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  20/03/2005 - 17h54
Corinthians vence clássico e consegue redenção

MBPress
Em São Paulo

Fernando Donasci/Folha Imagem 
Corintianos comemoram o gol de Roger; veja fotos do clássico no Morumbi
Com remotas chances de chegar ao título do Campeonato Paulista, o Corinthians ganhou um motivo para comemorar neste domingo. No Morumbi, diante do Palmeiras, o time dirigido por Daniel Passarella venceu por 2 a 0 o tradicional clássico.

Com esta vitória, o Corinthians alcançou 25 pontos e assumiu a terceira posição do Campeonato Paulista. Além disso, o time do Parque São Jorge manteve a desvantagem de dez pontos em relação ao líder São Paulo.

O Palmeiras, em contrapartida, fica na zona intermediária da tabela. O time do Parque Antártica estaciona nos 17 pontos e aparece atualmente na décima colocação do Estadual.

Esta foi a segunda derrota do técnico Candinho em três clássicos disputados no Palmeiras. A primeira aconteceu no dia seguinte ao início do trabalho do comandante, 3 a 0 para o São Paulo.

DESTAQUES DA VITÓRIA
Roger

Cobrando falta com perfeição, meia abriu o placar logo no início do primeiro tempo, dando tranqüilidade ao time do Corinthians
Carlitos Tevez

Se não decidiu a partida nem fez nenhuma jogada "de Pelé", o argentino mostrou raça e deu dor de cabeça à zaga rival
Fábio Costa

O polêmico goleiro corintiano desta vez não falhou e, com defesas difíceis, esfriou o Palmeiras w garantiu a vitória corintiana
Gil

Após uma semana conturbada, o atacante entrou no segundo tempo e sofreu o pênalti que originou o segundo gol do time.
A única vitória de Candinho em um clássico aconteceu no dia 6 de março, no Parque Antártica. Pedrinho marcou duas vezes e o Palmeiras venceu o Santos por 3 a 1.

Ao contrário do que aconteceu contra o Santos, porém, o Palmeiras não esteve tecnicamente bem neste domingo. Nen, que foi praticamente perfeito na marcação sobre Robinho, limitou-se às faltas para tentar conter Tevez.

Aliás, desde o confronto com o Santos, o Palmeiras entrou em reta decadente no campeonato. Afinal, disputou três partidas e conseguiu apenas um ponto (um empate e duas derrotas). Depois do sucesso no clássico, o time de Candinho só conseguiu uma igualdade com o Santo André, pela Copa Libertadores. Além disso, perdeu para Portuguesa (2 a 1) e Corinthians (2 a 0).

Até o volante Magrão, principal termômetro do Palmeiras, esteve apagado em campo. Muito nervoso, o camisa 8 se preocupou mais com as marcações do árbitro e as provocações dos corintianos do que com a partida.

Na próxima rodada do Campeonato Paulista, Corinthians e Palmeiras entrarão em campo na quarta-feira. O time do Parque São Jorge encara o São Caetano, às 20h30, no Pacaembu. No mesmo horário, a equipe do Parque Antártica viaja até Rio Preto para enfrentar o América.

O jogo
Mesmo com apenas um atacante nato entre os 11 titulares (Osmar), o técnico Candinho não apostou em uma formação defensiva para o Palmeiras. Para isso, adiantou o meia Pedrinho e deixou Diego Souza como único responsável pela organização das jogadas.

No entanto, Diego Souza foi marcado de forma eficiente desde o início do clássico. Isso criou uma superioridade do Corinthians no meio-campo.

TUMULTO NO FIM DO JOGO

A poucos minutos do fim da partida, quando o Corinthians já tinha a vantagem de 2 a 0 no placar, o zagueiro palmeirense Gláuber perdeu a cabeça e deu uma entrada desleal no lateral Gustavo Nery, do Corinthians. O lance deu origem a um empurra-empurra que não ganhou maiores proporções principalmente pela ação dos goleiros Marcos e Fábio Costa, que seguraram seus companheiros de equipe. Gláuber e Gustavo foram expulsos.
Além disso, a equipe dirigida pelo argentino Daniel Passarella ainda apostou em uma marcação agressiva sobre a saída de bola do rival. Assim, pressionou completamente nos minutos iniciais.

Logo a 1min, por exemplo, Tevez fez grande jogada pela direita, passou por Fabiano e cruzou rasteiro. De carrinho, o camisa 11 Bobô ainda conseguiu tocar de pé direito, mas mandou a bola muito perto da trave direita do goleiro Marcos.

As investidas de Tevez eram a principal arma do Corinthians. Principalmente porque os defensores do Palmeiras se limitaram às faltas como forma de conter o argentino. Foi assim aos 8min, quando ele arrancou com a bola dominada pelo meio.

Na cobrança da falta, Roger desferiu um forte chute de pé esquerdo e acertou o canto direito baixo do goleiro Marcos, que nada pôde fazer.

