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  12/09/2006 - 19h22
Pressão da Ferj esvazia Assembléia

Vinícius Barreto Souto
Especial para o UOL Esporte
No Rio de Janeiro

Durante a Assembléia Geral desta terça-feira, convocada por um quinto dos filiados à Ferj para discutir a sucessão presidencial da federação, vários representantes acusaram a entidade de fazer pressão sobre os membros na tentativa de esvaziar a sessão.

RUBENS LOPES PODE SER PUNIDO
De acordo com o diretor jurídico do Botafogo Vantuil Gonçalves, Rubens Lopes pode ser punido por tentar atrapalhar a realização da Assembléia.

"A federação tentou de tudo para atrapalhar a reunião e pode até responder civil e criminalmente por isso, através de decisão do juiz da sexta vara cível", disse o advogado alvinegro.
Além de todos ganharem um telegrama que garantia a ilegalidade da reunião, alguns também receberam telefonemas e até um convite para um churrasco, a ser realizado na mesma hora do encontro na sede do América.

"A pessoa que se diz presidente [Rubens Lopes] marcou, para o momento dessa assembléia, um churrasco em Paracambi [município do interior do estado] com as ligas da região. Foram todos convidados para esse almoço num momento em que a federação deve R$ 30 milhões, mas encontra forças para pagar boca-livre para as ligas", disparou Pedro Trengrouse, representante da Liga de Bom Jesus do Itabapoana, outra cidade do interior do Rio de Janeiro.

"Recebi uma ligação nos convidando para uma churrascaria que, inclusive, pertence a um diretor da federação", confirmou Luiz Carlos Pina, presidente da Liga de Desportos de Nova Iguaçu.

"Andaram telefonando para vários clubes da segunda e da terceira divisão. Tinha um tal de senhor Bitencourt se dizendo em nome do presidente Márcio Braga comunicando que não haveria a reunião", disse o presidente rubro-negro.

Desta forma, dos cerca de 40 filiados que assinaram a ata para a convocação da Assembléia Geral desta terça, apenas 19 compareceram ao encontro.

"Gostaria de parabenizá-los pela coragem de estarem aqui presentes. São verdadeiros heróis de uma batalha surda que se trava com pessoas que se dizem desportistas, mas não merecem nem serem tratados como senhores", elogiou Márcio Braga, referindo-se principalmente aos representantes dos clubes pequenos, que se dizem coagidos pela Ferj.

TELEGRAMA NA ÍNTEGRA
A Ferj comunica a todos os seus filiados que não convocou nenhuma assembléia, conforme divulgação publicada na imprensa. Trata-se de um movimento ilegal e que descumpre frontalmente o estatuto da federação e a legislação vigente, em especial o Código Civil Brasileiro, fomentado por elementos desagregadores.
De qualquer forma, a reunião foi validada pelo Juiz Heleno Pereira Nunes porque sua realização teve a concordância de um quinto dos filiados à Ferj, quorum mínimo considerado necessário pelo Código Civil.

"Os clubes da primeira divisão deram um péssimo exemplo hoje. Essa Assembléia deveria estar sendo realizado com auditório lotado, mas isso não aconteceu. Não por opção e sim por medo das práticas perseguitórias que essas pessoas empregam na federação", disse Pedro Trengrouse.

Dos 19 filiados que compareceram à Assembléia desta terça, apenas três não votaram pela nomeação de Hildo Nejar: o Profute, da terceira divisão, que se retirou no meio da reunião e com isso não votou, além de América e Teresóplois Futebol Clube, que votaram pela abstenção.

Já Flamengo, Botafogo, Ceres, Campo Grande, Estácio de Sá, La Coruña, Esprof e as Ligas municipais de Macaé, Bom Jardim, Queimados, Nova Iguaçu, Teresópolis, Japeri, Belford Roxo, Bom Jesus do Itabapoana e Cantagalo votaram pela nomeação de Hildo Nejar.

Ao todo, a Ferj conta com 178 filiados - 89 ligas municipais, 50 clubes da terceira divisão, 27 da segunda e 12 da primeira.


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