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  19/12/2004 - 17h51
Corinthians se despede com maior goleada do ano

MBPress
Em São Paulo

A despedida do Corinthians da temporada 2004 surpreendeu. Nem tanto pelo resultado. A equipe paulista recebeu o Figueirense no Pacaembu e venceu com tranqüilidade: 5 a 2. O mais inusitado é que os donos da casa atuaram com uma equipe formada por reservas e jogadores vindos das categorias de base.

Com oito de seus titulares já em férias (o goleiro Fábio Costa, os zagueiros Anderson e Marcelo Oliveira, os volantes Wendel e Fabinho, o meio-campista Fábio Baiano e os atacantes Gil e Jô), Tite teve de quebrar a cabeça para escalar o time. Sendo assim, quatro laterais começaram o jogo deste domingo (Coelho, Edson, Fininho e Zé Carlos).

E foi exatamente um destes laterais que chamou mais atenção em campo. Zé Carlos atuou como atacante e fez sua melhor apresentação com a camisa do Corinthians. O jogador, que estava ameaçado de ser dispensado, marcou dois gols e ganhou sobrevida na equipe paulista.

Zé Carlos é o segundo jogador do Corinthians que se recupera diante do Figueirense. No primeiro turno do Campeonato Brasileiro, o clube paulista venceu os catarinenses por 1 a 0 e o gol foi do centroavante Marcelo Ramos, o único dele nesta temporada do Nacional. O jogador já foi dispensado pela diretoria.

E a vitória sobre o Figueirense foi o recorde de gols do Corinthians nesta temporada. Antes disso, em partidas oficiais, o clube paulista tinha marcado no máximo três vezes. Isso aconteceu nas vitórias sobre Juventus (3 a 2 pelo Paulistão) e Vasco (3 a 1 no primeiro turno e 3 a 1 no segundo turno do Brasileiro).

Além da goleada, o time paulista também encerra o Brasileiro com um herói. O técnico Tite, que encontrou a equipe na zona de rebaixamento quando assumiu o comando, conseguiu uma recuperação espetacular e termina a temporada como ídolo da torcida. Depois da vitória, os corintianos que estavam no Pacaembu pediram em uníssono para que o treinador siga no clube em 2005.

Este resultado ratifica a quinta colocação do Corinthians no Campeonato Brasileiro. O time paulista chega a 74 pontos, mas não consegue alcançar a zona de classificação para a Copa Libertadores. E o Figueirense, com a derrota, estaciona nos 63 pontos e termina a temporada na 11ª do Nacional.

Com o término do Campeonato Brasileiro, Corinthians e Figueirense descansarão no final do ano e só voltarão a campo na próxima temporada. A equipe paulista estréia no Estadual no dia 19 de janeiro, no Pacaembu, contra o Mogi Mirim. Os catarinenses também começam atuando longe de casa. Enfrentarão o União, no dia 23 de janeiro, no Complexo Esportivo de Timbó.

O jogo
Sem ambição no Brasileirão e cheio de desfalques, o Corinthians enfrentou o Figueirense, que ainda sonhava com uma vaga na próxima edição da Copa Sul-Americana.

Entretanto, o Figueirense entrou apático em campo. E como o Corinthians sentiu falta de entrosamento, sobretudo nos minutos iniciais, o confronto mostrou péssimo nível técnico. As duas equipes mostraram pouca ousadia e preferiram trocar passes no campo defensivo.

Além da falta de entrosamento, o Corinthians também se ressentiu da ausência de um jogador criativo no meio-campo. Com isso, os atacantes Alessandro e Zé Carlos estiveram isolados nos primeiros lances.

A situação só mudou aos 15min, em uma jogada individual do atacante Alessandro. Ele partiu de trás com a bola dominada, invadiu a área e foi derrubado pelo lateral-esquerdo André Santos. Pênalti que Zé Carlos cobrou com categoria para marcar o primeiro gol dele com a camisa do Corinthians.

Depois de abrir o placar, o Corinthians começou a encontrar mais espaços na defesa do Figueirense. Só que as investidas ofensivas do time paulista estiveram resumidas à individualidade de Alessandro.

