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  05/03/2006 - 18h02
Grêmio bate Juventude fora e se isola na ponta

Da Redação
Em São Paulo

O Grêmio subiu a Serra para enfrentar o Juventude, na tarde deste domingo, com o objetivo de conseguir uma vitória que o fizesse se isolar na liderança do Grupo 4 do quadrangular semifinal do Campeonato Gaúcho. E conseguiu. No jogo que prometia ser tenso, complicado - o que se confirmou, com três expulsões - acabou fazendo 2x1, com justiça, e com isso livrou três pontos de vantagem sobre o concorrente direto.

RACISMO?

O zagueiro Antônio Carlos, que tem passagens por inúmeros grandes clubes do Brasil e inclusive pela seleção nacional, foi acusado de racismo neste domingo.

O atleta do Juventude foi expulso após dar uma cotovelada em Jeovânio, do Grêmio. Ao sair do gramado, o defensor teria supostamente feito gesto racista na tentativa de ofender o adversário. Leia mais
O Tricolor de Porto Alegre e o alviverde de Caxias do Sul voltarão a se enfrentar no próximo final de semana, no estádio Olímpico, na abertura do returno desta etapa da competição que apontará um dos finalistas do Estadual gaúcho. Com uma nova vitória, o Grêmio praticamente garantirá a vaga, para pegar na grande decisão o campeão da Chave 4, que deverá ser o Internacional - pois esse já livrou cinco pontos do vice-líder, faltando apenas três para terminar a fase semifinal.

Antes do jogo realizado no estádio Alfredo Jacioni, neste domingo, a semana fora de muitas provocações, bate-bocas, tentativas de condicionar a arbitragem, o que levava a crer que o jogo teria problemas dentro de campo. E o juiz Leandro Vuaden, em função disso tudo, realmente teve dificuldades para comandar o confronto.

Instantes antes de a partir começar, inclusive, o presidente do Grêmio, Paulo Odone, e o diretor do Juventude, Paulo Rodrigues, trocaram algumas agressões verbais, numa pequena amostra do que poderia ocorrer a partir do apito inicial. O duelo prometia.

O jogo
As duas equipes começaram a partida mostrando que só interessava a conquista dos três pontos. Isso significava esquemas ofensivos, nenhuma retranca e correria constante em direção à meta inimiga. O Grêmio foi quem assustou primeiro: aos 4min, num cruzamento da direita, Maidana raspou de cabeça e a bola saiu à direita, próxima ao poste.

Muito cedo a torcida começou a pegar no pé do árbitro, reclamando de qualquer falta que consideravam ter ocorrido e que não era assinalada. Aos 13, num desses momentos, Eder Ceccon foi empurrado e derrubado dentro da grande área, pelo lateral gremista Patrício, mas o pênalti não foi marcado.

Na seqüência o Grêmio fez contra-ataque, bem aproveitado por Herrera. O centroavante gremista foi lançado por Tcheco, dominou e, da entrada da grande área, bateu rasteiro, no canto inferior direito de André, fazendo 1x0. Um gol que serviu para acelerar ainda mais um duelo agitado e nervoso.

Atrás no marcador, o Juventude tentou forçar um pouco mais sua atividade ofensiva, alternando ataques pelas duas pontas, mas os cruzamentos davam em nada, em função da eficiência dos defensores do Tricolor nas bolas altas. Chances claras de gol não surgiam, deixando nervosa a torcida caxiense, pois uma derrota nessa partida poderia ser fatal para as pretensões do clube no campeonato.

Aos 41min, a última oportunidade do primeiro tempo. Após jogada muito boa do lateral Alemão, pela direita, a bola foi forte em direção à pequena área e, sobre a risca, o zagueiro argentino Maidana conseguiu salvar para escanteio.

No último instante da etapa inicial o lateral-esquerdo Márcio Rozário, do Juventude, torceu o joelho e teve de deixar ao time. Para o segundo tempo, seria substituído por Zé Rodolpho.

Apesar da vantagem, os atletas do Grêmio sabiam que o jogo estava complicado e que não seria fácil se manter à frente do adversário. "Estamos deixando o time deles tocar muito a bola na frente da nossa área e se continuar assim daqui a pouco ele vão empatar", avaliou o meia Tcheco, preocupado com a pressão do Juventude.

