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  16/12/2004 - 10h15
Santos 2004 troca imaturidade por experiência

Gabriel Fortes e Bruno Freitas
Enviados especiais do UOL
Em São José do Rio Preto

O clima que envolve o Santos durante a última semana do Campeonato Brasileiro, cujo trabalho pode ser coroado com o título no domingo, é o mesmo de dois anos atrás, quando a equipe vivia a enorme expectativa de atingir o objetivo diante do Corinthians.

Agora, no entanto, ao contrário do que acontecia com o time de jovens revelações nos dias que antecederam o clássico no Morumbi, a experiência fala mais alto. Não apenas em relação à média de idade do elenco, que neste período subiu vertiginosamente. Mas também pela tarimba adquirida pelos garotos que estiveram em campo em 2002.

"Eu lembro muito bem como foi. Estávamos muito ansiosos, contentes e tínhamos a certeza que venceríamos. Falávamos muito, dávamos entrevista a toda hora e brincávamos nos treinos. Poderia até ser perigoso se não tivéssemos conquistado o título", reconhece o meia Elano.

"Mas isso mudou bastante de lá para cá. Somos mais experientes, responsáveis e temos total consciência das dificuldades que encontraremos neste domingo. Estamos com os pés no chão", emenda.

Ponto de equilíbrio entre a euforia e o bom-senso, Ricardinho fala sobre o assunto com a autoridade de capitão da equipe. Para ele, não adianta nem mesmo festejar as vitórias do Peixe por 3 a 0 sobre o São Caetano e do Vasco por um gol em cima do Atlético-PR, resultados que recolocaram o Alvinegro na rota do título.

"Não adianta mesmo. Ainda não acabou. Falta a última etapa para o Santos comemorar. A torcida pode fazer festa, mas nós estamos focados nesta partida contra o Vasco em Rio Preto. Agora a ordem é ter calma e muita tranqüilidade", avisa.

Em 2002, na semana de preparação para a final, realizada em Jarinu, tal consciência era objeto raro. A dupla Diego/Robinho se cansava nos treinos, e se desgastava igualmente nas brincadeiras. O sorriso estampado no rosto do zagueiro Alex, também denunciava a imaturidade. Robert, àquela época, era a exceção.

"Era o Robert mesmo quem tentava baixar um pouco a bola do pessoal e alertar dos problemas que poderíamos ter. Mas isso é normal em um grupo que era tão jovem e sem experiência", afirma o defensor André Luís, outro ícone da inexperiência que se tornou marca registrada da segunda edição dos "Meninos da Vila".

"Várias coisas que fazíamos há dois anos, certamente não fazemos mais. Estávamos todos buscando um espaço fixo ainda e hoje sabemos quais são as horas de brincar, por exemplo", completa.

É verdade. Hoje, no CT Rei Pelé, é difícil ver um jogador tirando sarro do outro. As "festas de aniversário" regadas a ovos e farinha também quase não acontecem. E as declarações irresponsáveis que muitas vezes comprometem o futuro de um atleta são evitadas.

Nesta temporada, quem se destaca na tarefa de conter a euforia, assim como Ricardinho, é o volante Zé Elias e o zagueiro Antônio Carlos. Reservas por conta de uma série de lesões neste semestre, suas respectivas experiências são mais úteis fora de campo.

"Eu lamento ter atuado apenas em nove partidas desde que cheguei aqui. Mas me sinto feliz por saber que estou conseguindo contribuir com este grupo. Posso passar um pouco do conhecimento, o pessoal escuta, conversa e isso é muito bom. O que eu tenho dito nos treinos é que precisamos ter muita calma para conquistar este título. Não conseguiremos nada antes de entrar em campo", diz o beque.

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