E isso funcionou novamente aos 25min. O camisa 9 passou por dois marcadores e foi derrubado na intermediária. Coelho cobrou com perfeição e venceu o goleiro Édson Bastos.

Estava fácil. Nem tanto por uma grande atuação do Corinthians, mas pela fraqueza do Figueirense, tudo levava a crer que o jogo se encaminhava para uma goleada paulista. Mas os donos da casa mantiveram o ímpeto ofensivo e permitiram os contra-ataques catarinenses.

Aos 28min, justamente em um contra-ataque, o Figueirense empatou. Os visitantes trocaram passes com muita velocidade e Vágner recebeu completamente livre. O atacante invadiu a área e tocou na saída do goleiro Rubinho, que nada pôde fazer.

A reação do Figueirense ainda teve mais um capítulo aos 33min. Em novo contra-ataque, César Prates aproveitou um cruzamento, dominou dentro da área e chutou com muita categoria para fazer o segundo gol do Figueirense.

Depois do empate, o Figueirense diminuiu o ritmo. Até mesmo nos contra-ataques, o time catarinense parou de assustar o Corinthians. E os donos da casa também ficaram perdidos com a reação catarinense. Assim, o nível técnico voltou a ficar extremamente baixo.

A situação só mudou no período complementar. E mudou porque o Corinthians tomou uma postura mais ofensiva. Com forte marcação sobre a saída de bola da equipe catarinense, o time da casa assumiu o controle do jogo e logo passou à frente novamente.

O terceiro gol do Corinthians aconteceu aos 6min. Zé Carlos ganhou a bola de Carlos Alberto, conduziu pelo meio e chutou muito forte, na saída de Édson Bastos. Assim como na etapa inicial, quando o time da casa abriu o placar, o Figueirense se perdeu.

E o Corinthians soube aproveitar o domínio. Aos 20min, Rosinei fez linda jogada pela direita e cruzou para Alessandro. O camisa 9 chutou na trave e o rebote ficou com o lateral-direito Coelho, que apenas empurrou para o fundo das redes.

O roteiro parecia o mesmo do primeiro tempo. O Corinthians abriu dois gols de vantagem e permitiu a reação do Figueirense. Aos 25min, por exemplo, César Prates teve liberdade para ir até a linha de fundo e cruzar rasteiro. Entretanto, Bilu não conseguiu chegar para completar.

Só que, ao contrário do que fez no primeiro tempo, o Corinthians conseguiu conter a reação. E fez isso com qualidade na troca de passes e muita eficiência na marcação. O único problema da equipe paulista foi que os comandados de Tite não conseguiram traduzir este domínio em oportunidades para marcar.

Quando Tite colocou o meia Élton em campo, a situação mudou. O pequenino jogador deu mais criatividade ao Corinthians e foi fundamental para o quinto gol corintiano. Ele fez linda jogada aos 41min e tocou para Rosinei. Com muita tranqüilidade, o camisa 8 apenas desviou de Édson Bastos e completou a festa da torcida paulista.

CORINTHIANS
Rubinho; Fábio, Betão e Bebeto; Coelho, Edson (Wilson), Rosinei, Bruno Octavio, e Fininho; Alessandro (Bobô) e Zé Carlos (Élton)
Técnico: Tite

FIGUEIRENSE
Edson Bastos; Paulo Sérgio (Éverton), Márcio Goiano, Cléber e André Santos (Felipe Oliveira); Carlos Alberto, Luciano Sorriso, Bilu e Cesar Prates; Vagner e Genilson (Rodriguinho)
Técnico: Ivan Izzo

Local: estádio Pacaembu, em São Paulo (SP)
Árbitro: Wagner Tardelli Azevedo (FIFA-RJ)
Auxiliares: Carlos Henrique Alves de Lima e Marco Venício Barros Sá Freire (ambos do RJ)
Cartões amarelos: André Santos (F)
Cartão vermelho: Carlos Alberto (F)
Gols: Zé Carlos, aos 15min, Alessandro, aos 25min, Vágner, aos 28min, e César Prates aos 33min do primeiro tempo; Zé Carlos, aos 6min, Coelho, aos 20min, e Rosinei, aos 41min do segundo tempo

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