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31/08/2006 - 09h00
Único "inglês" da seleção, Gilberto Silva traça 3ª Copa como meta
Bruno Freitas Enviado Especial do UOL Em Londres (Inglaterra)
| O RESGATE DA HONRA |
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 UOL Esporte: Você participou como titular do amistoso contra a Noruega em agosto. Qual a impressão do primeiro contato com o Dunga e sua comissão técnica? Gilberto Silva: Foi um contato ótimo. O Dunga e Jorginho mostraram um trabalho simples e objetivo, falando com clareza o que querem da gente.
UOL Esporte: Neste primeiro jogo depois da Copa, vocês remanescentes do que grupo que foi à Alemanha conversaram sobre a campanha no Mundial? Debateram, por exemplo, o que falou à seleção? Gilberto Silva: Sim, conversamos. Queremos recuperar o prestígio da seleção brasileira, que ficou meio deixado de lado com a má campanha na Copa. Todos têm essa consciência. Queremos apagar a impressão que ficou na Copa.
UOL Esporte: Você defende a seleção desde a gestão do Luiz Felipe Scolari e está perto dos 30 anos. Acha que essa experiência o torna naturalmente um líder dentro do grupo? Gilberto Silva: Cada um tem a sua forma de liderança. Mas eu tenho a característica de ser mais tranqüilo.
UOL Esporte: Você é companheiro do Henry no Arsenal. Vocês chegaram a comentar depois da Copa a partida entre Brasil e França no Mundial? Gilberto Silva: Comentamos, mas de forma muito breve. Foi uma conversa muito profissional, sem gozação. Ele tem muito respeito pelo futebol brasileiro. | É conhecida no universo do futebol a veneração do inglês pelo futebol brasileiro, até com intensidade quase exagerada. No entanto, a julgar pelo grupo da seleção que enfrenta nos próximos dias em Londres as equipes de Argentina e País de Gales, parece explícito que a paixão dos fãs da terra de David Beckham e Wayne Rooney pelos pentacampeões mundiais é muito mais platônica do que de fato ativa.
A linha de raciocínio acima se cristaliza especificamente na figura de um personagem da equipe do técnico Dunga. Único jogador do elenco da seleção que disputará os amistosos londrinos que atua na Inglaterra, Gilberto Silva é a exceção da vez de uma tendência histórica.
Exceção que o volante pretende levar mais adiante. "Quero disputar a Copa de 2010, seria minha terceira. Parece uma longa caminhada, mas quatro anos passa num piscar de olhos. De 2002 pra cá foi num estalo. Se estiver em condições, que disputar mais essa", declara o meio-campo.
Apesar da notória admiração do inglês pelo futebol brasileiro, atestada, por exemplo, por uma série de livros, o país inventor do esporte mais popular do mundo nunca foi um nicho de concentração de astros da seleção. Tanto que, reforçando, o volante do Arsenal é no grupo que Dunga convocou para os compromissos diante de Argentina e País de Gales quase um "ser estranho".
A presença estatística de Gilberto Silva como um jogador do futebol inglês na seleção sempre destoou da abundância de convocados oriundos das ligas de Itália e de Espanha, principalmente de atletas da dupla Real Madrid e Barcelona.
"Um dos motivos disso é a dificuldade do jogador que não é da Comunidade Européia atuar aqui. Você precisa ter uma cota mínima de jogos na seleção. Mas acontece que muitos jogadores fazem mesmo a opção por Itália ou Espanha, pela língua e facilidade de comunicação ", afirma o volante do Arsenal.
Pela importância internacional do futebol inglês, esse número reduzido impressiona, ainda mais se levarmos em conta a presença de três jogadores da atual seleção que atuam na muito menos badalada liga da Rússia. Ou, para não ir muito longe, dois atletas que militam na Holanda.
| GILBERTO SILVA NA SELEÇÃO |
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| Convocações: 59 |
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| Jogos: 45 |
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| Minutos jogados: 2.913 |
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| Gols: 1 |
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| Hoje esse papel de representante do futebol inglês pertence a Gilberto Silva. Em outros tempos, foi de Juninho Paulista, ex-Middlebrough. Numa perspectiva histórica mais densa, é só, pára por aí, mesmo com quase uma década decorrida da grande abertura do mercado europeu.
Mas, na opinião do volante do Arsenal, não existe nos critérios de convocação da seleção nenhuma diferenciação de pesos entre a Inglaterra e outras ligas da Europa.
"Hoje o futebol inglês passa muito na televisão. Se você estiver bem, desempenhando o seu papel, acaba sendo convocado", avalia.
Quando chegar ao fim da atual temporada em defesa do Arsenal, Gilberto Silva irá se igualar a Juninho Paulista como o brasileiro que mais tempo atuou no futebol inglês (o meia que hoje defende o Palmeiras soma cinco anos em três passagens pelo Middlesbrough).
Mas o brasileiro pretende estabelecer uma nova marca para os jogadores do país. "Tenho contrato até 2009. Estou muito feliz aqui. Tenho muita tranqüilidade vivendo em Londres", afirma o volante.
Gilberto Silva, que despontou na seleção pelas mãos de Luiz Felipe Scolari e sempre manteve o prestígio na gestão de Carlos Alberto Parreira, parece também que terá trajetória estendida na equipe brasileira na "Era Dunga".
No primeiro amistoso do novo treinador da seleção, no empate por 1 a 1 com a Noruega em agosto passado, o volante foi um dos poucos titulares que permaneceu em campo durante os 90 minutos.
Agora, a seleção volta aos campos da Inglaterra depois de três anos, contados desde a vitória sobre a Jamaica em amistoso em Leicester em 2003. O reencontro acontecerá em terreno familiar a Gilberto Silva, pois o seu Arsenal emprestará seu novo estádio para o amistoso entre Brasil e Argentina no domingo.
"Vai ser uma empolgação a mais jogar com a seleção na casa do meu clube. O bom também é não ter que viajar", declara o volante, que em outubro completa 30 anos. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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