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  24/07/2006 - 20h33
Dunga vende imagem de garra que CBF precisava

Da Redação
Em São Paulo

A imagem de voluntarismo que Dunga já usou para ser garoto-propaganda de um modelo de pick-up agora está a serviço da CBF. Precisando reverter a impressão deixada no último Mundial da Alemanha, Ricardo Teixeira foi buscar no ex-jogador gaúcho algo que encontrou em outro gaúcho campeão do mundo: o técnico Luiz Felipe Scolari, que não quis o cargo que ocupou em 2002.

Reuters
Dunga atira flecha em evento de esporte indígena em Campo Grande (MS)
Em suas primeiras falas como técnico nacional, Dunga desfiou termos como "vibração", "coragem" e "emoção". Um exemplo: "Só vence aqueles que tem coragem de tomar decisões." Outro caso: "Para jogar na seleção brasileira jamais se pode pensar no lado financeiro. É puramente emocional."

Crítico do "futebol-arte" dos anos 80, o volante personalizou o fracasso do futebol tático da Copa de 1990, mas depois ganhou sua redenção com a campanha do tetra em 1994 e voltou a liderar o grupo no vice-campeonato de 1998.

"Nossa geração mostrou como se ganha um Mundial: com determinação, qualidade, garra e vontade. Só o talento não basta. O talento apenas desequilibra", cravou em entrevista antiga, como uma resposta ao excesso de estrelas e a falta de vontade da equipe na última Copa.

O simbolismo é reforçado até por sua mãe, dona Maria, que enfeita a casa de Ijuí com uma faixa com o dizer "Só os fortes permanecem".

EFE
Dunga abraça Parreira em visita que fez à concentração da seleção na Alemanha
Em sua cidade natal, um museu conta a trajetória do capitão do tetracampeonato mundial e histórias circulam por lá. "Ele enlouquecia quando ficava fora de um jogo, mas tinha só 15 anos e os outros jogadores o consideravam gordinho", lembra o primeiro treinador, Valdir Aguirre, quando dirigia o extinto time Ouro Verde.

O biótipo pesado e atarracado também chamou a atenção quanto chegou a Porto Alegre e ao Internacional. Também motivou o apelido na infância, afinal, era um menino parrudo e muitos o comparavam com um anão, como Dunga da fábula de Branca de Neve.

Ele incorpora em suas falas esse ideal de entrega em campo. "Quando cheguei na seleção, eu não medi esforços para alcançar os meus objetivos, porque eu achava que tudo aquilo que para mim era um sacrifício, as coisas que eu deixava de fazer, no momento em que eu conseguia o meu objetivo, eu olhava para trás e via como tudo aquilo era mínimo perto da alegria de alcançar o que tanto almejava."

Além disso, ele personificou a figura do líder em todas as campanhas mundiais que participou. Ele era aquele que berrava com os companheiros em campo, algo que não se viu na Alemanha. "Para mim, a melhor maneira de fazer com que o grupo esteja comprometido é com você sendo liderado pelo grupo. Precisa ter consciência de que você é importante, mas não indispensável", comentou sobre como exercer liderança sobre um time de futebol.

EFE
Dunga exibe reprodução de selo britânico sobre as cinco conquistas brasileiras
Ele viu esse comprometimento em 1994 e também com Scolari em 2002. "Os dois grupos tinham em comum um ponto muito forte: a união e a vontade de vencer. Ambos passaram pelas eliminatórias enfrentando inúmeros problemas, o que acabou forçando os jogadores a uma concentração muito maior."

Ele quer repetir esse clima gaúcho de novo para a seleção. "Quando você entra em campo, você está vivendo o momento que mais desejou na vida. Não tem cansaço, não tem lágrima, não tem dor, não tem nada".

O curioso é que Dunga agora vai dirigir Ronaldinho Gaúcho, que surgiu para o estrelado ao dar dois chapéus e um drible elástico naquele que agora será seu superior hierárquico. Era a final do Campeonato Gaúcho de 1999, Dunga fazia sua última temporada, e Ronaldinho sua primeira. Vitória do Grêmio sobre o Inter. Logo depois, Ronaldinho seria convocado por Vanderlei Luxemburgo para a Copa América e conseguiria seu primeiro título com a camiseta amarela. Ronaldinho virou símbolo do futebol acrobático, algo em baixa com o fracasso na Alemanha.


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