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  05/09/2006 - 07h56
Com novatos, seleção vê contra Gales o recomeço de Ronaldinho

Bruno Freitas
Enviado especial do UOL
Em Londres (Inglaterra)

Há apenas três meses, nas vésperas da Copa, Ronaldinho Gaúcho era o ícone maior da seleção, símbolo de uma geração que prometia alcançar feitos extraordinários. Mas com o fracasso brasileiro no Mundial, a reputação do astro na equipe sofreu forte abalo de estrutura, a ponto do meia admitir o recomeço no time no amistoso contra País de Gales em Londres nesta terça-feira, às 15h30 (horário de Brasília).

AFP
Ronaldinho vê recomeço contra galeses em sua 1ª partida pela seleção depois da Copa
O RECOMEÇO DE RONALDINHO
PERFIL DE RONALDINHO GAÚCHO
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Ao lado de um time formado basicamente por calouros, que jamais foram titulares do Brasil, Ronaldinho Gaúcho recomeça sua história pela seleção com missão assumida de resgatar o respeito do torcedor de seu país, que o via antes da Copa como o provável herói do hexa.

Recuperado de uma lombalgia, que o afastou do primeiro amistoso da seleção nesta passagem por Londres (vitória sobre a Argentina por 3 a 0 no domingo), Ronaldinho Gaúcho volta à equipe aceitando os padrões de disputa interna impostos pelo técnico Dunga, que determinam que todo jogador, independente de currículo, deve partir do zero para conquistar seu espaço no ciclo que está começando.

"As críticas vieram, não podia ser diferente, nosso time tinha uma grande expectativa em volta (na Copa). Mas seleção é isso, tem de estar provando e matando um leão por dia. Agora tenho de provar que estou em bom momento e que mereço estar aqui", afirmou o meia do Barcelona na véspera do jogo.

"Isso (buscar espaço no time) é válido para todo mundo, temos que provar que merecemos jogar na seleção. Estou de acordo com o Dunga", concluiu Ronaldinho.

Outro membro do extinto "quarteto ofensivo" de Carlos Alberto Parreira que volta a ser titular é Kaká. Depois de amargar o banco no primeiro tempo contra a Argentina, o meia do Milan regressa ao time com o trunfo de ter decidido a partida contra os rivais sul-americanos na etapa final do amistoso, com assistência perfeita e golaço em jogada individual.

Mas o enredo da partida entre Brasil e País de Gales no estádio White Hart Lane, casa do Tottenham Hotspur, tem alguns outros elementos interessantes, além do teórico protagonismo de Ronaldinho. Alegando motivos físicos, em razão do intervalo de 48 horas desde o amistoso contra a Argentina, Dunga decidiu poupar sua última equipe titular e mandará a campo uma legião de novatos.

GALESES NA HISTÓRIA DA SELEÇÃO BRASILEIRA
Apesar de ter uma história no futebol internacional quase insignificante, o País de Gales faz parte de um capítulo importante da história da seleção brasileira. Foi contra os galeses que Pelé, nas quartas-de-final da Copa de 1958 na cidade de Gotemburgo, fez o primeiro de seus 95 gols pela seleção.

O confronto do Mundial da Suécia foi o primeiro e mais importante dos nove já realizados entre Brasil e País de Gales. Ao todo, a seleção soma sete vitórias, um empate e apenas uma derrota.

O único revés brasileiro aconteceu em 1991, na derrota por 1 a 0 em Cardiff. Neste jogo estava presente o ex-lateral Jorginho, atual auxiliar de Dunga na seleção.

No último encontro entre brasileiros e galeses, em 2000, a vitória foi da seleção, que na época estava nas mãos de Vanderlei Luxemburgo. Élber, Cafu e Rivaldo marcaram no triunfo por 3 a 0.

Os adversários do Brasil no amistoso desta terça em Londres ainda têm como destaque o veterano Ryan Giggs, meia-atacante do Manchester United. Craig Bellamy, do Liverpool, é outra peça importante do time do técnico John Toshack.

O País de Gales chega ao amistoso contra o Brasil depois da derrota no último sábado para a República Tcheca por 2 a 1, na rodada de abertura das eliminatórias da Eurocopa.
Por isso, caras inusitadas na seleção, que jamais foram titulares, farão do duelo contra o País de Gales uma decisão particular. É o caso do goleiro Fábio, do zagueiro Alex, do lateral Marcelo e dos atacantes Vágner Love e Rafael Sobis.

"Para mim, não é amistoso. Vou entrar com tudo. Agarrar essa oportunidade com unhas e dentes", declarou Vágner Love diante da oportunidade inédita. "Vou procurar ir bem para voltar em outras convocações", concluiu, com discurso de novato, o atacante do CSKA russo.

Com a justificativa de preservar o estado físico de muitos de seus jogadores importantes, Dunga acaba por tabela criando a oportunidade de ver novos jogadores, que entram em campo contra os galeses debaixo da pressão das declarações do próprio treinador. Nos últimos dias, o novo comandante da seleção deixou claro que esse tipo de jogo vale bastante na briga por uma vaga no grupo.

"É neste momento que o jogador tem que mostrar que é atleta de seleção. São jogos como esse (Argentina e País de Gales). Não adianta ir bem o ano todo no clube e não conseguir ir bem na seleção", ponderou o treinador.

A única dúvida na equipe titular do Brasil para o jogo desta terça-feira contra o País de Gales em Londres reside na lateral direita. Maicon, que foi reserva contra a Argentina e, teoricamente, teria sua chance, se recupera de uma inflamação na garganta. Por isso, Cicinho pode ser o único titular do primeiro amistoso a ter a escalação repetida.

BRASIL x PAÍS DE GALES

Data: 05/09/2006 (terça-feira)
Horário: 15h30 (horário de Brasília)
Local: estádio White Hart Lane, em Londres (ING)

Brasil
Fábio; Cicinho (Maicon), Luisão, Alex, Marcelo; Dudu Cearense, Júlio Baptista, Kaká, Ronaldinho Gaúcho; Vágner Love e Rafael Sobis
Técnico: Dunga

País da Gales
Jason Brown; James Collins, Mark Delaney, Robert Edwards, Danny Gabbidon; Simon Davies, Carl Fletcher, Carl Robinson, Craig Bellamy; Robert Earnshaw e Ryan Giggs
Técnico: John Toshack

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