Em vantagem, o Corinthians desistiu da pressão inicial e preferiu recuar. Assim, ofereceu espaço para o Palmeiras e apostou nos contra-ataques puxados pelo camisa 10 Carlitos Tevez.

Com espaço para criar, o Palmeiras começou a crescer em campo. Prova disso é que o time de Candinho criou uma excelente oportunidade aos 18min. Correa cobrou escanteio da direita, a defesa do Corinthians não afastou e a sobra ficou com o zagueiro Nen dentro da pequena área. Fábio Costa saiu do gol e interceptou.

Depois disso, com muita chuva, o nível técnico do clássico caiu assustadoramente. Com um número muito alto de passes errados, as duas equipes concentraram o confronto no meio-campo e não ofereceram perigo ao rival.

A situação só mudou quando Tevez teve liberdade para jogar. Aos 42min, ele recebeu de frente para o zagueiro Nen e carregou a bola até a entrada da área. Com muita categoria, chutou colocado e acertou o ângulo esquerdo de Marcos, que desviou para a linha de fundo.

Mas a melhor oportunidade da etapa inicial aconteceu aos 45min. E para o Palmeiras. Correa cobrou escanteio da esquerda e mandou a bola no segundo pau. Gláuber tocou de cabeça, Fábio Costa espalmou e o rebote ficou com Nen. Completamente livre, o camisa 2 chutou forte e carimbou o travessão.

Animado pela chance criada no primeiro tempo, o Palmeiras voltou muito melhor depois do intervalo. Com mais participação dos meio-campistas, a equipe do Parque Antártica cresceu em campo e passou a pressionar o Corinthians.

E logo aos 2min, o lateral-esquerdo Fabiano levou muito perigo a Fábio Costa. Ele aproveitou um cruzamento de Correa da esquerda e chutou de primeira. A bola passou muito perto da trave direita.

Melhor em campo, o Palmeiras voltou a preocupar aos 4min. Correa levantou para a área da esquerda, a defesa não cortou e Magrão tocou de cabeça. A bola passou perto da trave esquerda de Fábio Costa.

O Corinthians, fechado na defesa, só encaixou um contra-ataque aos 7min. Tevez roubou a bola no meio, carregou e lançou na direita para Roger. O camisa 7 ajeitou para o pé esquerdo e chutou colocado, no ângulo direito de Marcos. O pentacampeão espalmou para a linha de fundo.

O técnico Candinho resolveu alterar o Palmeiras e recuou Pedrinho para o meio. Com isso, colocou o centroavante Adriano Chuva no lugar de Diego Souza.

A modificação deu mais mobilidade ao Palmeiras. E foi assim que o time do Parque Antártica quase marcou aos 29min. Fabiano levou para o fundo na esquerda e cruzou. Osmar completou de bicicleta e Fábio Costa praticou linda defesa no canto esquerdo baixo.

No contra-ataque, Carlos Alberto fez linda jogada individual e lançou na direita para Roger. O camisa 7 dominou e devolveu para Carlos Alberto, que chutou de primeira e mandou por cima do travessão.

Percebendo que tinha espaço para puxar o contra-ataque, o técnico Daniel Passarella colocou o atacante Gil em campo. E foi exatamente ele o responsável pela ascensão do Corinthians.

Aberto pela esquerda, Gil ocupou o espaço deixado pelas descidas de Correa e começou a levar perigo constante ao Palmeiras. Até que, aos 42min, ele invadiu a área com a bola dominada e foi derrubado por Daniel.

A cobrança da penalidade coube ao meia Carlos Alberto, que colocou no canto direito de Marcos e marcou o segundo do Corinthians. A vitória estava definida e restava apenas administrar o resultado.

Antes do apito do árbitro Luiz Flávio de Oliveira, porém, os jogadores se envolveram em uma lamentável confusão no meio-de-campo. Gustavo Nery e Gláuber discutiram e muitos atletas se envolveram no tumulto.

CORINTHIANS
Fábio Costa; Coelho, Ânderson, Sebá e Gustavo Nery; Marcelo Mattos, Fabrício (Wendel), Carlos Alberto e Roger (Gil); Tevez e Bobô
Técnico: Daniel Passarella

PALMEIRAS
Marcos; Glauber, Daniel e Nen; Corrêa, Marcinho, Magrão, Diego Souza (Adriano Chuva) e Fabiano; Pedrinho e Osmar (Ricardinho)
Técnico: Candinho

Local: estádio do Morumbi, em São Paulo (SP)
Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira (SP)
Auxiliares: Nilson de Souza Monção e Aline Lambert (ambos de SP)
Cartões amarelos: Correa (P), Magrão (P), Gustavo Nery (C) , Pedrinho (P), Bobô (C), Daniel (P), Gláuber (P)
Cartões vermelhos: Gláuber (P), Gustavo Nery (C)
Gols: Roger, aos 8min do primeiro tempo; Carlos Alberto, aos 42min do segundo tempo

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