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  30/07/2006 - 18h00
Interessado, Santos impõe primeiro revés ao São Paulo em casa

Da Redação
Em São Paulo

São Paulo e Santos mostraram perspectivas absolutamente contrárias para o clássico deste domingo, no Morumbi. Enquanto o time tricolor, preocupado com a partida decisiva das semifinais da Copa Libertadores (contra o Chivas, na próxima quarta-feira), resolveu poupar seus titulares, a equipe do litoral procurou usar o confronto com o atual líder para tentar impulsionar sua campanha no Campeonato Brasileiro. Em campo, prevaleceu o interesse do clube visitante, que goleou por 4 a 0 e derrubou três séries invictas do rival.

GOLEADA SANTISTA

Fabiano marcou duas vezes ainda no primeiro tempo


Rodrigo Tiuí define a goleada por 4 a 0 na etapa final


Santistas comemoram o bom resultado no Morumbi

Apesar de terem enfrentado uma equipe composta apenas por suplentes (da escalação deste domingo, apenas Rogério Ceni e Edcarlos devem ser titulares diante do Chivas, na quarta-feira), os jogadores do Santos fizeram o máximo possível para valorizar a vitória. "Não enfrentamos atletas, mas o atual líder do Campeonato Brasileiro. Na rodada passada, quando eles venceram a Ponte [por 3 a 1, em Campinas], ninguém questionou a qualidade dos reservas", lembrou o goleiro alvinegro Fábio Costa.

O triunfo sobre um rival regional e atual líder do Campeonato Brasileiro, para o Santos, ainda teve um significado maior. Isso porque a equipe alvinegra alcançou seu segundo êxito consecutivo na temporada (havia superado o Juventude por 3 a 2 na rodada passada) e se aproximou dos líderes da competição nacional. Agora com 24 pontos, o clube da Vila Belmiro subiu para o quinto lugar da tabela e diminuiu para cinco a desvantagem em relação ao líder São Paulo.

De quebra, o Santos conseguiu seu segundo triunfo como visitante no Campeonato Brasileiro. Antes deste domingo, a equipe dirigida por Vanderlei Luxemburgo havia vencido fora de casa apenas na outra partida que fez em São Paulo, contra o Palmeiras, no dia 30 de abril (atuando no Parque Antarctica, o time alvinegro fez 2 a 1).

Se o Santos tem muitas razões para comemorar, o São Paulo vive situação inversa. A derrota elástica que a equipe tricolor sofreu na partida que precede o confronto com o Chivas serviu para derrubar três séries do time do Morumbi. A primeira é o atual momento, já que os comandados de Muricy Ramalho não sofriam um revés sequer desde o dia 14 de maio, quando sofreram 3 a 1 do Internacional-RS em Porto Alegre (desde então, foram oito vitórias e dois empates em dez partidas).

DESDE AGOSTO
A goleada que o Santos impôs ao São Paulo neste domingo não representou apenas uma evolução da equipe alvinegra no Campeonato Brasileiro. Além disso, o clube comandado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo conseguiu um resultado que não alcançava desde agosto do ano passado.

A última partida em que o Santos marcou quatro gols foi o triunfo por 4 a 3 sobre o Figueirense, no dia 21 de agosto do ano passado (com dois gols de Robinho, um de Giovanni e outro de Élton).

No Campeonato Brasileiro, o Santos marcou mais de duas vezes apenas nos triunfos sobre Ponte Preta (por 3 a 1, no dia 13 de maio) e Juventude (por 3 a 2, no dia 23 de julho).
Outro dado negativo é que o São Paulo ainda não havia sido derrotado no Morumbi em partidas válidas pelo Campeonato Brasileiro. A equipe tricolor angariou sete triunfos nos sete primeiros jogos que fez em casa e viu seu aproveitamento ruir neste domingo.

Para completar, o São Paulo perdeu neste domingo o primeiro clássico da temporada. Até este domingo, nos sete confrontos contra seus adversários mais tradicionais, a equipe tricolor havia acumulado seis vitórias e um empate. "Infelizmente, as coisas não funcionaram do jeito que nós esperávamos hoje [domingo]. O Santos fez uma grande apresentação e nós perdemos em falhas individuais", ponderou o goleiro Rogério Ceni, capitão da equipe tricolor.

As duas equipes voltarão a jogar no Campeonato Brasileiro no domingo, dia 6 de agosto, ambas às 16h. O São Paulo visitará o Botafogo no estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, e o Santos receberá o Internacional-RS na Vila Belmiro. Antes disso, porém, o time tricolor vai encarar o Chivas nesta quarta-feira, às 21h45, no Morumbi, tentando alcançar a decisão da Copa Libertadores pelo segundo ano consecutivo. Como venceu o primeiro duelo por 1 a 0, fora de casa, a equipe brasileira precisa apenas de uma igualdade para se classificar.

O jogo
"Só porque o São Paulo vai jogar com seu time reserva, todo mundo passou a semana dizendo que nós somos favoritos. Mas futebol não é assim e eles têm um grupo de muita qualidade. Tenho certeza que vai ser um clássico complicado", previu o técnico Vanderlei Luxemburgo, do Santos, antes do início da partida deste domingo. E de acordo com a idéia do comandante alvinegro, a despeito de atuar com sua formação suplente, a equipe da capital começou com mais posse de bola e domínio das ações no setor ofensivo.

SEM DESCANSO
Nem todos os jogadores que o São Paulo não utilizou no confronto contra o Santos puderam tirar o domingo para descansar. O zagueiro Lugano, o volante Josué e o atacante Leandro foram convocados pelo técnico Muricy Ramalho e ficaram no banco de reservas durante a derrota por 4 a 0 para o Santos, no Morumbi.

