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09/11/2006 - 22h27
Cruzeiro é goleado pelo Santa Cruz e vê Libertadores distante
Da Redação Em Belo Horizonte
Para um time que precisava vencer para se manter com chances reais de chegar à Libertadores e que enfrentava o lanterna do Brasileiro, o Cruzeiro jogou muito mal e foi goleado pelo Santa Cruz, por 4 a 1, nesta quinta-feira, no Arruda, em Recife. Dessa forma, o time de Oswaldo de Oliveira desperdiçou a chance de encostar no Paraná e Vasco, seus concorrentes mais próximos na disputa pela classificação à principal competição continental. O jogo terminou com os torcedores do Santa gritando "olê". O técnico do Cruzeiro apostou no retorno de Wagner, que cumpriu suspensão automática contra o Vasco, e na manutenção da dupla de atacantes formada por Diego e Ferreira, para tentar a vitória, mas brilhou a estrela de Júnior Maranhão, do Santa Cruz, que marcou três gols. E, mais uma vez, o Cruzeiro ressuscitou um adversário desesperado. Antes isso havia acontecido contra Fortaleza e Corinthians.
Foi uma partida irreconhecível do Cruzeiro, que só jogou de forma razoável nos 15 minutos do primeiro tempo. Já o Santa Cruz, apesar de virtualmente rebaixado e em grave crise, com direito a salários atrasados e saídas de jogadores, demonstrou vontade e buscou o ataque bem mais que o adversário. Os dois gols da equipe pernambucana, no entanto, foram marcados em cobranças de faltas, em chutes de Júnior Maranhão.
Ao contrário de muitos outros jogos nesse Brasileiro, em que salvou sua equipe, o goleiro Fábio foi responsável direto pelo segundo gol do Santa Cruz. Toda a equipe esteve mal, errando passes e criando poucas oportunidades de gols. Os jogadores demonstravam nervosismo e reclamaram muito do árbitro goiano Elmo Alves Resende Cunha.
O Santa Cruz não vencia há sete jogos e não derrotava o Cruzeiro, em jogos válidos por Campeonato Brasileiro há 21 anos. Pela atual competição, a equipe pernambucana vinha de seis derrotas e um empate. O último triunfo havia acontecido em 24 de setembro, quando tinha derrotado o Juventude, por 1 a 0.
Já o Cruzeiro teve interrompida sua reação no Brasileiro, pois vinha de sete pontos conquistados em nove disputados e havia vencido sua última partida contra o Vasco, domingo passado, no Mineirão, por 3 a 1, e também o jogo anterior como visitante, diante do Goiás, no Serra Dourada, por 3 a 2. O empate, no meio dessas duas partidas, foi contra o Paraná, em 2 a 2.
Com a derrota para o Santa Cruz, o Cruzeiro se manteve com 49 pontos, a quatro de Paraná, quinto colocado, e de Vasco, o sexto, ambos com 53. Faltando 12 pontos, matematicamente, o time ainda tem chances de disputar a Libertadores, mas não vem demonstrando força suficiente para alcançar esse objetivo. No próximo domingo, o Cruzeiro, novamente como visitante, enfrentará o Fluminense, equipe que briga para não cair.
Apesar da boa atuação e da vitória convincente, o Santa Cruz continua em situação muito difícil na classificação e dificilmente escapará do rebaixamento. O time pernambucano passou a 28 pontos, a três do vice-lanterna, o Fortaleza. O Santa Cruz recebe, na próxima rodada, o São Caetano, antepenúltimo colocado, com 33 pontos, em um confronto direto.
O jogo
Um chute de Jorge Henrique, aos 2min, defendido com facilidade pelo goleiro Fábio mostrou que o Santa Cruz, apesar de praticamente rebaixado à Série B, não iria abrir mão de atacar. Só que foi o Cruzeiro que levou perigo ao gol adversário. Aos 5min, Wagner, que voltou a jogar na sua posição de origem, no meio-campo, recebeu a bola e bateu de esquerda, acertando a trave. Dois minutos depois, Élson cruzou na cabeça de Diego que errou o alvo.
Apesar das remotas chances de escapar da Segunda Divisão em 2007, o Santa Cruz jogava sem grandes preocupações defensivas. Isso gerava espaços para o Cruzeiro, que também buscava a vitória, mas em compensação resultava em ataques perigosos ao gol defendido pelo goleiro Fábio. Aos 10min, por exemplo, Mirandinha avançou pela direita e cruzou para Nenê, que na saída do camisa um cruzeirense tocou a bola por cima do travessão.
