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  07/09/2006 - 09h28
Botafogo e Fluminense duelam pela 1ª vez em torneio internacional

Do Pelé.Net
No Rio de Janeiro

No ano em que o Clássico Vovô completa cem anos de existência, Botafogo e Fluminense se enfrentam pela primeira vez na história dos clubes por uma competição internacional oficial. Na próxima quinta-feira, às 19h, no Maracanã, os rivais estréiam na Copa Sul-Americana de 2006.

VOVÔ CENTENÁRIO
O confronto entre Botafogo e Fluminense ganhou o apelido de Clássico Vovô por ser o mais antigo embate entre dois times grandes do Rio de Janeiro e do Brasil.

Por sinal, este é um dos mais remotos confrontos do futebol sul-americano. Perde apenas para o uruguaio Nacional x Peñarol, que existe desde 1891, se for considerado este o ano de fundação do Peñarol. Na época, o clube, que só ganhou o nome atual em 1913, era chamado Central Uruguay Railway Cricket Club.

O primeiro Clássico Vovô oficial aconteceu em 13 de maio de 1906, pela edição inaugural do Campeonato Carioca. E de cara, resultou na maior goleada da história do embate: 8 a 0 para o Fluminense.
"Com certeza, esse clássico vai ficar marcado nas histórias de Botafogo e Fluminense. Quando a gente entrar em campo, vai ter um gostinho diferente e uma vontade especial de vencer", disse o zagueiro Rafael Marques, do Fogão.

Mas a conquista da vaga para a Sul-Americana gerou sentimentos opostos nos rivais. Enquanto os alvinegros (afastados das competições internacionais desde 1996) festejaram muito a classificação ao terminarem o Brasileiro de 2005 na nona posição, os tricolores lamentaram, já que deixaram escapar um lugar na
Libertadores ao serem derrotados nas últimas cinco rodadas, ficando em quinto.

Entretanto, após quase um ano, os jogadores do Fluminense expõem a cicatrização das feridas ao se mostrarem motivados para a disputa do segundo mais importante torneio interclubes da América do Sul.

"Estamos encarando com total seriedade. Um título nunca é demais. É uma competição forte e vamos encarar esses dois jogos [7 e 14 de setembro] como duas decisões de campeonato", disse o volante Marcão, capitão tricolor.

Em jogo, também está um tabu. Há quase dois anos, o Botafogo não consegue derrotar o rival. A última vitória alvinegra aconteceu em outubro de 2004. De lá para cá, houve cinco jogos, três vitórias tricolores e dois empates, ocorridos nos últimos clássicos.

Contudo, o Botafogo aposta na fase altamente superior à do rival para acabar com o jejum. Enquanto o Alvinegro venceu seus últimos quatro jogos, contra Cruzeiro, Fortaleza, Paraná e Atlético-PR (todos pelo Brasileiro), sendo os dois mais recentes por goladas (4 a 0 e 5 a 0), o Tricolor não vence há seis partidas.

Apesar disso, os alvinegros descartam favoritismo. "É outra competição, totalmente diferente do Brasileiro. E quando a fase não é boa para uma equipe, nada melhor do que vencer um clássico. Por isso, devemos estar mais atentos do que o normal", afirmou o zagueiro Juninho.

Só para disputar a fase preliminar do torneio, Botafogo e Fluminense recebem cota de US$ 50 mil da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), mais US$ 10 mil de publicidade estática. O time que se classificar vai enfrentar o Gimnasia La Plata, da Argentina, que já entra nas oitavas-de-final, estágio que rende US$ 60 mil de cota mais US$ 10 mil de publicidade aos participantes.

Ferrolho alvinegro x novo ataque tricolor
Devido a dois importantes desfalques ofensivos e o fato de ter o mando de campo (numa competição na qual o gol fora de casa é critério de desempate), o Botafogo deverá enfrentar o Fluminense, que terá um novo ataque formado por Tuta e a revelação Osmar, com um esquema mais defensivo.

RETORNO ALVINEGRO
Na quinta-feira, o Botafogo volta a disputar uma competição internacional após dez anos. A última participação do Fogão num torneio deste tipo aconteceu em 1996, quando o time jogou a Libertadores e conquistou o Troféu Teresa Herrera. Já o Fluminense disputou a Copa Sul-Americana do ano passado, sendo eliminado pela Universidad Católica, do Chile.
Como não terá o meia Zé Roberto, com estiramento na coxa esquerda, e o atacante Reinaldo, com dores musculares, o técnico Cuca deverá escalar o cabeça-de-área Alê (formando assim um meio-campo com três volantes na frente dos três zagueiros) e Jefferson Feijão ao lado de Lima no ataque.

"O mando de campo é nosso. Existe diferença de gols, ao contrário da final da Copa do Brasil, que não havia gol fora. Temos que saber jogar com o regulamento", admitiu Cuca.

Por outro lado, o treinador alvinegro ainda cogita a possibilidade de escalar um atacante no lugar de Zé Roberto, mantendo o esquema com três homens de frente que marcou 12 gols (sendo seis de Zé Roberto e Reinaldo juntos) nos últimos três jogos.

"Temos a alternativa de pôr o Alê do lado do Claiton, adiantando o Diguinho [na função de Zé Roberto], ou de manter os três atacantes, colocando o Wando ao lado do Jefferson Feijão e do Lima", afirmou o técnico.

No Fluminense, o técnico Antônio Lopes barrou o atacante Lenny para escalar Osmar, que faz sua estréia como titular após se destacar no segundo tempo do clássico contra o Vasco, no último domingo, pelo Brasileiro.

O treinador vai manter o esquema 4-4-2 em detrimento da formação com três zagueiros, que vinha sendo utilizada antes do jogo contra o Vasco. Mas a exemplo do Botafogo, o time também deverá ter uma postura mais defensiva, já que Juliano será o único meia de origem, contando com a ajuda do volante Arouca na armação das jogadas.

BOTAFOGO x FLUMINENSE

Data: 07/09/2006 (quinta-feira)
Horário: 19h
Local: estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Wagner Tardelli (Fifa-RJ)
Auxiliares: Aristeu Leonardo Tavares e Hilton Rodrigues (ambos do RJ)

Botafogo
Lopes; Rafael Marques, Juninho e Asprilla; Ruy, Alê (Wando), Claiton, Diguinho e Júnior César; Jefferson Feijão e Lima
Técnico: Cuca

Fluminense
Diego; Rissut, Anderson, Thiago Silva e Roger; Marcão, Romeu, Arouca e Juliano; Osmar e Tuta
Técnico: Antônio Lopes


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