"É claro que a ênfase da nossa equipe é a Libertadores e precisamos descansar, mas não podemos nos esquecer do Campeonato Brasileiro. Portanto, estamos sempre prontos para ajudar e fazer o melhor para a equipe", explicou Josué.
Prova disso é que o São Paulo criou a primeira grande oportunidade para abrir o placar no clássico deste domingo. Aos 9min da etapa inicial, o meia Lenílson arrancou liberdade pela meia esquerda e chutou de fora da área, no ângulo direito de Fábio Costa, mas a bola bateu na trave e saiu pela linha de fundo.

Apesar da postura agressiva e superior no início do confronto, o São Paulo não conseguiu manter o ritmo. Ainda com mais posse de bola, a equipe tricolor sentiu falta de criatividade em seu meio-campo e de participação dos laterais. "Nós começamos muito atrás e só olhamos o time deles jogar. Mas aos poucos, acertamos a marcação e equilibramos a partida", analisou o lateral-esquerdo Kléber, do Santos.

Parte da evolução santista, aliás, foi justificada por uma mudança de posicionamento de Kléber. Para tentar melhorar a qualidade técnica de seu meio-campo, o técnico Vanderlei Luxemburgo passou o camisa 3 para a armação e deslocou Wendel para a ala. A alteração deu mais qualidade aos visitantes, que construíram vantagem nos minutos finais do primeiro tempo, em duas falhas individuais da defesa do São Paulo.

O primeiro erro gritante da zaga tricolor aconteceu aos 41min, quando Denis escapou pela direita e cruzou rasteiro. Alex não conseguiu cortar e deixou a bola chegar a Fabiano. Dentro da pequena área, o camisa 7 tocou de pé direito, no canto esquerdo baixo de Rogério Ceni, para inaugurar o placar.

Dois minutos depois do gol, o São Paulo errou novamente. Manzur fez um corte do campo de defesa e rechaçou a bola para o lado esquerdo. Alex Silva furou ao tentar tirar e a sobra ficou com Kléber, que invadiu a área, driblou Alex para o meio (deixando o zagueiro caído) e tocou rasteiro para Fabiano concluir de primeira. "Nós não estávamos mal em campo, mas duas falhas individuais complicaram as coisas. O Santos tem jogadores que podem desequilibrar uma partida e nós não podemos permitir que isso aconteça", reclamou o atacante Thiago, figura apagada na etapa inicial.

Apesar das cobranças de Thiago, porém, o São Paulo não voltou com postura diferente no segundo tempo. Assim como havia feito nos minutos que precederam o intervalo, o Santos teve domínio da partida. A diferença é que a equipe do litoral mudou seu comportamento e passou a marcar mais atrás, esperando a saída do time tricolor e saindo nos contra-golpes.

No início do segundo tempo, o Santos ainda perdeu o atacante Fabiano, autor de seus dois gols, que se machucou e precisou ser retirado carregado de campo. Só que a ausência não chegou a surtir efeito para o São Paulo. Aos 9min, dois minutos depois da saída do camisa 7 dos visitantes, Rodrigo Tabata cruzou da esquerda para o segundo pau e encontrou o lateral-direito Denis, que aproveitou um vacilo da defesa do time da casa, entrou em diagonal e completou de carrinho para as redes.

O gol não só deixou a vantagem do Santos mais confortável, como também desarrumou totalmente o São Paulo e evidenciou a falta de entrosamento dos reservas da equipe tricolor. Perdido em campo, o time da casa tentou tocar a bola lateralmente, mas só conseguiu levar perigo ao gol de Fábio Costa em dois escanteios seguidos que Lúcio bateu da esquerda (no primeiro, Lenílson tocou de cabeça no primeiro pau e Maldonado salvou; depois, o mesmo Maldonado cortou em cima da linha e evitou o gol olímpico).

A resposta do Santos às duas oportunidades criadas pelo São Paulo foi dada com eficiência. Reinaldo puxou contra-golpe pela direita aos 27min e cruzou rasteiro para Rodrigo Tiuí. O centroavante errou a primeira conclusão, mas tocou de pé direito depois, dentro da pequena área, e definiu a vitória dos visitantes.

A vantagem confortável do Santos ainda foi potencializada pela expulsão do zagueiro são-paulino Alex, que colocou a mão na bola aos 38min, deixou os donos da casa com um homem a menos e acabou com qualquer chance de reação.

SÃO PAULO
Rogério Ceni; Alex Silva, Alex e Edcarlos; Ilsinho, Ramalho, Richarlyson, Lenilson e Lúcio; Alex Dias e Thiago (Lima)
Técnico: Muricy Ramalho

SANTOS
Fábio Costa; Manzur, Ronaldo Guiaro e Luiz Alberto; Denis, Maldonado, Wendel, Rodrigo Tabata (Rodrigo Tiuí) e Kléber (Heleno); Fabiano (André) e Reinaldo
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Local: estádio do Morumbi, em São Paulo (SP)
Árbitro: Leonardo Gaciba da Silva (Fifa-RS)
Auxiliares: Altemir Hausmann (Fifa-RS) e José Otávio Dias Bittencourt (RS)
Cartões amarelos: Richarlyson (SP), Kléber (S)
Cartão vermelho: Alex (SP)
Gols: Fabiano, aos 41min e aos 43min do primeiro tempo; Denis, aos 9min; e Rodrigo Tiuí, aos 27min do segundo tempo

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