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  22/01/2006 - 20h05
Em reabertura histórica do Maracanã, Botafogo goleia o Vasco

Da Redação
No Rio de Janeiro

Depois de nove meses fechado para reformas, o mais famoso palco do futebol brasileiro voltou a receber partidas em grande estilo, num clássico histórico, eletrizante e com lances de efeito, neste domingo. No confronto de líderes invictos no Estadual, na reabertura do Maracanã, o Botafogo saiu na frente, permitiu a virada, mas revirou o jogo contra Vasco e no final goleou por 5 a 3, diante de mais de 40 mil pessoas.

TAPETE E MUDANÇAS
Depois de nove meses fechado para reformas de modernização para os jogos Pan-Americanos de 2007, o Maracanã reabriu neste domingo com um gramado impecável. O experiente atacante Romário, que completa 40 anos neste mês, destacou a qualidade do novo campo. "Este é um dos melhores gramados que eu já pisei nos meus vários anos de carreira", disse o Baixinho.

Esta também foi a primeira partida no Maracanã sem a tradicional geral, setor onde ainda serão instaladas cadeiras e por isso está interditado, assim como o de cadeiras comuns, abaixo da arquibancada. Como o estádio foi parcialmente reaberto, apenas 45 mil ingressos foram colocados à venda para o clássico deste domingo.

Por sinal, a modificação na antiga geral causou a principal mudança no Maracanã. Para que a visão do novo setor de cadeiras não ficasse prejudicada, foi necessário rebaixar o gramado em cerca de 1 metro e meio. Houve também reformas nos bares, banheiros, acessos e tribuna de imprensa.
Curiosamente, os personagens da partida foram um jogador consagrado e outro que está começando a carreira. Romário marcou os três gols do Vasco e ficou a 53 do milésimo. Já Felipe Adão, filho do ex-jogador Cláudio Adão, entrou no final do clássico para fazer sua estréia como profissional e logo no primeiro toque na bola chutou forte para marcar o quinto e fechar a goleada alvinegra com chave de ouro.

Apesar de ambos terem sido os destaques, os jogadores deixaram o gramado com sentimentos opostos. "É uma emoção muito forte, não tenho nem o que falar. É inexplicável essa emoção de entrar e fazer o gol. É muito bom, espero dar seqüência. Agora vou comemorar com meu pai", vibrou Felipe Adão. "Perdemos um jogo que poderíamos no mínimo ter empatado. Infelizmente, os gols não adiantaram nada", disse frustrado Romário.

Outro destaque foi Lúcio Flávio, que foi quem colocou Felipe Adão na cara do gol com um ótimo lançamento rasteiro. O meia alvinegro ainda marcou um gol de pênalti e também deu passes para os gols de Reinaldo e Ruy. Zé Roberto, que abriu o placar, também teve excelente atuação.

Com a vitória na partida válida pela terceira rodada da Taça Guanabara, o Botafogo ficou bem próximo da classificação para as semi-finais do primeiro turno do Campeonato Estadual.

Agora, a duas rodadas do fim da primeira fase, o Botafogo, que manteve 100% de aproveitamento em três jogos (já havia vencido Friburguense e Madureira), é líder isolado do Grupo B, com nove pontos, três de vantagem em relação ao segundo colocado, o Vasco.

O time cruzmaltino sofreu sua primeira derrota depois de vencer as duas partidas anteriores, contra Madureira e Volta Redonda, e permaneceu com seis, agora ao lado do Friburguense. Apenas os dois primeiros colocados de cada chave avançam para as semi-finais.

A reabertura do Maracanã também marcou a estréia de muitos botafoguenses e vascaínos em clássicos no estádio. Pelo Alvinegro, Asprilla, Diguinho, Lúcio Flávio, Zé Roberto, Reinaldo e Marcelinho. Pelo Vasco, Roberto, Andrade, Wágner Diniz e Fábio Braz. Este ainda foi o primeiro clássico do técnico Carlos Roberto como treinador do Botafogo.

Enquanto no gramado alguns botafoguenses e vascaínos estreavam no estádio, na arquibancada, milhares de torcedores puderam matar a saudade. O tradicional canto de "domingo...eu vou ao Maracanã..." voltou a ser entoado com entusiasmo pelo público, que compareceu em grande número.

Na próxima rodada do Campeonato Estadual, o Botafogo visita o Volta Redonda, domingo que vem, às 16h, no estádio Raulino de Oliveira. Já o Vasco vai a Edson Passos enfrentar o América-RJ, no sábado, no mesmo horário.

LANCES DE EFEITO
Na sua reabertura, o Maracanã assistiu a um clássico cheio de lances de efeito, como nos áureos tempos. O primeiro a arrancar aplausos da torcida com uma bela jogada individual foi o vascaíno Morais. Mesmo cercado por Diguinho e Lúcio Flávio, ele levantou a bola de "carretilha" e deu um chapéu nos dois, mas foi desarmado na seqüência.

Mas Zé Roberto não deixou por menos e respondeu pelo Botafogo. Ele dominou a bola na lateral da grande área e deu uma série de dribles desconcertantes em Wagner Diniz, que foi "entortado" pelo meia alvinegro.
O jogo
O Botafogo começou melhor e abriu o placar logo aos 4min. Numa cobrança de lateral da direita, Ruy jogou a bola na grande área, Reinaldo dividiu no alto com Éder e a bola sobrou para Zé Roberto. Ele trouxe para o pé esquerdo e chutou forte, à meia altura, no canto esquerdo do goleiro Roberto, marcando o primeiro gol do "novo" Maracanã.

