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  10/02/2006 - 16h55
Egito supera Costa do Marfim e é campeão da Copa Africana

Da Redação
Em São Paulo

Jogando em casa e empurrado por 75 mil torcedores, o Egito conquistou nesta sexta-feira a sua quinta Copa Africana de Nações ao bater a Costa do Marfim, nos pênaltis, por 4 a 2. Didier Drogba, estrela da Costa do Marfim, perdeu o segundo pênalti para os marfinenses. No tempo regulamentar e na prorrogação, o jogo terminou 0 a 0.

Reuters
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Egípcios se aglomeram para posar com troféu
O herói do título foi o goleiro El Hadari - também eleito o melhor goleiro da competição. Ele pegou os pênaltis de Drogba e de Bakary Kone e garantiu o triunfo do Egito.

Com uma equipe muito mais caseira - 15 dos 27 atletas da seleção são os principais jogadores dos clubes locais, Al Ahly e Zamalek -, os egípcios superaram o badalado rival, que tem 100% de seus atletas atuando fora do país.

No confronto anterior entre as duas equipes, na primeira fase, o Egito já havia vencido por 3 a 1. Motaeb (2) e Aboutrika marcaram para os anfitriões, enquanto Kone descontou para a Costa do Marfim.

Agora, os egípcios são os maiores campeões do continente, com cinco títulos. A equipe se isolou de Gana e Camarões, que têm quatro conquistas cada.

O último título do Egito havia sido conquistado em 1998, na Copa Africana disputada em Burkina Faso. Na ocasião, os egípcios tinham eliminado os marfinenses nas quartas-de-final, também nos pênaltis. Os marfinenses seguem na fila desde 1992, quando foram campeões no Senegal.

EQUIPES "DA COPA" DECEPCIONAM
Costa do Marfim: vice-campeã
Tunísia: 5ª colocação
Angola: caiu na primeira fase
Gana: caiu na primeira fase
Togo: caiu na primeira fase
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O Jogo
A partida já começou quente. Logo aos 2min de jogo, Kanga Akale, da Costa do Marfim, deu um esbarrão em Mohamed Barakat com a bola fora de jogo e levou cartão amarelo.

Mesmo empurrado pela torcida que lotou o estádio, o Egito não conseguiu se impôr como na partida da primeira fase e viu a Costa do Marfim equilibrar a partida desde os primeiros instantes. O primeiro chute a gol foi marfinense, mas Akale pegou de raspão bola, permitindo fácil defesa de Al Hadari. Um minuto depois, Amr Zaki, do Egito, devolveu na mesma moeda: um chute fraco, mas para fora do gol.

Aos 16min, o Egito arrumou um problema: o experiente zagueiro Gomaa, 30, sentiu uma contusão e foi atendido pelos médicos fora de campo. Tentou voltar, mas aos 21min foi substituído por Ahmed Fathi.

CAMPANHA DO CAMPEÃO
3 x 0 Líbia
0 x 0 Marrocos
3 x 1 Costa do Marfim
4 x 1 Congo RD
2 x 1 Senegal
(4)0 x 0(2) Costa do Marfim
As investidas egípcias se concentravam na ponta direita, com Mohamed Abdelwahab. Em um cruzamento dele, aos 34min, a zaga afastou, mas na sobra a bola voltou à área e Zaki acertou uma bela virada, com força, mas fora do gol.

Mesmo com a alteração no sistema defensivo, a marcação egípcia seguiu funcionando, e o astro marfinense Drogba pouco tocava na bola. Na única oportunidade que teve, aos 36min, o atacante do Chelsea tabelou com o companheiro mas, no mano-a-mano com o último marcador, foi desarmado.

Na melhor chance do primeiro tempo, o marfinense Kolo Toure perdeu oportunidade incrível: após cobrança de escanteio aos 43min, a bola foi desviada e ele completou no segundo pau; com o gol livre, o defensor errou o alvo.

MELHOR DO TORNEIO
O meia egípcio Ahmed Hassan, capitão e cérebro do meio-campo de sua equipe, foi eleito o melhor jogador da Copa Africana de Nações pela Confederação Africana de Futebol (CAF) no intervalo da partida - antes de ele perder pênalti a favor do Egito na prorrogação da final.

