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  23/03/2005 - 22h46
Defesa falha e Corinthians só empata

MBPress
Em São Paulo

Nem a melhor defesa do Campeonato Paulista (apenas 13 gols sofridos) é perfeita. Nesta quarta-feira, o Corinthians falhou demais na marcação e empatou com o São Caetano por 2 a 2 no Pacaembu.

Ayrton Vignola/Folha Imagem 
Tevez foi bem marcado pela defesa do São Caetano em empate do Corinthians
Este resultado interrompe uma série de três vitórias consecutivas do Corinthians no Campeonato Paulista. Antes disso, a equipe dirigida por Daniel Passarella havia passado por União São João (6 a 1), Santo André (3 a 2) e Palmeiras (2 a 0).

De quebra, o Corinthians ainda fracassa no primeiro teste para o confronto com o Cianorte, válido pela segunda fase da Copa do Brasil. Depois de perder por 3 a 0 fora de casa, a equipe do Parque São Jorge precisa golear no Pacaembu.

No entanto, a defesa do Corinthians fez com que as esperanças da torcida ficassem bastante reduzidas. Afinal, mesmo com um bom aproveitamento no setor ofensivo, o Corinthians não conseguiu segurar o São Caetano.

Os dois gols do São Caetano foram marcados em faltas batidas pelo meia Marcinho da esquerda. No primeiro, Neto cabeceou na trave e Márcio Mixirica aproveitou o rebote. No segundo, Anderson disputou com Márcio e Zé Luís aproveitou a sobra.

PASSARELLA x ROGER

Roger chegou ao Corinthians já como ídolo da torcida, mas não do técnico Daniel Passarella. Contra o São Caetano, o meia foi substituído ainda no intervalo.

O jogador, que não completou nenhuma partida sob o comando do argentino, minimizou sua saída. "Não tem no contrato de ninguém uma cláusula que nos obriga a jogar o jogo inteiro. Cabe a nós respeitar o comandante e acima disso, respeitar o companheiro que entra na equipe."

A substituição fez com que Passarella fosse vaiado pela torcida presente ao Pacaembu. Mas o técnico também evitou polêmica. "A torcida do Corinthians é imensa e está ansiosa para ganhar algo muito grande. O meu objetivo no clube também é alcançar conquistas importantes e é para isso que estou trabalhando."
Nesta quarta-feira, o técnico argentino Daniel Passarella ainda conheceu o lado ruim da torcida do Corinthians. Incentivado desde que chegou ao clube, no início deste mês, ele foi vaiado e chamado de burro no intervalo.

Quando o coro da torcida começou, Passarella virou para o banco de reservas e questionou o auxiliar Alejandro Sabella: "O que eles estão dizendo?", perguntou. Quando ouviu que o estavam insultando, o argentino apenas sorriu.

O inusitado é que os torcedores corintianos elogiaram Passarella quando viram que Gil iria entrar em campo. Só começaram a protestar quando perceberam que o escolhido para sair foi o camisa 7 Roger, autor do primeiro gol da equipe do Parque São Jorge no domingo passado, no clássico contra o Palmeiras.

Roger estreou no Corinthians na derrota para o São Paulo, no dia 27 de fevereiro, quando entrou no segundo tempo. Desde então, só não foi substituído na goleada por 6 a 1 sobre o União São João (curiosamente, além do clássico contra o time do Morumbi, a única partida que o camisa 7 fez sem ser comandado por Passarella).

E Gil, que entrou no lugar de Roger, mudou a história do confronto. O atacante deu mais movimentação ao Corinthians e marcou o segundo gol do Corinthians.

Com este empate, o Corinthians chega a 26 pontos e mantém a terceira posição do Campeonato Paulista. Entretanto, perde a chance de seguir encostado nos líderes do torneio estadual.

E o São Caetano, com um ponto a mais, permanece na quinta colocação do Paulistão. O time do Anacleto Campanella soma agora 23 pontos e se aproxima do quarto colocado Mogi Mirim, que tem 25.

As duas equipes voltam a campo no próximo sábado, ambas às 18h, quando jogam pela 15ª rodada do Campeonato Paulista. O São Caetano receberá o Atlético Sorocaba no estádio Anacleto Campanella e o Corinthians viaja até Santa Bárbara D'Oeste para encarar o União Barbarense.

O jogo
O técnico Estevam Soares apostou em um meio-campo formado por três volantes e dois meias nesta quarta-feira. Com isso, deixou o centroavante Márcio Mixirica isolado no ataque do São Caetano.

Disposto a segurar o Corinthians, o clube do ABC paulista veio ao Pacaembu com postura visivelmente defensiva. Assim, a principal aposta do São Caetano era o contra-golpe puxado pelos habilidosos Marcinho e Canindé.

Com isso, o confronto começou com o Corinthians tocando bola no campo de ataque. O São Caetano, compacto, esperou o adversário e apostou em erros na armação dos donos da casa.

No entanto, os armadores Carlos Alberto e Roger mostraram muita desenvoltura no início do confronto e passaram a dar superioridade ao Corinthians no meio-campo. Assim, aos poucos, o time da casa assumiu o controle do jogo.

Antes de criar qualquer oportunidade, porém, o Corinthians foi obrigado a parar. Isso porque lâmpadas de uma das torres de iluminação apagaram e o árbitro Anselmo da Costa interrompeu o confronto.

