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23/06/2005 - 09h29
São Paulo deu "golpe baixo" no River, dizem jornais argentinos
Da Redação Em São Paulo
| REVANCHE | | A coluna assinada por Leo Farinella no "Olé" é contundente. "Alguém pensou que seria fácil? Alguém acreditou que os brasileiros não iam transformar essa partida em uma guerra? Alguém segue acreditando que essa fama de boa gente que eles têm no mundo se mantém na hora do futebol? Prendem um jogador por chamar um rival de negro e permitem atropelos. Pobres. Merecem ser educados como todos os seres humanos", disse. "Creio que o River ganha por 3 a 0." | "Um golpe muito baixo", estampou em sua manchete nesta quinta-feira o diário argentino "Página 12", sobre a derrota do River Plate por 2 a 0 para o São Paulo, na noite de quarta, no Morumbi, pelo jogo de ida das semifinais da Copa Libertadores da América. Para o "Olé", famoso por encarar os brasileiros como "inimigo número 1", "podia ser pior".
"River nunca pode ser o River. No começo, quando o plano estava dando certo e o time parecia controlar o São Paulo, não conseguiu criar nenhuma chance clara de gol. Depois, quando o rival encontrou o caminho com um tal Souza, ficou sem reação", criticou o "Olé".
| PLANO NÃO DEU CERTO | | A imprensa argentina alertava sobre o perigo das cobranças de falta de Rogério Ceni, classificado como "temido" pelo jornal "Olé". "É o Chilavert brasileiro", destacava o "La Nación" sobre o goleiro, autor do segundo gol. Já o técnico Astrada comentou antes do jogo que a marcação sobre alguns jogadores, entre eles Danilo, era a "chave" para um bom resultado. O meia ficou longe de seu melhor futebol, mas anotou o primeiro gol da vitória. | A publicação elogia a formação do River no primeiro tempo, mas criticou a falta de ofensividade do time. "Faltava presença no ataque, que foi horrível", disse o "Olé", sobre o desempenho da equipe no primeiro tempo. "No segundo tempo, os únicos que mantiveram o nível foram Ameli e Tuzzio. O resto sentiu o desgaste, (...) que foi outra equipe com a entrada do 'morenito' Souza."
Para o jornal, "à medida que os brasileiros ganhavam confiança, os jogadores do River a perderam", seguiu a análise do diário. "Uma mostra disso foi o pênalti involuntário quando estava 1 a 0, o que não seria um mal resultado."
O "La Nación" acha que o final do jogo foi o principal problema do time argentino. "O River se desconcentrou nos 15 minutos finais. Não teve a mesma entrega, a mesma generosidade, o mesmo ímpeto de quase toda a partida. E pagou caro, com uma queda, até exagerada, por 2 a 0."
| INCIDENTES | | Todas as publicações foram unânimes em lamentar as cenas de violência antes do jogo. "A noite em São Paulo começou com um clima hostil. Primeiro, o ônibus que levou o elenco do River recebeu várias pedradas perto do estádio. Mas o pior aconteceu lá dentro. Antes do apito inicial, os torcedores do River travaram uma batalha com policiais brasileiros", resumiu o "Página 12". | A opinião é a mesma do técnico Leonardo Astrada. "O São Paulo veio para cima nos 20 minutos finais, e agora temos 90 minutos para reverter. É difícil, mas não impossível. Estamos confiantes."
Independente das críticas, o "Olé" encerra a análise do duelo com um moderado e irônico otimismo. "É certo que poderia ser pior. Mas, mesmo com a derrota, não está nada definido. O São Paulo não parece imbatível. Mas, como sempre, depende do River."
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