! Conmebol lava as mãos no caso Desábato e "condena" Grafite - 28/04/2005 - UOL Esporte - Futebol

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  28/04/2005 - 23h39
Conmebol lava as mãos no caso Desábato e "condena" Grafite

Da Redação*
Em São Paulo

A reação enérgica do presidente da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), Nicolas Leoz, ao condenar e suspender da Copa Libertadores o zagueiro argentino acusado de racismo Leandro Desábato, do Quilmes, não ficou só na retórica, apesar do atleta ter atuado pelo torneio continental nesta quinta-feira. Houve críticas. Mas contra a vítima.

Arquivo 
Conmebol quer que casos de racismo em campo sejam julgados na esfera esportiva
As reservas oficiais se restringiram à ação do atacante Grafite, do São Paulo, que denunciou o adversário à polícia brasileira por uma suposta discriminação racial da qual teria sido vítima no duelo entre as duas equipes no último dia 13, em São Paulo.

Nesta quinta, quando se pronunciou oficialmente sobre a questão, o Comitê Executivo da Conmebol sequer mencionou o nome do zagueiro no comunicado, "frisando apenas que rejeitava o racismo" e que os casos como o Grafite-Desábato devem ser resolvidos pelos órgãos esportivos - o brasileiro denunciou o rival à polícia de São Paulo, que foi enquadrado pela justiça brasileira no crime de injúria qualificada e passou 36 horas preso. Foi solto apenas após pagar R$ 10 mil de fiança.

"Os órgãos disciplinares do esporte são os encarregados de julgar os atos que violam as regras de jogo da moral em campo, dentro das quais encontra-se o racismo", destacou o comunicado, assinado pelos presidentes das dez associações nacionais, entre eles Ricardo Teixeira, presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

"Estamos preocupados com o assunto. Divulgamos um comunicado que não falou sobre nenhum jogador, mas sobre o tema em geral", justificou em entrevista coletiva o secretário-geral da Conmebol, Eduardo Deluca.

DESÁBATO FAZ GOL CONTRA
Desábato não deu sorte em sua primeira partida depois da confusão com o atacante Grafite do São Paulo. Ele marcou um gol contra e viu sua equipe, o Quilmes, ser eliminada da Copa Libertadores da América na derrota por 2 a 1 para o The Strongest, da Bolívia. Leia mais
"A discriminação é uma situação na qual uma pessoa ou um grupo é tratada de forma desfavorável por causa de preconceitos, geralmente por pertencer a uma categoria social distinta. Hoje, mais que nunca, a Conmebol reafirma sua vocação humanista e sua luta contra a discriminação racial", declarou a cúpula da entidade por meio do comunicado.

A "absolvição" de Desábato veio um dia após Grafite ser novamente vítima de racismo e, desta vez, numa obra exclusiva dos brasileiros. Quando Grafite fez o terceiro gol do Brasil no amistoso contra a Guatemala, um torcedor arremessou uma banana no gramado com a seguinte inscrição: "Grafite macaco". A fruta foi descoberta por fotógrafos que cobriam o jogo.

"Isso mostra que o racismo existe em todos os países, está presente no ser humano", disse nesta quinta-feira, no CCT da Barra Funda. "Adoro minha pele, tenho orgulho de ser negro", emendou o atleta, que soube da agressão através das fotos publicadas nos jornais. "Sinto apenas pena de pessoas assim (racistas)", sentenciou.

Grafite também lembrou que alguns torcedores em Mogi Mirim, na última rodada do Paulistão, o provocaram. "Contra o Mogi Mirim, alguns torcedores ficaram me cutucando o tempo todo, me chamando de alemão, australiano", recordou.

"Já contra o Fluminense, no último domingo, os torcedores rivais me apoiaram e levaram uma faixa com a inscrição 'alma não tem cor'", disse, citando frase de autoria de Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul.

*com reportagem de Marcius Azevedo

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