Mais presente no ataque nos 15 minutos iniciais, o Cruzeiro voltou a desperdiçar boa chance e novamente com Wagner, artilheiro da equipe no Brasileiro com 11 gols. Ele recebeu livre, ajeitou e bateu forte, mas para fora. A partir daí, só deu Santa Cruz. O Cruzeiro não acertou mais nada, demonstrando apatia e falta de criatividade.
O Santa Cruz, que finalizou 11 vezes no primeiro tempo, contra apenas quatro do time visitante, criou e desperdiçou boas chances, aos 22min, com Mirandinha e Júnior Maranhão, aos 26min. Cinco minutos depois, no entanto, o mesmo Júnior Maranhão acertou belo chute, em cobrança de falta, abrindo o marcador. Aos 35min, o goleiro celeste tentou driblar o atacante Nenê, chegou a perder a bola, mas o zagueiro André Luís o ajudou e evitou o segundo gol.
"Estamos mostrando personalidade e provando que a gente vem tentando fazer o melhor, mas infelizmente as coisas não saíram como a gente queria", comentou Júnior Maranhão, ao deixar o gramado para o intervalo. "Somos homens, temos que ter dignidade e honrar a camisa do Santa até o final", acrescentou Recife. Já o volante Élson não gostou nada da atuação do Cruzeiro na etapa inicial. "Temos de melhorar muito", destacou. Para tentar a virada, o técnico Oswaldo de Oliveira abriu mão do 3-5-2, com a entrada do meia Kerlon, um jogador bastante ofensivo, no lugar do zagueiro Eliézio. "Vamos jogar no 4-4-2 e precisamos de um resultado positivo", comentou o jovem jogador. Mas logo a 2min, foi o Santa Cruz que ampliou o marcador.
A exemplo do primeiro gol, o time pernambucano marcou em uma cobrança de falta e mais uma vez em um chute forte de Júnior Maranhão. Só que dessa vez ele contou com a colaboração do goleiro Fábio, que falhou feio. No minuto seguinte, o Cruzeiro reclamou de um pênalti não marcado pelo atacante Diego.
Quando atuava mal, o Cruzeiro conseguiu diminuir a vantagem do adversário. Diego aproveitou um rebote, ajeitou a bola e encobriu o goleiro Anderson, colocando a bola no ângulo. Esse lance animou o time visitante, que ensaiou uma pressão. Só que em um descuido celeste, o Santa Cruz encaixou um contra-ataque e marcou o terceiro gol. Osmar recebeu livre pela direita e cruzou na medida para Júnior Maranhão marcar pela terceira vez.
O gol abalou o Cruzeiro, que voltou a errar demais e, em alguns momentos, parecia desinteressado da partida. Aos 30min, Fábio ainda fez uma grande defesa em chute de Reginaldo Araújo. Para tentar mudar a situação, Oswaldo de Oliveira promoveu a estréia de Fábio Pinto, contratado há mais de 40 dias, que entrou no lugar de Ferreira.
A mudança não deu o efeito esperado. Pior é que Léo Silva, que havia entrado minutos antes, foi expulso, aos 40 min, e os jogadores celestes ainda tiveram de ouvir os cerca de 1.500 torcedores do lanterna, gritarem "olé". Aos 43min, a derrota virou goleada, quando Jairo, de 17 anos, acertou um chute semelhante ao de Nelinho, na Copa de 78, encerrando a vitória do Santa Cruz com um golaço.
Santa Cruz Anderson; Osmar, Hugo, Wilson Surubim e Reginaldo Araújo; Júnior Maranhão, Bruno Lança, Augusto Recife e Jorge Henrique (Elvis); Mirandinha e Nenê (Jairo) Técnico: Fito Neves
Cruzeiro Fábio; Teco, Eliézio (Kerlon) e André Luís; Gabriel, Martinez (Léo Silva), Élson, Wagner e Leandro; Ferreira (Fábio Pinto) e Diego Técnico: Oswaldo de Oliveira
Data: 9/11/2006 - quinta-feira Local: estádio Arruda, em Recife (PE) Público: 1.412 pagantes Renda: R$ 5.470 Árbitro: Elmo Alves Resende Cunha (GO) Auxiliares: Fabrício Vilarinho da Silva (GO); Flávio Gilberto Kanitz (GO) Cartões amarelos: Élson (C), Jorge Henrique (SC), Gabriel (C), Eliézio (C), Diego (C), Kerlon (C), André Luís (C) Cartões vermelhos: Léo Silva (C) Gols: Júnior Maranhão, aos 33min do primeiro tempo; Júnior Maranhão, aos 2min, Diego, aos 14min, Júnior Maranhão, aos 17min do segundo tempo
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