Dois minutos depois, com a autorização dos dois times, Anselmo da Costa reiniciou o confronto. E as duas equipes voltaram a apresentar um ritmo de início de jogo: lento e paciente.

Com isso, o primeiro lance de perigo aconteceu aos 14min. Paulo Miranda invadiu a área com a bola dominada pela esquerda e chutou forte, de pé direito. Fábio Costa defendeu com os pés.

Neste lance, a torre de iluminação voltou a falhar. Desta vez, todas as lâmpadas se apagaram e o confronto ficou paralisado por 23 minutos.

Quando o árbitro Anselmo da Costa retomou o jogo, contudo, as duas equipes mostraram mais disposição do que no restante do primeiro tempo. Aos 45min, Wendel aproveitou um escanteio cobrado por Roger da esquerda e tocou de cabeça. Sílvio Luiz espalmou no meio do gol e impediu que o Corinthians inaugurasse o marcador.

Sem conseguir encontrar espaços na defesa do Corinthians, o São Caetano apostou em chutes de longa distância. Foi assim aos 47min, quando Canindé conduziu pela lateral direita e chutou no meio do gol. Fábio Costa defendeu.

Aos 52min, o São Caetano inaugurou o marcador em uma cobrança de falta de Marcinho. O camisa 10 levantou da esquerda e a bola encontrou o zagueiro Neto dentro da área. Ele desviou na trave esquerda de Fábio Costa e o rebote ficou com Márcio Mixirica, que só empurrou para as redes.

Atordoado pelo gol, o Corinthians demorou para se encontrar em campo. Com isso, permitiu que o São Caetano dominasse o confronto. Foi assim até os 60min, quando Coelho fez grande jogada individual e foi derrubado por Zé Luís dentro da área.

Na cobrança da penalidade, Carlos Alberto tocou no canto esquerdo de Sílvio Luiz e marcou seu segundo gol com a camisa do Corinthians.

Depois disso, o Corinthians se lançou ao ataque. E assim, deu espaços para o contra-ataque do São Caetano. No primeiro, aos 63min, Marcinho foi derrubado de frente para o gol. Na cobrança, o próprio camisa 10 mandou no meio do gol e obrigou Fábio Costa a intervir.

Mas a melhor oportunidade dos visitantes aconteceu aos 67min. Novamente com Marcinho, novamente pela esquerda. O camisa 10 lançou na frente para Márcio Mixirica. Dentro da área, o centroavante carregou e chutou em cima de Fábio Costa.

No intervalo, o técnico Daniel Passarella resolveu alterar o Corinthians. Para acabar com a sobra da defesa do São Caetano, que atuava com dois zagueiros (Neto e Thiago) e um volante plantado (Zé Luís), o argentino colocou o atacante Gil no lugar do armador Roger.

Assim, o Corinthians ganhou mais movimentação. E poderia ter passado à frente aos 2min. Carlos Alberto aproveitou uma sobra da defesa e chutou de pé direito, de fora da área. Sílvio Luiz caiu para o canto esquerdo e defendeu.

Com mais movimentação, a entrada de Gil começou a confundir a marcação do São Caetano. E assim, Tevez conseguiu se livrar da marcação individual do volante Raulen.

Na primeira oportunidade em que se livrou de Raulen, Tevez criou o segundo gol do Corinthians. O camisa 10 lançou na esquerda para Gil. Completamente livre, o atacante dominou com o pé esquerdo e encobriu o goleiro Sílvio Luiz.

O gol neste momento era tudo que o Corinthians precisava. A equipe do Parque São Jorge recuou e passou a trocar passes no meio-campo. Assim, o São Caetano começou a crescer no jogo.

E aos 32min, o time do Anacleto Campanella chegou ao empate em um lance muito similar ao primeiro gol. Marcinho cobrou falta da esquerda, Anderson disputou com Márcio no primeiro pau e a bola sobrou dentro da pequena área para o volante Zé Luís, que bateu forte para marcar.

Depois disso, o São Caetano ainda teve outra excelente oportunidade. Marcinho recebeu bom passe de Triguinho aos 40min, dentro da área, e chutou colocado. A bola passou muito perto do travessão de Fábio Costa.

Assustado, o técnico Daniel Passarella colocou o volante Bruno Octávio em campo. Tudo para segurar o empate, que neste momento era motivo suficiente para comemoração.

CORINTHIANS
Fábio Costa; Coelho, Anderson, Sebá e Edson; Marcelo Mattos, Wendel (Bruno Octávio), Carlos Alberto e Roger (Gil); Bobô (Jô) e Tevez
Técnico: Daniel Passarella

SÃO CAETANO
Silvio Luiz; Alessandro, Neto, Thiago e Triguinho; Zé Luis, Paulo Miranda (Edu Salles), Raulen e Canindé (Anaílson); Marcinho (Pingo) e Márcio Mixirica
Técnico: Estevam Soares

Local: estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)
Árbitro: Anselmo da Costa (SP)
Auxiliares: Evandro Luiz Silveira e Osny Antonio Silveira (SP)
Público: 9630 pagantes
Renda: R$ 141165,00
Cartões amarelos: Paulo Miranda (S), Roger (C), Tevez (C), Neto (S)
Gols: Márcio Mixirica, aos 52min, e Carlos Alberto, aos 60min do primeiro tempo; Gil, aos 10min, e Zé Luís, aos 32min do segundo tempo

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