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  24/09/2005 - 12h47
Por escândalo, Figueirense admite virar a mesa

Vitor Sergio Rodrigues
Especial para o UOL Esporte
No Rio de Janeiro

O presidente do Figueirense, Nortom Flores Doppre, admitiu neste sábado que existe a possibilidade de o clube catarinense lutar na justiça contra um possível rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O dirigente entende que seu clube é o mais prejudicado com o esquema de manipulação de resultados envolvendo o árbitro Edílson Pereira de Carvalho, denunciado pela edição da revista "Veja" desta semana.

FIGUEIRA RECLAMOU DE ERROS
O presidente do Figueirense revelou também que o clube chegou a reclamar com a CBF dos seguidos erros, no entender da diretoria, dos árbitros em seus jogos.

Segundo Doppre, no início de agosto, o presidente da Figueirense Participações (empresa que faz a gestão do clube), Paulo Prisco Paraíso, se reuniu informalmente com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no Rio e reclamou das partidas em que o Figueira teria sido prejudicado pelos árbitros.

"Achávamos que os árbitros apenas erravam contra nosso time, mas agora vemos que não eram só erros", disse Doppre.

O presidente do clube informou também que o clube está fazendo um levantamento detalhado de todos os erros de arbitragem sofridos neste Brasileiro, mesmo nos jogos que não foram apitados por Edílson Pereira de Carvalho.
Doppre afirmou ao UOL Esporte que, inicialmente, o Figueirense vai aguardar as decisões da CBF e do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) sobre o caso. Se mesmo após providências das duas entidades, a diretoria entender que o clube continuará tendo prejuízo, o Figueirense vai buscar seus direitos.

"Nossa primeira medida é aguardar as providências da CBF e do STJD. Mas, obviamente, vamos preparar nossos recursos, pois fomos os mais prejudicados nesse lamentável esquema. Se acharmos que esses erros não foram reparados, vamos buscar nossos direitos", disse Doppre.

O Figueirense é o vice-lanterna do Brasileirão, com 26 pontos, cinco a menos do que o Flamengo, último clube fora da zona de rebaixamento. Perguntado se, em caso de rebaixamento, o clube catarinense poderia lutar para se manter na Série A por meio judicial, o presidente do clube admitiu a hipótese.

"Essa é uma possibilidade se, após as medidas da CBF e do STJD, entendermos que o Figueirense continua como uma parte prejudicada", afirmou.

Na reportagem da "Veja", é citada uma conversa de Edílson Pereira de Carvalho com o empresário Nagib Fayad, apontado como um dos organizadores do esquema, antes do jogo Vasco 2 x 1 Figueirense, no dia 7 de agosto.

No trecho, o árbitro deixa claro que entraria em campo para possibilitar uma vitória do Vasco, que era o resultado pretendido pela máfia das apostas. Confira abaixo:

Edilson: Amanhã eu faço Vasco e Figueirense.

Fayad: Qualquer coisa eu ligo pra ocê. Tô desanimado.

Edilson: O Figueirense joga sem cinco titulares. E o Vasco tem de ganhar de qualquer jeito (...). Vou marcar falta no meio-de-campo. Se o cara reclamar, meto pra fora (...). Não joga Edmundo, Cléber, Bilú e Axel (do Figueirense) (...)

Fayad: É brincadeira. Faz o seguinte: deixa eu ligar pra ocê até meia-noite, deixa que eu vou ver o que fazer.

Edilson: Tá jóia, o que você quiser. Pode jogar até os carros que você tem que amanhã eu saio de escolta (do jogo) do Figueirense.


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