| |
06/10/2006 - 12h29
Seleção brasileira e Pelé selam paz no Kuait
Daniel Tozzi Enviado especial do UOL Na Cidade do Kuait (Kuait)
Depois de se envolver em polêmicas com a seleção brasileira da Copa de 2006, tendo Cafu, Ronaldo, Roberto Carlos e o técnico Carlos Alberto Parreira como interlocutores, o ex-jogador Pelé selou paz com a nova versão da equipe nesta sexta-feira, na Cidade do Kuait.
Pelé se reuniu com o novo treinador Dunga, seu assistente Jorginho e o supervisor Americo faria. O "Rei do Futebol" havia enviado uma carta de apoio ao capitão da seleção de 1994 e foi ratificar o apoio.
"Fiz questão de mostrar meu apoio por escrito, para não pensarem que era 'cascata'. Confio na capacidade do Dunga, acho que ele tem todas as condições de ser um grande treinador, e acho que o sucesso dele vai depender muito também do fator sorte, que é importante também no futebol", disse Pelé ao site da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
O tricampeão do mundo elogiou o começo de trabalho de Dunga, que inclui empate de 1 a 1 com a Noruega e vitórias de 3 a 0 em cima da Argentina e 2 a 0 no País de Gales. "Isso foi muito bom. Depois do fracasso na Copa, ele assumiu e já conseguiu dar a alegria ao torcedor brasileiro vencendo a Argentina."
Para completar, Pelé ainda destacou a parcial renovação comandada pelo técnico. "Em 1958, fui campeão mundial com 17 anos. Em 1970, houve outra renovação, já que a maioria do grupo que fora bicampeão tinha parado. Será sempre assim, em períodos de transição, o importante é que a renovação aconteça de maneira gradual, como o Dunga está fazendo."
Dunga recebeu as declarações de braços abertos e afirmou que pretende usar Pelé como modelo na preparação de seu time. "Pelé, eu cito sempre o seu exemplo, que um dia ficou na reserva da Seleção Brasileira. Digo a eles que, se o Pelé ficou no banco sem criar problema, ninguém tem o direito de fazer diferente."
O encontro também serviu para zerar farpas entre os dois ex-atletas. Em setembro, Pelé falhou em comparecer em um evento da Associação dos Campeões Mundiais de Futebol, entidade que ampara jogadores que participaram da conquista dos cinco títulos da seleção. E foi criticado por Dunga.
Carlos Alberto Torres, capitão da seleção de 1970, foi quem deu o tom. "Não posso entender como algumas pessoas não estão aqui, principalmente o Pelé e o Tostão. Eu me revolto quando falta companheirismo", disse ao jornal Folha de S.Paulo. Depois, Dunga emendou: "Vamos esquecer aqueles que não querem participar. Como o Carlos falou, muita coisa me machuca."
Dunga comanda treino da seleção no Kuait ainda nesta sexta-feira, para definir a escalação para a partida de sábado, contra um combinado de jogadores do país.
UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
|