Seu companheiro de equipe, Essam El Hadari, além de ser o herói do título foi considerado o melhor goleiro do torneio. Já o nigeriano John Mikel Obi, de 18 anos, foi a revelação da competição.
Akale ainda arriscou outro chute forte de fora da área, de pé esquerdo, mas o goleiro egípcio caiu com segurança para fazer a defesa.

O jogo continuou equilibrado na segunda etapa, com ataques das duas partes. Mohamed Aboutrika deu uma cabeçada logo aos 2min que assustou os marfinenses; aos 4min, Kone avançou e, na entrada da área, chutou forte, mas sem mira. Ahmed Hassan, pelo Egito, e Drogba, pela Costa do Marfim, também arriscaram chutes ao gol adversário, mas sem sucesso.

A partir dos 24min, a Costa do Marfim passou a dominar as ações. Teve duas oportunidades em cobranças de falta, mas desperdiçou. Até que, aos 31min, Drogba perdeu chance inacreditável. Após grande jogada trabalhada pela direita, a bola foi cruzada da linha de fundo, rasteira, para o atacante, no segundo pau. Com o goleiro vencido, Drogba chutou por cima do gol, perdendo gol que não costuma deixar passar.

O troco egípcio veio aos 38min; o goleiro marfinense Tizie espalmou um chute violento para o meio da área; no rebote, Moteab chutou, mas Tizie rebateu novamente; na terceira tentativa, Zaki venceu o goleiro, mas o árbitro anulou o gol corretamente, apontando impedimento de Moteab.

ESTRELA SUSPENSA

O atacante Mido (esq.), estrela do time egípcio, não entrou em campo por ter discutido ferozmente com o técnico Hassan Shehata no jogo semifinal. Mido, que foi substituído tanto durante a semifinal quanto no time titular da final por Amr Zaki - autor do gol da classificação para a decisão -, ficará suspenso da seleção por meio ano. Ele assistiu à partida desta sexta na cabine de um veícuulo de imprensa local.
Aos 45min, Drogba perdeu outra boa chance, ao escorar sem pontaria cruzamento da direita de Emmanuel Eboue. Nos acréscimos, os ânimos do jogo voltaram a se acirrar, após falta de Aboutrika em Zokora; uma empurra-empurra de cerca de dois minutos se seguiu, mas não houve expulsões. A partida foi para a prorrogação.

Com os dois times demonstrando cansaço, a prorrogação começou aberta. E logo aos 4min, o árbitro deu pênalti a favor do Egito: o defensor Kouassi entrou de sola em Barakat e o árbitro apontou o centro da área, para indignação dos marfinenses. Mas Ahmed Hassan, o melhor jogador do torneio, cobrou na trave direita do goleiro Tizie.

Com o erro, o Egito se abalou, e a Costa do Marfim cresceu no jogo. Mesmo assim, os visitantes conseguiram criar apenas uma chance de perigo, em chute de Kone, defendido por Al Hadari, e o placar seguiu 0 a 0.

Mais uma vez, a partida reiniciou franca. As equipes alternaram bons momentos; Shawky chutou com perigo para defesa de Tizie; Eboue devolveu ao entrar em diagonal na área egípcia, mas bateu para fora. Apesar do cansaço, as equipes mais uma vez não conseguiram concluir com eficiência, e a partida foi para os pênaltis.

Pela Costa do Marfim, Drogba e Kone tiveram suas cobranças defendidas pelo goleiro egípcio; Abd Elhalim perdeu para o egito, mas seus companheiros marcaram os outros 4, garantindo a vitória por 4 a 2 sem a necessidade do último pênalti marfinense ser batido.

EGITO
Essam Al Hadari; Mohamed Abdelwahab, Abdelzaher El Saqqa, Wael Gomaa (Ahmed Fathi), Ibrahim Said (Abd Elhalim); Mohamed Aboutrika, Mohamed Barakat, Ahmed Hassan, Mohamed Shawki; Emad Moteab (Hassan Mostafa), Amr Zaki

COSTA DO MARFIM
Jean-Jacques Tizie; Arthur Boka, Emmanuel Eboue, Blaise Kossi Kouassi, Kolo Toure; Kanga Akale (Bonaventure Kalou), Emerse Fae, Yaya Toure, Didier Zokora; Didier Drogba, Arouna Kone.

Juiz: Mourad Daami (Tunísia)
Local: Estádio Internacional de Cairo (Egito)
Público: 75 mil


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