chutou de primeira de fora da área, mas fraco. Em seguida, o meia Renato cabeceou com perigo de dentro da área. Édson Bastos se esticou e fez a defesa.

A recompensa veio cedo. Aos 14min, Renato driblou Cléber e André Santos pela direita e bateu na saída Édson Bastos, marcando um belo gol.

Atrás no placar, o Figueirense acordou e equilibrou a partida. Aos 19min, Zé Luís errou saída de bola e permitiu o contra-ataque catarinense. Romualdo cruzou da esquerda e, na hora da conclusão, Genílson foi travado pelo zagueiro Adriano.

Aos 21min, o Figueirense assustou novamente. Jeovânio bateu forte de longe e Danrlei rebateu. No decorrer do lance, o goleiro atleticano se jogou corajosamente nos pés de Romualdo para evitar o empate.

A partir de então, o Figueirense passou a dominar o meio e buscar o gol com objetividade. Precavido demais, o Atlético-MG se fechou, isolando Alex Mineiro e Márcio Mexerica no ataque. O castigo não demorou a acontecer.

Aos 30min, a defesa atleticana cochilou no rebote e a bola caiu nos pés de Mazinho, livre de marcação, no bico direito da grande área. O meia teve calma e bateu, de primeira, por cobertura, encobrindo o mal posicionado Danrlei. O empate foi muito comemorado pelo jogador contratado no meio do ano, quando se destacou atuando pela Chapecoense.

Melhor na partida, o Figueirense acabou prejudicado devido a um erro infantil de André Santos. O lateral-esquerdo puxou a camisa de Renato e, como já havia recebido o amarelo, foi corretamente expulso pelo árbitro Paulo César de Oliveira. Os companheiros de equipe reclamaram sem razão.

Desorganizado em campo, o Atlético-MG não aproveitou a superioridade numérica. Os dois times concentraram o jogo no meio e não tiveram outras oportunidades no primeiro tempo.

Buscando maior poder ofensivo, o Atlético-MG voltou para o segundo tempo com Wagner no lugar de Rodrigo Fabri. Dorival Júnior, técnico do Figueirense, deu a resposta logo aos 3min, sacando Romualdo e colocando Carlos Alberto.

Desenhado no banco de reservas, o duelo tático não foi confirmado dentro das quatro linhas. Desorganizadas em campo, as duas equipes pouco criaram.

O Atlético-MG assustou somente aos 17min. Márcio Mexerica cabeceou com perigo sem ângulo e Édson Bastos defendeu. Aos 20min, foi a vez de Tucho, que acabara de entrar no lugar do lateral Walker, chutar com perigo.

O gol não saiu, causando mais desespero aos mineiros. Aos 21min, César Prates cobrou mal falta na entrada da área. Novamente a defesa do Atlético-MG bobeou. A bola sobrou nos pés de Genílson, que bateu na saída de Danrlei para virar a partida.

Irritada, a torcida do Atlético-MG virou de costas para o campo logo após o desempate.

Aos 31min, Genílson teve a chance de garantir a vitória. Em contra-ataque rápido, ele recebeu cruzamento da direita, mas chutou nas mãos de Danrlei. Logo depois, o atacante deixou o gramado machucado e foi substituído por Galeano.

O Atlético-MG ainda desperdiçou uma oportunidade com Tucho, aos 36min, mas não teve sucesso. Valente, o Figueirense segurou a vitória por 2 a 1, mesmo com dez jogadores em campo.

Foi a segunda vitória do Figueirense na história dos confrontos - a primeira aconteceu no Brasileirão de 2002. O Atlético-MG venceu quatro vezes e ocorreram outros quatro empates. No primeiro turno do Campeonato Brasileiro deste ano, os mineiros haviam derrotado os catarinenses por 3 a 1, no estádio Independência.

FIGUEIRENSE
Édson Bastos; Paulo Sérgio, Márcio Goiano, Cléber e André Santos; Jeovânio, Bilu, César Prates e Mazinho (Felipe Oliveira); Romualdo (Carlos Alberto) e Genílson (Galeano)
Técnico: Dorival Júnior

ATLÉTICO-MG
Danrlei; Walker (Tucho), Thiago Junio, Adriano e Rubens Cardoso; Zé Luís, Zé Antônio (Juninho), Renato e Rodrigo Fabri (Wagner); Márcio Mexerica e Alex Mineiro
Técnico: Mário Sérgio

Local: estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto (SP)
Árbitro: Paulo César de Oliveira (FIFA-SP)
Assistentes: Valter José dos Reis e Ednilson Corona (SP)
Cartões amarelos: André Santos, Jeovânio, Bilu (F); Rodrigo Fabri, Thiago Junio (A)
Cartão vermelho: André Santos (F)
Gols: Renato, aos 14min, e Mazinho, aos 30min do primeiro tempo; Genílson, aos 30min do segundo tempo

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