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19/12/2004 - 18h24
Ex-inimigos viram heróis com o título
Bruno Freitas e Gabriel Fortes Enviados especiais do UOL Em São José do Rio Preto (SP)
Nada melhor do que um título para a torcida cair de amores pelo seu elenco. Mesmo que, outrora, parte dele tenha sido vilã de conquistas que estavam entaladas na garganta dos mais fanáticos.
Wanderley Luxemburgo, Ricardinho e Deivid, quem diria, hoje formam um trio que praticamente conduziu o Santos ao título do Campeonato Brasileiro. O treinador à beira do campo impondo a sua filosofia e motivação, o meia coordenando as jogadas e o atacante balançando as redes adversárias.
Em 1997, para Luxemburgo, a coisa era diferente. Ele aceitou o desafio de descer a Serra do Mar para treinar o Peixe pela primeira vez. Pouco depois, deixou o clube antes do término do contrato para aceitar uma boa proposta financeira do Corinthians. E, quando voltou à Vila Belmiro, foi recepcionado por moedas sob o coro de "mercenário".
"Eu acho estranho isso. Tenho o direito de liberdade e de escolher o que é melhor para minha carreira. Mas as pessoas não entendem isso. E nem entendem também que eu paguei a multa contratual ao Santos para ir embora", explica o técnico.
"Mas eu voltei agora em 2004 para provar que não sou anti-ético. Eu cumpro os meus contratos e, quando cheguei aqui, disse que o faria até o final. Me propus a isso e, com o título, as coisas melhoram muito", emenda.
Na vida de Ricardinho, o Santos também sempre foi adversário. Até meados deste ano, quando ele se livrou na Justiça de uma multa de R$ 2 milhões pela quebra de um contrato que tinha com o São Paulo para vestir a camisa alvinegra.
O meia estava esquecido na Inglaterra, para onde foi em janeiro defender o Middlesbrough e por quem apenas treinou durante seis meses. Ele jamais entrou em campo com a camisa do clube inglês.
Na Vila, chegou para ocupar o espaço de Renato, ídolo da torcida. Não só ficou com a vaga do volante, como também herdou a camisa 8 e a tarja de capitão. Sem comparações, ele se tornou o "maestro" da equipe dentro de campo.
"Não gosto muito de fazer comparações. O Renato é um grande jogador, escreveu o seu nome na história do Santos, mas eu sou o Ricardinho. Eu aprendi a respeitar muito o clube, a cidade e estou muito satisfeito aqui. Não pretendo ir embora tão cedo", avisou o jogador, que em 2001 marcou sobre o Santos o gol que levou o Timão à final do Campeonato Paulista. Detalhe: aos 43min do segundo tempo.
"Aquilo já passou, foi por uma outra equipe e eu não levo em consideração. Com a camisa do Santos, por exemplo, eu fiz o gol mais bonito da minha carreira", conta ele, lembrando o tento marcado de cobertura, quase do meio-campo, na vitória por 2 x 1 sobre o Juventude, no Alfredo Jaconi.
Já Deivid, atacante que parece funcionar à beira da perfeição sob o comando de Wanderley Luxemburgo, voltou à Vila em 2004 para "resgatar a imagem no clube que se tornou um espelho para o Brasil".
Ele saiu justamente para o Corinthians em 2001 e, no Parque São Jorge, conquistou títulos e a fama de ser um dos melhores atacantes do Brasil. Mas onerou o seu passado junto à torcida santista. Na final do Brasileiro 2002, ainda marcou um gol sobre o Peixe com a camisa do Timão.
Em 2003, o atacante foi para o Cruzeiro no início da temporada e, na metade dela, assinou um contrato de cinco anos com o Bordeaux, da França. Neste ano, o seu clube decidiu por um empréstimo e ele resolveu escolher o Santos.
"Tive uma proposta para voltar para o Corinthians, mas eu quis vir para o Santos para conquistar um título pelo clube que em revelou. Eu saí daqui de uma maneira muito feia, manchei o meu nome e agora quis recuperar isso. Me dediquei muito pelo Santos e tive acho quer tive a recompensa", comentou.
Se não fosse os oito gols anulados ao longo do Brasileiro, Deivid teria disputado a artilharia e o recorde de gols do certame com Washington, do Atlético-PR.
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