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  01/09/2006 - 08h30
Dunga tem rival e volta de meias como trunfo para embalar na seleção

Bruno Freitas
Enviado especial do UOL
Em Londres (Inglaterra)

Depois da "quebra de gelo" em Oslo, no empate contra a Noruega no último mês, o técnico Dunga dá seqüência a seu incipiente trabalho na seleção nesta sexta-feira, quando a delegação brasileira se apresenta em Londres para a disputa de dois amistosos (Argentina e País de Gales). Na Inglaterra, o regresso pós-Copa dos meias Kaká e Ronaldinho e oportunidade de desafiar os arqui-rivais argentinos são os elementos que podem potencializar o calouro treinador no cargo.

Reuters
Dunga tem seu segundo jogo à frente da seleção brasileira contra a rival Argentina
A possibilidade de derrotar os argentinos num palco importante da Europa, com as duas equipes contando com força máxima, constrói o pacote que pode jogar a favor do futuro imediato de Dunga. É uma oportunidade rara de elevar a auto-estima da seleção em ano de fracasso em Copa.

Historicamente, logo em seguida a decepções em Copas, a seleção não costuma se deparar com um grande rival. Depois da eliminação no Mundial de 1982, por exemplo, o Brasil só voltou a entrar em campo para recomeçar uma trajetória em abril do ano seguinte, vencendo o Chile no Maracanã, com Carlos Alberto Parreira no banco.

A derrota para a França nos pênaltis na Copa de 1986 também encerrou as atividades da seleção naquele ano. Somente em maio de 1987 o Brasil voltou a jogar, no empate da equipe de Carlos Alberto Silva com a Inglaterra.

Em 1990, após o fracasso na Copa da Itália, o novato Falcão assumiu a seleção em situação que continha pontos semelhantes em relação à realidade que Dunga hoje vivencia. Depois da eliminação no Mundial diante da Argentina, o então treinador estreante encerrou o ano sem conseguir erguer a auto-estima do Brasil, somando derrota para Espanha e três empates, dois contra o Chile e outro contra o México.

KAKÁ QUER VIDA NOVA
Reuters
"A Copa passou", diz Kaká ao se apresentar à seleção na Inglaterra
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Querendo ou não, o sentimento espontâneo de "volta por cima" da seleção está no ar.

"Queremos recuperar o prestígio da seleção brasileira, que ficou meio deixado de lado com a má campanha na Copa. Todos têm essa consciência. Queremos apagar a impressão que ficou na Copa", diz o volante Gilberto Silva, que começou a "Era Dunga" como titular na Noruega.

Além da chance de derrotar a rival Argentina, algo que costuma pontuar bons momentos da seleção, Dunga ainda promove as voltas de Kaká e Ronaldinho, que possivelmente regressam para assumir de vez a liderança da seleção.

Se na gestão de Carlos Alberto Parreira a dupla já exercia papel de protagonismo, agora com a saída de cena de símbolos da seleção, como Cafu e Roberto Carlos e, provavelmente, de Ronaldo, Kaká e Ronaldinho devem personificar o novo time de Dunga no ciclo para a Copa de 2010. A expectativa é que essa aposta se torne clara já nos amistosos de Londres.

A SOBERBA ARGENTINA
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A seleção argentina, que chegou nesta sexta-feira a Londres para disputar amistoso contra o Brasil, desembarcou na Inglaterra exibindo uma esforçada impaciência com jornalistas e torcedores. No entanto, dois dos mais jovens jogadores da seleção do técnico Alfio Basile destoaram do comportamento antipático do resto do elenco. A dupla de novatos Lionel Messi e Sergio Aguero exerceu seu carisma, com paciência para todos que cruzavam seu caminho.
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Assim como o treinador, os dois meias têm contra a Argentina chance preciosa de começar a se desvincular da imagem de fracasso do Mundial da Alemanha. Mais do que oportunidade, Kaká e Ronaldinho "recomeçam" na seleção com sentimento de obrigação de mostrar mais.

Na condição de melhor do mundo em 2004 e 2005, Ronaldinho fez Copa decepcionante. Para piorar, seu retrospecto recente na seleção apresenta jejum de mais de um ano sem gols pelo Brasil, em total de dez jogos. O último aconteceu justamente contra a Argentina, na vitória na final da Copa das Confederações.

Kaká também vem de uma Copa tecnicamente abaixo da média. Como seu companheiro de seleção, sabe que as cobranças do novo período da equipe tendem a recair sobre suas costas. Mas o meia do Milan deve contar com todo o respaldo da comissão técnica, que tende que a recuperação do jogador é vital para esse começo de trabalho.

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