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  19/11/2006 - 18h11
Após nove anos, Muricy cumpre meta e finda rótulo regionalista

Marcius Azevedo
Em São Paulo

"Não gostei de sair. Ainda vou voltar para conquistar algo importante". A frase foi proferida pelo técnico Muricy Ramalho em 1997, quando, contrariado, deixou o Morumbi. Agora, em 2006, depois de idas e vindas, o treinador pôde, enfim, cumprir o prometido ao comandar o São Paulo na conquista do Campeonato Brasileiro.

Neste domingo, Muricy igualou feito de Telê Santana, Rubens Minelli e Pepe, que também conquistaram um título brasileiro pelo clube.

Folha Imagem
Muricy Ramalho voltou ao São Paulo para conquistar o Campeonato Brasileiro 2006
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"É importante demais [conquistar um título brasileiro]. É o título mais importante da minha carreira. Está entre os [campeonatos] mais difíceis do mundo. Na Itália, Espanha... são sempre três, quatro times que têm chance de conquistar o título. Aqui começamos com, no mínimo, sete favoritos. A dificuldade de ganhar o Brasileiro é enorme. Para qualquer profissional é ótimo vencê-lo", discursou.

O título brasileiro também finda um incomodo rótulo que acompanhava o treinador. Até então, Muricy só havia conquistado títulos estaduais e alguns sem muita expressão, como a Copa Conmebol, Supercopa da Conmebol e Copa dos Campeões Mundiais.

Em 2001, o treinador foi campeão pernambucano pelo Náutico e tirou o clube de um jejum de 11 anos sem títulos estaduais. A última conquista havia sido em 1989. No ano seguinte, Muricy conquistou ainda o bicampeonato em Recife.

O sucesso levou o técnico para o Internacional e, em 2003, ele foi campeão gaúcho. Em 2004, Muricy foi trabalhar no São Caetano e manteve o desempenho: levou o time do ABC ao primeiro título da sua história no Paulista. Já em 2005, novamente no Beira-Rio, conquistou o quinto estadual seguido.

Muricy também viu ser pulverizado o rótulo de vice, que o acompanhou durante todo o ano, já que, pelo São Paulo, foi vice-campeão paulista, da Libertadores e da Recopa. Antes disso, ainda havia perdido o título brasileiro de 2005 para o Corinthians.

"Aqui [no Brasil] é engraçado. Ninguém valoriza o vice. Bom deve ser quem luta para não cair. Quem chega à final não presta", esbraveja o são-paulino.

No entanto, o treinador rejeita, agora, receber algum reconhecimento. "Posso não ser valorizado por vocês [imprensa], mas no meu meio sou muito valorizado. Todos sabem como eu trabalho, da minha dedicação...", finalizou.

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