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  14/04/2005 - 19h39
Advogados não pagam fiança, e Desábato permanece detido

Bruno Freitas e Marcius Azevedo
Em São Paulo

Os advogados do zagueiro argentino Leandro Desábato, jogador do Quilmes, não conseguiram pagar a fiança estipulada pela Justiça para obter o alvará de soltura ainda nesta quinta-feira.

QUEM É O ARGENTINO

Nascimento: 24/01/1979
Local: Cafferatta (ARG)
Altura: 1,86 m
Peso: 82 kg
Posição: Zagueiro
Clubes: Quilmes, Estudiantes de La Plata e Olimpo
Segundo informações da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça, os advogados do atleta argentino tinham R$ 6,7 mil e aguardavam o restante do valor, que seria entregue por um motoqueiro. No entanto, a quantia não pôde ser entregue antes do encerramento do expediente bancário.

Os representantes do atleta tinham até às 19h para depositar no banco do Fórum da Barra Funda a quantia de R$ 10 mil. No entanto, não conseguiram efetivar o pagamento até o horário limite.

Desta forma, Desábato terá que passar mais uma noite detido. O jogador permanece no 13º Distrito Policial, no bairro da Casa Verde, zona norte de São Paulo. A expectativa é que o jogador seja liberado nesta sexta-feira.

O precedente para a libertação do atleta foi concedido pelo juiz Marcos Alexandre Zili, do Departamento de Inquéritos Policiais do Fórum. O valor estipulado para a fiança do argentino é o máximo previsto em lei.

SEGUNDA NOITE DETIDO
Depois de receber a visita de quatro advogados e do cônsul-geral da Argentina, Norberto Vidal, por volta das 21h, Leandro Desábato passará a segunda noite na cadeia. O jogador do Quilmes ficará numa cela individual, com banheiro, e dormirá num colchão.

De acordo com o delegado Ítalo Miranda Júnior, Desábato está tranqüilo e teria admitido arrependimento no incidente com Grafite na quarta-feira
Mesmo assim, Desábato não está autorizado momentaneamente a voltar para casa. O argentino deve esperar o desenrolar do inquérito em território brasileiro. De acordo com o parecer oficial, o fato de ser estrangeiro não deve ser levado em conta neste tipo de inquérito.

Neste momento, o zagueiro do Quilmes se encontra no 13º DP de São Paulo. De acordo com o delegado titular, Ítalo Miranda Júnior, a liberação será consumada quando um oficial de justiça apresentar o alvará de soltura. Em seguida, Desábato será encaminhado a uma unidade do IML (Instituto Médico Legal) para a realização de exames, para só depois ser liberado.

Caso Desábato-Grafite
O argentino Leandro Desábato foi detido no estádio do Morumbi pouco depois do final da partida entre São Paulo e Quilmes pela Copa Libertadores da América. Acusado pelo atacante são-paulino Grafite de ato de racismo, o jogador estrangeiro foi encaminhado ao 34º DP, onde passou a noite.

Reuters 
Grafite e Desábato, personagens do caso de racismo no jogo do Morumbi
Durante a noite, Desábato permaneceu em uma sala da delegacia e, segundo as autoridades policiais, não dormiu, mas se alimentou normalmente.

À tarde, a transferência para o 13º Distrito Policial foi pedida para preservar a segurança do jogador, que fez o percurso entre as delegacias algemado na viatura policial.

Desábato foi indiciado pelo crime de injúria, com agravante em discriminação racial, após ter xingado Grafite durante a partida de quarta no Morumbi.

Nesta quinta, Grafite afirmou que aceita o pedido de desculpas de Desábato. No entanto, o atacante brasileiro assegura que não irá retirar a queixa que deu início ao imbróglio nesta quinta.

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