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09/08/2006 - 23h43
Internacional ignora atributos do São Paulo e vence primeira final
Marcius Azevedo e Bruno Freitas Do Pelé.Net Em São Paulo
Antes do início da decisão da Copa Libertadores, equilíbrio era um adjetivo recorrente para classificar o confronto entre São Paulo e Internacional. O time paulista atuou em casa, com as arquibancadas totalmente lotadas, mais experiência em decisões e histórico favorável como mandante. Entretanto, os gaúchos ostentavam retrospecto positivo nos duelos recentes contra o oponente da decisão. Então, o atacante colorado Rafael Sobis desfez a igualdade de condições. Autor de dois gols, ele garantiu a vitória dos visitantes por 2 a 1 nesta quarta-feira, no Morumbi, e a vantagem da equipe de Porto Alegre para a final do torneio sul-americano.
| A VITÓRIA DO INTER |  Juiz mostrou vermelho para o volante Josué, do São Paulo
 Depois, expulsou Fabinho
 Sobis marcou o primeiro gol
 E vibrou com o seu segundo
 Edcarlos descontou para o São Paulo, mas não evitou derrota
| O resultado deixa o Inter a um empate do inédito título. Os dois times voltam a jogar na próxima quarta-feira, em Porto Alegre, e a equipe colorada conquista a Libertadores se não sofrer gols. O São Paulo precisa vencer por dois gols de diferença para buscar seu quarto campeonato. Vitória tricolor por um gol leva a decisão para a prorrogação.
"Estava com dores na coxa, perdi três dias de treinamentos e precisei tomar uma injeção para jogar. Mas acho que valeu a pena e eu consegui ajudar o Internacional a conquistar uma vantagem importante. Agora, com menos peso, acho que podemos render até mais na segunda partida", projetou o camisa 11 do time gaúcho, artilheiro do jogo.
Destaque individual, Sobis ainda venceu um duelo particular com o centroavante Ricardo Oliveira, grande nome do São Paulo nesta quarta-feira. "Nós sofremos dois gols, mas conseguimos reagir e isso é importante. Com uma desvantagem de apenas um gol, ganhamos mais fôlego para a decisão", comemorou o camisa 12, que ainda aguarda liberação do Betis, dono de seus direitos federativos, para saber se poderá disputar a segunda partida da final da Libertadores.
A vitória do atacante do Internacional no duelo individual contra Ricardo Oliveira abriu caminho para o time gaúcho confirmar seu histórico recente diante do São Paulo. A equipe colorada não perde uma partida sequer para o rival do Morumbi desde novembro de 2004 e apresenta supremacia total (cinco vitórias, quatro empates e duas derrotas) neste século.
Com ampla vantagem nas partidas recentes contra o São Paulo, o Internacional precisa apenas de um empate no Beira-Rio, na próxima quarta-feira, para se sagrar campeão da Libertadores pela primeira vez na história. O time paulista precisa de um triunfo por dois ou mais gols de vantagem, e uma vitória tricolor com um gol de diferença levará a decisão para a prorrogação.
"Não tem nada decidido e nós mostramos isso hoje [quarta-feira]. O São Paulo foi guerreiro, não desistiu e conseguiu diminuir a desvantagem. A decisão vai ser em Porto Alegre", avisou o ala Souza, do time paulista. "Tudo está aberto. Temos duas grandes equipes na final e nós não ganhamos nada até aqui. Nossa vantagem é pequena e não podemos tratá-la como definitiva", concordou o colorado Abel Braga.
A despeito de ter postergado a decisão para o jogo em Porto Alegre, o Internacional já derrubou grandes rivais nesta quarta-feira. O time gaúcho ignorou o fato de atuar fora de casa, diante de 71.745 pagantes, e de ter menos experiência em decisões de Libertadores (essa é a segunda final da equipe colorada e a sexta do São Paulo).
O triunfo do Internacional nesta quarta-feira ainda encerrou um histórico positivo do São Paulo. A equipe paulista nunca havia perdido uma partida de mata-mata, como mandante, na Copa Libertadores. Agora, em 23 duelos no Morumbi, o time da casa apresenta 21 êxitos, uma igualdade e um revés.
O jogo Nos dias que precederam a primeira partida da decisão da Copa Libertadores de 2006, São Paulo e Internacional foram extensamente citados por serem times com esquemas táticos parecidos. Nesta quarta-feira, porém, o técnico Abel Braga surpreendeu e escalou a equipe gaúcha com apenas dois zagueiros, no 4-4-2. Entretanto, antes de as formações terem tempo para serem testadas, um fato mudou totalmente o panorama do duelo. Aos 10min da etapa inicial, em disputa de bola pelo alto, o volante Josué acertou uma cotovelada na nuca de Rafael Sobis e foi expulso pelo árbitro Jorge Larrionda, deixando os donos da casa com um homem a menos em campo.
| SÃO PAULO MANTÉM ESPERANÇA | O São Paulo saiu do Morumbi, nesta quarta-feira, derrotado pelo Internacional por 2 a 1, na primeira partida da final da Copa Libertadores. Porém, ainda resta o segundo e decisivo jogo, na semana que vem, no Beira-Rio, e a esperança tricolor segue.
