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  19/12/2004 - 18h25
Como em 2002, Peixe agradece a terceiros

Bruno Freitas e Gabriel Fortes
Enviados especiais do UOL
Em São José do Rio Preto (SP)

A temporada 2004 não reeditou para o Santos apenas a conquista título brasileiro há dois anos, mas ainda reservou ao time da Vila Belmiro a coincidência de, como em 2002, ter sido levado ao trono pelos braços de terceiros.

No último Campeonato Brasileiro disputado nos moldes tradicionais, o Alvinegro chegou às finais beneficiado por uma vitória do Gama sobre o Coritiba na última rodada da fase de classificação.

No dia 17 de novembro, o Peixe foi derrotado pelo São Caetano por 3 x 2 e só chegou às quartas-de-final porque o time do Distrito Federal fez 4 x 0 no Coxa, que precisava dos três pontos para garantir a oitava e última vaga do mata-mata.

Depois, a equipe santista derrubou o São Paulo, o Grêmio e o Corinthians para levantar o troféu no Morumbi e coroar a "campanha da sorte". Na época, o diretor de futebol alvinegro Francisco Lopes chegou a dizer que "no Natal vamos enviar umas castanhas aos jogadores do Gama".

Dois anos depois, já no torneio por pontos corridos, o Santos conseguiu manter uma luta equilibrada com o Atlético-PR até a última rodada, mas foi salvo por terceiros novamente, que evitaram a abertura de uma vantagem por parte do rival.

Dois momentos, principalmente, destacam a situação vivida pelo time de Wanderley Luxemburgo nesta temporada. A primeira foi o empate por 1 x 1 com o Paysandu enquanto o Furacão vencia o Grêmio fora de casa por 3 x 0.

Aquela combinação de resultados faria o time paranaense chegar aos 84 pontos e deixar o Alvinegro com 80 a três rodadas do fim. Mas o Tricolor gaúcho conseguiu arrancar um empate e manter a diferença de dois pontos entre os líderes.

"Nós ficamos muito felizes com o que aconteceu naquela rodada. Não podemos negar que o Grêmio nos colocou de volta na briga pelo título e nós os agradecemos sim. Eu achei que estava tudo perdido quando saímos do Mangueirão, mas vibrei quando soube que o Grêmio empatou", lembra Luxemburgo.

"Depois daquele final de semana, reuni todo o meu elenco e coloquei na cabeça dos jogadores que estávamos vivos, que precisávamos reagir porque o título ainda era uma realidade. E nós ganhamos motivação para seguir em frente", completa.

Deivid, que perdeu dois pênaltis em seqüência no duelo com o Papão, também comemorou bastante. "Nós nos esforçamos muito durante todo este ano e não poderíamos dar adeus ao título desta maneira. O Grêmio ressuscitou a nossa equipe e devemos isso a eles", diz.

No final de semana seguinte, o Tricolor gaúcho foi vítima de uma goleada por 5 x 1 do Santos em São José do Rio Preto. No mesmo dia em que o Atlético-PR fez 5 x 2 no São Caetano, mantendo os dois pontos de vantagem.

O time do litoral paulista reassumiria a ponta de cima da tabela de classificação no dia 12 de dezembro, rodada apontada por Luxemburgo como decisiva dentro do Campeonato Brasileiro. Era a penúltima data do torneio.

O Santos foi ao ABC e fez 3 x 0 no São Caetano e o Vasco, ameaçado pelo rebaixamento, derrubou o Furacão por 1 x 0 em São Januário e inverteu a posição dos que ainda lutava pelo título.

"O Vasco fez a parte dele porque precisava, mas deu ao Santos o que ele precisava. Eles também merecem todos os nossos agradecimentos porque dependíamos desta combinação, e ela aconteceu. Não há como não dizer que estamos muito felizes com a sorte que tivemos", comenta o lateral Léo.


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