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26/07/2006 - 09h00
Com ódio, São Paulo desafia algoz Chivas na semifinal
Marcius Azevedo Enviado especial do UOL Esporte Em Guadalajara (México)
O sentimento de vingança move o São Paulo contra o Chivas nesta quarta-feira, às 22h, em Guadalajara, no primeiro jogo da semifinal da Libertadores. A equipe mexicana bateu o Tricolor nos dois confrontos da primeira fase e ainda está entalada na garganta dos brasileiros.
Fernando Santos/Folha Imagem Ricardo Oliveira e Muricy dizem que Chivas está "entalado" após viradas na Libertadores Tanto no Jalisco, quanto no Morumbi, o time comandado pelo técnico Muricy Ramalho até abriu o placar, mas acabou perdendo de virada: 2 a 1. A segunda derrota foi traumática, pois encerrou uma longa invencibilidade são-paulina, que não perdia em seu estádio pela competição continental havia 30 jogos.
"Não podemos perder novamente", decretou o atacante Leandro, que vai atuar ao lado de Ricardo Oliveira no ataque. "Estou com raiva. Quero entrar logo em campo e derrotá-los. É difícil aceitar: perdemos dois jogos que tivemos boa atuação", acrescentou.
Aliás, os mexicanos podem se tornar os principais carrascos tricolores na história da Libertadores. Apenas o Independiente, da Argentina, derrotou o São Paulo por três vezes em jogos pelo torneio sul-americano. As vitórias aconteceram na edição de 1972 (2 a 0) e 1974 (2 a 0 e 1 a 0).
Para piorar, se perder novamente para o Chivas, o Tricolor irá atingir quatro derrotas em uma única edição, fato inédito para o clube tricampeão. Antes deste confronto, o time de 2006, após perder para o Estudiantes, já igualou os anos de 1987, 1992 e 2004.
Reprodução Record mostra a frase "Ya son clientes", que teria sido dita pelo técnico do Chivas "Podemos até perder cinco jogos no total [já foram três derrotas] e, mesmo assim, teremos chances de ficar com o título", minimizou o goleiro e capitão Rogério Ceni. "Podemos, por exemplo, vencer aqui [no México] e até perder no Morumbi para avançar".
A semifinal também apresenta um outro aspecto inédito para o São Paulo. A equipe nunca definiu um confronto desta fase atuando o segundo jogo em casa, fato que irá acontecer neste ano, já que tem melhor campanha que o rival durante o torneio.
A primeira aconteceu em 1992, quando o Tricolor, então comandado por Telê Santana, enfrentou o Barcelona, de Guayaquil. Após vencer por 3 a 0 no Morumbi, o São Paulo foi derrotado por 2 a 0 e avançou para conquistar o primeiro título na decisão contra os argentinos do Newell's Old Boys.
Já no ano seguinte, o adversário foi o Cerro Porteño. Nova vitória no primeiro jogo, em casa, agora por 1 a 0, e empate sem gols em Assunção. O fato de repetiu em 94, quando os são-paulinos eliminaram outro paraguaio: o Olímpia. No Morumbi, triunfo por 2 a 1 e, no Paraguai, derrotado por 1 a 0 e vaga obtida na disputa de pênaltis. Diferentemente dos anos anteriores, quando foi campeão, o São Paulo sucumbiu contra o Vélez Sarsfield.
 | Estou com raiva. Quero entrar logo em campo e derrotá-los. É difícil aceitar: perdemos dois jogos que tivemos boa atuação | | |  | Leandro, atacante do São Paulo
| A regra se repetiu também nas últimas duas participações tricolores no torneio, em 2004 e 2005. Na primeira, contra o Once Caldas, o Tricolor empatou por 0 a 0, em São Paulo, e foi derrotado por 2 a 1, em Manizales, e foi eliminado Já no ano passado, derrotou o River Plate por 2 a 0, no Morumbi, e 3 a 2, em Buenos Aires.
"O mais importante é sempre o primeiro jogo. Temos que sair daqui com uma vitória. Caso não seja possível vencer, temos que marcar pelo menos um gol aqui [no México]", afirmou o atacante Ricardo Oliveira, referindo-se ao regulamento. Na Libertadores, o gol anotado na casa do adversário tem valor dobrado para o desempate.
Já o técnico Muricy Ramalho pensa um pouco diferente. "Vamos atuar com inteligência, saber que teremos o jogo de volta no Morumbi", afirmou. "Claro que marcar gols será importante, mas não podemos nos abrir para o Chivas", emendou.
| CARRASCOS TRICOLORES | | Independiente - 3 vitórias | | 1972 - 2 x 0 | | 1974 - 2 x 0 | | 1974 - 1 x 0 | | Chivas - 2 vitórias | | 2006 - 2 x 1 | | 2006 - 2 x 1 | No São Paulo, a única dúvida é André Dias. O Goiás pede na Justiça a volta do zagueiro, mas a disputa pode ser encerrada com sucesso pelo time paulista ainda nesta quarta. Caso isso aconteça, ele será escalado. Se não for liberado, Muricy usará Edcarlos ao lado de Lugano e Fabão na defesa.
Já o Chivas, que não conta mais com o zagueiro Salcido, negociado com o PSV Eindhoven, da Holanda, terá apenas uma alteração. Diego Martínez, expulso na vitória por 2 a 1 sobre o Vélez Sarsfield, da Argentina, está suspenso e será substituído por Omar Esparza.
CHIVAS x SÃO PAULO
Data: 26/07/2006 (quarta-feira) Local: estádio Jalisco, em Guadalajara Horário: 22h (horário de Brasília) Árbitro: Jorge Larrionda (Uruguai) Auxiliares: Walter Rial e Pablo Fandiño (Uruguai) Transmissão: TV Globo
Chivas Sanchez; Javier Rodriguez, Reynoso e Magallon; Esparza, Morales, Pineda, Araújo e Juan Rodriguez; Bautista e Omar Bravo Técnico: Manuel de La Torre
São Paulo Rogério Ceni; Fabão, Lugano e André Dias (Edcarlos); Souza, Mineiro, Josué, Danilo e Júnior; Ricardo Oliveira e Leandro Técnico: Muricy Ramalho
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