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  23/01/2006 - 09h00
Shopping é a 2ª fonte de receita do Galo

Cândido Henrique Silva, do Pelé.Net

BELO HORIZONTE - O shopping Diamond Mall, localizado numa área nobre da capital mineira e construído no antigo estádio Antônio Carlos, do Atlético-MG, é a segunda fonte de receita do clube alvinegro, perdendo apenas para a cota da televisão. O centro comercial, que fica ao lado da sede administrativa de Lourdes, rende aos cofres do Galo R$ 3 milhões por ano.

A informação passada foi divulgada durante a reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, em dezembro passado, quando foi apresentadas as contas do Atlético. O clube, que recebia até o ano passada R$ 15 milhões referentes ao valor pago pela TV Globo, detentora dos direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro. Devido à queda para a Série B, o Galo receberá, em 2006, a metade daquela receita, ou R$ 7,5 milhões.

No contrato firmado em 1996 com o grupo de investimento Multiplan, que arrendou o Diamond Mall por 30 anos, o Galo recebe 15% da arrecadação do centro comercial. Em novembro, o contrato entre o grupo e o administrador do empreendimento completará 10 anos. Daqui a 20 a diretoria do clube assume a administração e passa a embolsar a receita total do shopping.

O assessor financeiro do Galo, Flávio Pena, lembra que a receita do shopping é maior até mesmo que os patrocínios de camisa, dinheiro importante na maioria dos clubes. Segundo números passados na reunião do Conselho Deliberativo, o Atlético não chega a arrecadar R$ 2 milhões com os anunciantes do uniforme alvinegro.

"O clube arrecada aproximadamente 240 mil reais por mês (com o Diamond Mall). Este valor representa mais do que o patrocínio presente na camisa do Atlético", observou o assessor financeiro, explicando o que o clube arrecada com o centro comercial.

"Dentro do estabelecido pelo contrato, o clube recebe 15% de todos os alugueis das lojas comerciais e dos estandes instalados nas dependências do shopping", disse Flávio Pena.

O que traz um retorno grande ao Atlético é o fato de o Diamond Mall estar localizado em uma das regiões mais nobres da cidade. Segundo estudos feitos pelos administradores do local e que estão publicados no site do shopping, 90% das pessoas que freqüentam o local são das classes A e B.

Atualmente, o Diamond Mall comporta 216 lojas, sendo que 35 foram inauguradas em dezembro passado, quando a administração do local abriu um novo andar, já previsto na planta em 1996, mas que não havia sido concluído. O presidente do Atlético, Ricardo Guimarães, acredita que, com isso, a renda do Galo aumentará.

"É um dinheiro importante para o Atlético e até gostaríamos que ele fosse maior. Há pouco tempo, o Diamond Mall fez uma ampliação. Com certeza, esta receita vai aumentar. É uma receita importante para gente, sim, e gira em torno de R$ 240 mil ou um pouco mais por mês. Este ano vai ser até maior", comemorou o dirigente atleticano.

Alívio financeiro

O Diamond Mall também é visto como um investimento futuro do Atlético, já que em um pouco mais de 20 anos o clube será o administrador do local e receberá 100% do que é pago pelos lojistas. Isso, na cotação atual, renderia cerca de R$ 20 milhões anuais, ou mais de R$ 1,6 milhão por mês.

"O Diamond Mall possui um alto valor patrimonial, contribuindo para que o patrimônio líquido do Clube Atlético Mineiro seja positivo. Em 2006, com o controle total do shopping, o Atlético aumentará consideravelmente a sua receita, colaborando ainda mais para que o clube pague suas despesas", ponderou Flávio Pena.

O presidente Ricardo Guimarães também destaca a importância que o shopping ganhará na vida financeira do clube em 20 anos. No entanto, ele acredita que o Atlético tem que ser tocado até lá sem contar com este dinheiro.

"Vai nos ajudar muito, mas não que seja uma redenção financeira, mas dá uma sustentabilidade ao Atlético muito grande e dá uma garantia de receita muito boa, pena que é daqui a 20 anos, Temos que trabalhar para chegar lá com boa situação e que isso entre como um a mais", comentou o dirigente, cujo mandato termina em dezembro deste ano.

O Atlético vive uma crise financeira e, no último balanço público em abril do ano passado, a dívida alvinegra ultrapassava R$ 150 milhões. Isso interfere até no pagamento dos salários de jogadores e funcionários, que sofreram atrasos em 2005.

O novo diretor de futebol, Ziza Valadares, condicionou a sua vinda ao Galo a fechar um orçamento e pagar em dia os salários de atletas e funcionários. Ricardo Guimarães garante que isso está sendo feito. Ele pretende pagar os atrasados do ano passado ainda neste mês e, em fevereiro, já colocar tudo em dia com os funcionários.

"A gente está trabalhando dentro de um planejamento e o importante não é só colocar o salário que está atrasado, mas garantir também que todos os salários deste ano vão ser pagos em dia. Isso é fundamental, por isso estamos trabalhando com um orçamento e dentro da realidade do Atlético", afirmou.

História conturbada

O cruzamento entre a Avenida Olegário Maciel e a Rua Bernardo Guimarães, onde fica o Diamond Mall, já foi o local de jogos do Atlético. O estádio Antonio Carlos foi inaugurado em 30 de maio 1929 com o confronto entre Galo e Corinthians, que terminou em 4 x 2 para o time mineiro.

A história do estádio foi muito conturbada desde o início. O Galo recebeu a área como parte de indenização da desapropriação do Estado do campo da Avenida Paraopeba, a atual Augusto de Lima, para a construção da sede do externato do Ginásio Mineiro, mas acabou abrigando a Escola de Aperfeiçoamento, dirigida pela pedagoga Helena Antipoff. Atualmente, funciona no local o centro de convenções Minascentro.

Após a desapropriação, o governo mineiro disponibilizou uma área na Avenida São Francisco, a atual Olegário Maciel, para o Atlético. Lá foi o campo do Atlético até dezembro de 1970, quando a prefeitura também desapropriou o local para construção de sua sede, o que nunca foi feito. Ali virou um parque e área para espetáculo. A diretoria atleticana recebeu uma compensação financeira por isso.

No entanto, como a prefeitura desvirtuou a finalidade da desapropriação, a diretoria alvinegra entrou em litígio e ganhou, na Justiça, o direito de retrocessão do terreno em 1991. Com a área em mãos novamente, a diretoria negociou o arrendamento por 30 anos do local com o grupo Multiplan, que investiu US$ 80 milhões, à época, para a construção do Diamond Mall.


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