"São dois jogos. A primeira guerra o Inter venceu, mas tem mais 90 minutos de guerra e podemos vencer. Eles vieram aqui com 70mil e ganharam. Por que não podemos ir lá com 50 (mil) e vencer? Não é a diferença de um gol que vai nos desanimar", disse Souza, ainda confiante. Leia mais | A ausência de Josué no meio-campo, a despeito da movimentação constante do volante Mineiro, ofereceu o domínio da partida ao Internacional. Com mais posse de bola, a equipe gaúcha apostou em toques laterais para tentar abrir a defesa do São Paulo e encontrar espaços para lançamentos. Foi isso que aconteceu aos 18min do primeiro tempo, quando Alex tocou rasteiro para a esquerda e encontrou Jorge Wagner completamente livre. O camisa 23 invadiu a área e chutou cruzado, no meio do gol, para fácil defesa de Rogério Ceni.
Diante da superioridade do Inter, que tinha mais posse de bola e dominava a partida, o São Paulo respondeu apenas com jogadas individuais do centroavante Ricardo Oliveira, único jogador de destaque dos donos da casa. Aos 24min, por exemplo, o camisa 12 ganhou de Ceará na corrida, arrancou com a bola e cruzou rasteiro para Leandro. Dentro da grande área, o atacante dominou e finalizou de pé direita, mas Fabinho travou de carrinho.
O panorama tático da decisão da Libertadores só foi alterado aos 38min do primeiro tempo, quando o volante Fabinho se descontrolou. Depois de uma disputa de bola com Souza perto da linha lateral, o camisa 5 do Internacional deu um tapa no adversário e igualou a quantidade de atletas das duas equipes em campo.
| SOBIS DESCARTA BRIGA | Destaque do Internacional nesta quarta-feira, o atacante Rafael Sobis marcou os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, no Morumbi. Com isso, ele se aproximou do topo da lista de goleadores da Copa Libertadores (a liderança é atualmente dividida por 13 atletas, cada um com cinco bolas nas redes adversárias).
Como ainda tem mais uma partida pela frente, na próxima quarta-feira, no Beira-Rio, Sobis pode até ultrapassar os concorrentes e se tornar artilheiro da Libertadores. Porém, o camisa 11 do Internacional garantiu que não está preocupado com a disputa pessoal.
"Sinceramente, o que eu quero é só conquistar o título. Não faço questão de ser artilheiro e só penso em ajudar a minha equipe sempre. Não estou preocupado com outras coisas", garantiu o atacante do Internacional.
Outros jogadores do Internacional que estão na briga pela artilharia são Fernandão (quatro gols), Renteria (quatro gols) e Michel (três gols).
Pelo lado do São Paulo, o centroavante Aloísio já balançou as redes adversárias cinco vezes e aparece atualmente no topo da tabela de goleadores. Rogério Ceni e Danilo, cada um com três gols, são os outros candidatos da equipe tricolor. | Entretanto, ao contrário da expulsão de Josué, o cartão vermelho recebido por Fabinho não mudou radicalmente o comportamento do Internacional. Apesar de também ter ficado com dez em campo, o time gaúcho continuou com um homem a mais no meio-campo e seguiu superior na posse de bola. "Estamos articulando bem as jogadas e só precisamos acertar mais as conclusões", cobrou o goleiro Clemer.
E quando acertou as conclusões, o Internacional abriu o placar no Morumbi. Rafael Sobis conduziu a bola pelo meio aos 8min do segundo tempo, driblou Fabão para a direita e chutou cruzado, rasteiro. O chute ainda tocou na trave direita de Rogério Ceni, que nada pôde fazer, antes de entrar.
Em desvantagem, o São Paulo saiu mais para o jogo e tentou equilibrar a partida a partir da participação de seus alas, Souza e Júnior, sobretudo em investidas em diagonal. "Temos que aproveitar os espaços e abrir mais o jogo. Estamos afunilando muito e assim fica complicado", admitiu o meia Danilo.
Só que a mudança de postura do São Paulo foi castigada por um contra-golpe certeiro do Internacional, aos 16min do segundo tempo. Alex cruzou da esquerda para o segundo pau e Fernandão tocou de cabeça para o meio. Júnior tentou cortar, mas mandou contra a própria meta e Rogério Ceni defendeu. No rebote, Rafael Sobis completou de primeira e anotou seu segundo gol na partida.
Em vez de sepultar o São Paulo, porém, o gol deu ainda mais ânimo à equipe paulista. Os donos da casa cresceram em campo e atacaram muito. Assim, foram premiados aos 30min e descontaram com um gol marcado por Edcarlos, de cabeça, após cruzamento de Leandro da direita.
SÃO PAULO Rogério Ceni; Fabão, Lugano e Edcarlos (Aloísio); Souza, Mineiro, Josué, Danilo (Lenílson) e Júnior; Leandro (Richarlyson) e Ricardo Oliveira Técnico: Muricy Ramalho
INTERNACIONAL Clemer; Ceará (Wellington Monteiro), Fabiano Eller, Bolivar e Jorge Wagner; Edinho, Fabinho, Tinga, Alex (Índio); Rafael Sobis (Michel) e Fernandão Técnico: Abel Braga
Local: estádio do Morumbi, em São Paulo (SP) Árbitro: Jorge Larrionda (Uruguai) Auxiliares: Pablo Fandiño e Walter Rial (ambos do Uruguai) Cartões amarelos: Souza (S), Fabão (S) Cartões vermelhos: Josué (S), Fabinho (I) Gols: Rafael Sobis, aos 8min e aos 16min; Edcarlos, aos 30min do segundo tempo
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