O Vasco esboçou uma reação aos 10min. Morais avançou pela ponta esquerda e cruzou para a grande área. Alex Dias, no segundo pau, cabeceou à esquerda do gol de Max.

Mas o time cruz-maltino não mostrava a mesma vibração do alvinegro, que passou a dominar inteiramente o jogo. Aos 25min, Reinaldo desperdiçou ótima oportunidade para ampliar. Ele recebeu bom passe de Marcelinho na entrada da área, ficou cara a cara com Roberto, mas chutou fraco, rasteiro, em cima do goleiro.

Contudo, um minuto depois, o Vasco quase empatou num lance inesperado. O experiente zagueiro Schedit tentou sair jogando da defesa, mas fez lambança ao ser desarmado por Alex Dias. O atacante vascaíno dominou na entrada da área e tentou encobrir Max, mas o goleiro conseguiu espalmar para cima do travessão.

O lance acordou o Vasco, que chegou com perigo duas vezes, aos 28 e aos 30min, ambas com Romário. Primeiro, ele recebeu passe de Alex Dias na grande área e tocou por cima de Max, que só pôde assistir à bola saindo rente à sua trave esquerda. Depois, o Baixinho chutou forte do bico esquerdo da área e Max espalmou a bola, que ia entrando no alto.

Mas aos 37min, o Vasco ficou com um jogador a menos. Ygor, que já tinha cartão amarelo, fez falta em Thiago Xavier e o árbitro William de Souza Nery mostrou o vermelho. Em vantagem numérica, o Botafogo criou uma bela jogada aos 43min. Zé Roberto deu uma série de dribles desconcertantes em Wagner Diniz e tocou para Bill, que chutou forte. A bola ia entrando no ângulo, mas Roberto salvou o que seria um golaço.

O Vasco voltou para o segundo tempo com Abedi no lugar de Fábio Baiano e mais disposição. Tanto que assustou logo no primeiro minuto. A defesa do Botafogo deixou Romário livre na entrada da área, pela esquerda, e quase pagou caro. O atacante chutou forte, mas Max salvou.

Mas aos 4min, Romário não perdoou. Ele recebeu cruzamento de Alex Dias da esquerda, esperou a bola quicar no gramado e chutou forte de primeira, cruzado, colocando a bola no canto direito de Max.

O Botafogo quase calou a torcida do Vasco um minuto depois. Lúcio Flávio fez excelente lançamento rasteiro para Marcelinho, que invadiu a área, ficou cara a cara com o goleiro, mas chutou no travessão.

O Alvinegro mostrava evolução, mas foi prejudicado pela expulsão de Thiago Xavier, aos 12min. O volante deu um ponta-pé desnecessário em Morais na linha lateral e levou o cartão vermelho direto.

Assim, as duas equipes passaram a atuar com dez jogadores e a chuva de gols começou. Primeiro, o Vasco conseguiu um pênalti polêmico, aos 19min. Após chute de Romário, a bola bateu no braço de Asprilla dentro da pequena área. O próprio Romário bateu rasteiro no canto direito e correu para o abraço.

O clássico pegou fogo e o Alvinegro também conseguiu um pênalti, aos 24min. Bill foi derrubado por Wagner Diniz na área e o árbitro marcou. Lúcio Flávio bateu rasteiro, no canto esquerdo de Roberto, que caiu para o outro lado.

O gol incendiou o Botafogo, que virou o jogo aos 26min. Reinaldo recebeu cruzamento de Lúcio Flavio e cabeceou no canto esquerdo do goleiro, que nem foi na bola.

Mas, um minuto depois, Romário fez o terceiro e empatou tudo de novo. Mais uma vez, ele recebeu passe de Alex Dias e, livre na pequena área, só teve o trabalho de empurrar a bola para o gol vazio.

Entretanto, o Botafogo virou de novo aos 32min. Ruy recebeu passe dentro da grande área, quase na linha de fundo, e chutou sem ângulo, mas colocou no canto oposto de Roberto.

Para fechar com chave de ouro, Felipe Adão, que entrou no final, marcou o quinto gol no seu primeiro toque na bola, aos 47min, fazendo uma estréia iluminada como profissional.

BOTAFOGO
Max; Ruy (Neném), Asprilla, Scheidt e Bill; Thiago Xavier, Diguinho, Lúcio Flávio e Zé Roberto; Marcelinho (Joílson) e Reinaldo (Felipe Adão)
Técnico: Carlos Roberto

VASCO
Roberto; Wagner Diniz, Fabio Braz, Éder e Diego (Bruno); Ygor, Andrade, Fábio Baiano (Abedi) e Morais (Willian); Alex Dias e Romário
Técnico: Renato Gaúcho

Local: estádio Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: William de Souza Nery
Assistentes: Aristeu Tavares e Marcelo Duarte
Renda: R$ 370.785,00
Público: 43.359 pagantes
Cartões amarelos: Ygor (V), Scheidt (B), Lúcio Flávio (B), Ruy (B) e Joílson (B)
Cartões vermelhos: Ygor (V) e Thiago Xavier (B)
Gols: Zé Roberto, aos 4min do primeiro tempo; Romário, aos 4min e aos 20min, Lúcio Flávio, aos 24min, Reinaldo, aos 26min, Romário, aos 27min, Ruy, aos 32min e Felipe Adão, aos 47min do segundo tempo

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