Já pelo lado do time da Serra, o goleiro André queria mais ambição de seus companheiros: "Estamos na pressão, mas ela ainda é muito pequena, e além disso temos que ficar muito atentos, porque a retomada deles é muito rápida".

O Juventude, dentro da idéia proposta pelo goleiro, realmente jogou-se para o ataque assim que começou a segunda etapa, mas os atletas gremistas permaneciam atentos e buscando explorar com velocidade o contra-ataque.

Aos 8min, numa cobrança de falta, Márcio bateu forte, acertou a barreira e, no rebote, Vanderson chutou forte, fazendo a bola raspar o travessão, primeiro lance do segundo tempo que entusiasmou os torcedores do Juventude.

Mas logo em seguida, aos 11min, num cruzamento de falta da ponta direita, Marcelo Costa levantou para o segundo pau e Lucas entrou bem, com oportunismo, por trás dos defensores e bateu com qualidade para a rede adversária, ampliando para 2x0.

O desespero do Juventude fez os ânimos se tornarem mais exaltados e as reclamações aumentavam contra a arbitragem a cada minuto que passava. O técnico Hélio dos Anjos, além de esbravejar à beira do gramado, mandou à campo o atacante Julinho, no lugar do volante Márcio, o que representava partir para o tudo ou nada.

Mano Menezes, comandante do time tricolor, reagiu reforçando seu meio de campo. Tirou o atacante Pedro Júnior e colocou o volante Nunes. A disputa continuava ríspida, mais do que nunca, e aos 20min, numa troca de agressões na lateral de campo, dois jogadores foram expulsos: o lateral-esquerdo Escalona, do Grêmio, e o meia Lauro, do Juventude.

As duas equipes ficaram com 10 homens por apenas quatro minutos, já que aos 24 o zagueiro Antônio Carlos, para impedir uma avançada de Jeovânio, acertou um cotovelaço nesse e também foi expulso, deixando o time da Serra com menos dois atletas. A possibilidade de reação, assim, diminuía bastante.

Mesmo inferiorizado numericamente, aos 29min Josiel teve chance de descontar para o Juventude, mas o atacante, após dominar e fazer um giro rápido próximo à meta de Galatto, bateu fraco e o goleiro segurou sem dificuldades.

Nos 15 minutos finais, o Grêmio decidiu administrar a importante vitória, enquanto os policiais da Brigada Militar começavam uma mobilização para evitar um provável confronto de torcidas ao final do jogo, o que já tem se tornado uma tradição a cada vez que esses dois clubes se enfrentam na Serra.

Tudo parecia decidido, mas o improvável gol de Hugo, aos 38min, aproveitando um rebote e batendo de pé esquerdo, forte, no canto inferior esquerdo de Galatto voltou a incendiar a partida. A partida ficava em 2x1, mas faltavam pelo menos 10 minutos de bola correndo, para a tentativa de empate por parte do alviverde.

Aos 42, em outra ótima jogada de Hugo, a bola foi para Julinho, que bateu forte e rasteiro. A bola estava entrando, quando Maidana jogou-se de carrinho e salvou o Grêmio de sofrer o empate. Foi um sufoco aquele final, mas o Grêmio conseguiu resistir e se isolou na ponta do Grupo 5.

JUVENTUDE 1x2 GRÊMIO

Juventude:
André; Alemão, Antônio Carlos, Éderson e Márcio Rozário (Zé Rodolpho); Márcio Guerreiro (Julinho), Vanderson, Lauro e Hugo; Eder Ceccon (Samuel) e Josiel
Técnico: Hélio dos Anjos

Grêmio:
Galatto; Patrício, Maidana, Evaldo e Escalona; Jeovânio (Ramón), Lucas, Tcheco (Marcelo Oliveira) e Marcelo Costa; Pedro Júnior (Nunes) e Herrera
Técnico: Mano Menezes

Data: 5/3/2006 (domingo)
Local: Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul
Árbitro: Leandro Vuaden
Auxiliares: José Franco Filho e Sérgio Cordeiro Filho
Cartões amarelos: Antônio Carlos (Juventude); Jeovânio, Patrício, Marcelo Costa, Herrera (Grêmio)
Cartões vermelhos: Lauro, Antônio Carlos (Juventude) e Escalona (Grêmio)
Gols: Herrera (aos 14min do 1º tempo); Lucas (aos 11min) e Hugo (aos 38min do 2º tempo)


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