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  23/06/2005 - 10h01
Retrospecto favorece o São Paulo no jogo de volta na Argentina

Marcius Azevedo
Do Pelé.Net
Em São Paulo

O retrospecto histórico da Copa Libertadores da América favorece o São Paulo depois da vitória de 2 a 0 sobre o River Plate na quarta-feira, no Morumbi, no jogo de ida da semifinal da principal competição de clubes do torneio sul-americano.

Desde 1988, quando o atual modelo com oitavas-de-final, quartas, semi e final foi implantando pela Conmebol no torneio, uma equipe abriu vantagem de dois gols de diferença em 42 oportunidades e só não seguiu à frente em oito delas, sendo quatro apenas na disputa de pênaltis. Ou seja, um índice de 19%.

Vale lembrar que, antes de 88, o mata-mata só acontecia na decisão e nas fases iniciais da Libertadores. No entanto, não se levava em consideração a diferença de gols entre os times.

A primeira reversão de vantagem aconteceu na final da edição de 1989, quando o Olímpia (Paraguai) foi derrotado pelo Atlético Nacional (Colômbia). Os paraguaios fizeram 2 a 0 no jogo de ida, mas levaram o troca na volta e foram batidos nos pênaltis por 5 a 4.

O próprio São Paulo faz parte da lista das equipes que conseguiram reverter tal situação. Pelas oitavas-de-final de 1993, o Tricolor, então comandado pelo técnico Telê Santana, perdeu por 2 a 0 para o Newell's Old Boys na Argentina, mas venceu no Morumbi por 4 a 0 e seguiu na competição até conquistar o bicampeonato.

Outros dois brasileiros também tiveram força para virar no mata-mata e sair classificado. Em 2000, pelas oitavas-de-final, o Palmeiras foi derrotado pelo Peñarol por 2 a 0 no Uruguai, mas venceu no Parque Antarctica por 3 a 1. Nos pênaltis, triunfo por 3 a 2.

Já o Santos foi o último clube que atingiu esse feito. Nas oitavas-de-final de 2004, o Peixe perdeu para a Liga Deportiva Universitária por 4 a 2, em Quito, mas reverteu o placar jogando na Vila Belmiro, quando fez 2 a 0 e se classificou com uma vitória por 5 a 3 na disputa de penalidades.

Antes da edição de 2004, o próprio River Plate obteve uma virada. Pelas oitavas-de-final em 2001, os argentinos foram derrotados pelo Emelec por 2 a 0, no primeiro jogo no Equador, mas venceram por 5 a 0 no Monumental de Nuñez e avançaram no torneio.

Olímpia (1992), Peñarol (1997) e Cerro Porteño (1998) foram os outros clubes que reverteram após sair em desvantagem de dois gols no primeiro jogo.

O técnico do River Plate, Leonardo Astrada, ainda acredita no potencial da equipe, apesar do retrospecto desfavorável. "Temos que ter tranqüilidade para reverter o resultado em Buenos Aires. A solução é pressionar o São Paulo desde o início. Não temos outra possibilidade. Mas ter cuidado com a defesa será essencial, pois não podemos nem pensar em tomar gol", afirmou o argentino, referindo-se ao atual regulamento da Libertadores.

Neste ano, assim como é feito na Copa do Brasil, o gol anotado como visitante tem valor dobrado em caso de desempate. Ou seja, se o São Paulo fizer um gol obriga o River Plate a fazer quatro para ficar com a vaga.

"Temos uma vantagem, mas não é uma vantagem folgada. Temos que jogar com o mesmo desempenho na Argentina para classificar", afirmou o atacante Amoroso. "Temos que buscar o gol fora de casa que é importante na competição", acrescentou.

O técnico Paulo Autuori é outro que adota um discurso humilde. "Tivemos uma vitória clara. Fizemos dois gols, não sofremos nenhum e não tivemos sustos. Saímos felizes, mas temos que saber usar essa vantagem", disse.

"Não podemos acomodar. Não é uma vantagem confortável como conseguimos contra o Tigres. As dificuldades serão ainda maiores na Argentina e temos que estar preparados para fazer um bom jogo e buscar nossa vaga na final", finalizou o técnico.

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