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28/12/2004 - 09h40
"Sem vontade", Romário anuncia o fim de sua carreira
Da Redação Em São Paulo
Herói da conquista da Copa do Mundo de 1994 e um dos maiores artilheiros de todos os tempos, o atacante Romário anunciou oficialmente o fim de sua carreira dentro dos campos de futebol. A informação foi divulgada nesta terça-feira pelo jornal "O Globo", em matéria assinada pelo jornalista Renato Maurício Prado, que entrevistou o jogador em Florianópolis, onde ele passa férias com sua família.
 | | | Romário admite que "não dá mais"; veja fotos marcantes da carreira do jogador | "Parei, não dá mais. Não tenho mais vontade", sentenciou o atacante, de 38 anos (completa 39 em 29 de janeiro). As poucas palavras são responsáveis pelo fim da carreira de um dos mais brilhantes e controversos jogadores do futebol brasileiro e mundial.
Em sua trajetória como profissional, ele atingiu a marca de 822 gols. A estréia oficial do atacante aconteceu no dia 18 de agosto de 1985, à época com 19 anos, na vitória por 6 a 0 do Vasco, seu time, sobre o Nova Venência, do Espírito Santo.
Dois anos depois, estreou na seleção brasileira principal, em um amistoso contra a Irlanda. Em 1988, disputou os Jogos Olímpicos de Seul e foi o artilheiro do torneio masculino, mas não foi campeão: ficou com a medalha de prata, perdendo a final contra a então União Soviética por 2 a 1.
Do Vasco foi ao PSV Eindhoven, onde fez sucesso estrondoso entre 1988 e 1993. Mesmo machucado, foi à Copa do Mundo de 1990, mas praticamente não foi utilizado pelo técnico Sebastião Lazzaroni.
A redenção veio quatro anos depois, quando Romário se tornou o principal símbolo da conquista do tetracampeonato mundial. Ele não vinha sendo chamado para a seleção brasileira pelo técnico Carlos Alberto Parreira, graças a um problema extracampo com o coordenador Mário Jorge Lobo Zagallo, mas foi lembrado em 1993, para a última partida das eliminatórias, contra o Uruguai, no Maracanã.
| PRINCIPAIS TÍTULOS | | Ano | Campeonato | Equipe | | 1987 | Estadual do Rio | Vasco | | 1988 | Estadual do Rio | Vasco | | 1988 | Copa da Holanda | PSV | | 1989 | Copa América | Seleção | | 1989 | Holandês | PSV | | 1989 | Copa da Holanda | PSV | | 1990 | Holandês | PSV | | 1990 | Copa da Holanda | PSV | | 1991 | Holandês | PSV | | 1994 | Copa do Mundo | Seleção | | 1994 | Espanhol | Barcelona | | 1996 | Estadual do Rio | Flamengo | | 1997 | Copa América | Seleção | | 1997 | Copa das Confederações | Seleção | | 1999 | Estadual do Rio | Vasco | | 2000 | Mercosul | Vasco | | 2000 | Brasileiro | Vasco | Ele marcou dois gols (um de cabeça, e outro em um drible desconcertante no goleiro), que garantiram a vitória por 2 a 0 e a vaga para o Mundial. A partir daí, seu nome passou a ser inquestionável na seleção.
Na Copa do Mundo, não decepcionou. Foi vice-artilheiro, marcando cinco gols, um a menos que o russo Salenko e o búlgaro Stoitchkov. Mesmo sem treinar, pediu para Parreira e bateu, com sucesso, um dos pênaltis que deu o quarto título mundial ao Brasil na decisão contra a Itália.
Uma das cenas mais marcantes da final aconteceu ainda nos túneis do estádio Rose Bowl, e foi flagrada pelas câmeras do filme "Todos os Corações do Mundo". Romário, totalmente relaxado, foi literalmente encarado dos pés à cabeça por Roberto Baggio, principal estrela do time italiano, e que viria a desperdiçar o pênalti que daria o título ao Brasil.
Outra façanha de Romário foi transformar a até então relegada a segundo plano camisa 11 em um símbolo tão importante quanto a 10, pelo menos nos clubes que defendeu.
O indício pela aposentadoria de Romário aconteceu no dia 11 de novembro, quando ele, ao lado de seus companheiros do tetra, realizou um amistoso no México, no qual se despediu da seleção brasileira. Existia a expectativa de que ele acertasse com o Vasco para 2005, mas o anúncio de sua saída do futebol frustram os planos do presidente do clube de São Januário, Eurico Miranda.
Metade Flamengo, metade Vasco A intenção do craque é fazer um grande jogo de despedida, no segundo semestre de 2005. Nesta partida, ele vai usar num tempo a camisa do Flamengo e em outro a do Vasco. Curiosamente, o jogador teme ser vaiado por uma facção da torcida cruzmaltina. "Não vou fazer jogo de despedida para ser vaiado", advertiu.
Outro fato interessante diz respeito ao Fluminense. Embora tenha defendido as cores da equipe tricolor entre 2002 e 2004, o atacante não tem intenção de homenagear seu último clube.
"Vou jogar com a camisa dos dois times que mais marcaram a minha carreira", revelou Romário, deixando no ar mais uma polêmica, mesmo no momento em que vai se despedir.
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