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21/11/2006 - 15h52
'Insatisfeito', Leandro foca o tetra da Libertadores
Leandro Canônico Em São Paulo
Campeão brasileiro pelo São Paulo no último domingo, Leandro não está satisfeito. Titular do técnico Muricy Ramalho, o atacante já prioriza a conquista de outro tetracampeonato: o da Copa Libertadores, competição que a equipe perdeu este ano para o Internacional.
Campeão do Torneio Rio-São Paulo e da Copa do Brasil pelo Corinthians em 2002, e do Estadual do Rio com o Fluminense no ano passado, Leandro, que se declara são-paulino, tem contrato com o time do Morumbi até 2009. "É o emprego dos sonhos", disse.
A meta de retornar ao futebol paulista por cima foi cumprida em grande estilo. Mas, antes, Leandro passou por algumas dificuldades. Não no futebol brasileiro, mas sim no russo. Contratado pelo Lokomotiv Moscou, ele sofreu com a "cultura" e com o frio do país europeu. Depois disso passou por Goiás e Fluminense.
"Eu assinei um contrato de três anos e fiquei apenas um. Se fosse atualmente nem iria. Continuaria no Brasil. Lá era muito complicado, porque era difícil o relacionamento no grupo. No refeitório, por exemplo, o pessoal de lá tinha uma mesa separada da nossa. Era a cultura deles, não discriminação", relatou o atacante.
Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, concedida no Memorial do São Paulo, no estádio do Morumbi, Leandro fala sobre novas conquistas, união do grupo, Telê Santana, frustração de ter perdido a Libertadores para o Internacional e conta detalhes do pacto feito pelos jogadores para conquistar o Campeonato Brasileiro.
UOL Esporte - No dia da conquista do Campeonato Brasileiro, você comemorou de maneira inusitada: em cima do travessão. Como chegou lá? Leandro - [risos] Não faço idéia. Quando reparei já estava pendurado na trave comemorando. Na hora da emoção vale tudo, mas agora, com calma, eu penso que poderia ter me machucado, quebrado uma perna...
UOL Esporte - A conquista do Brasileiro é considerada por você a mais importante de sua carreira? Leandro - O título mais importante para mim é sempre o que está por vir. O elenco todo do São Paulo não está acomodado. Estamos fechados entre nós de que no ano vem que temos de ganhar a Libertadores da América.
UOL Esporte - Por falar em Libertadores, como foi o clima no vestiário nos jogos finais, já que na primeira partida o Josué foi expulso aos 10min e na segunda o Rogério Ceni falhou no primeiro gol do Internacional? Leandro - Foi de frustração. Mas ao mesmo tempo demos total apoio ao Josué e ao Rogério e mostramos a eles que não estavam sozinhos, que éramos um grupo e superaríamos aquela perda rapidamente.
UOL Esporte - Foi nesse momento que o Muricy Ramalho chamou o grupo para uma conversa? Como foi esse papo? Leandro - Sim. Exatamente. Fizemos uma reunião e falamos tudo que estávamos sentindo naquele momento. Todos os jogadores deram seu ponto de vista. E o meu foi de que tínhamos força para continuar bem no Campeonato Brasileiro e que não podíamos desanimar.
UOL Esporte - Nessa mesma época, que foi quando o São Paulo embalou de vez, a sua identificação com a torcida aumentou. Como você vê um jogador que fez sucesso num arqui-rival fazer também em outro time rapidamente? Leandro - Sou muito grato pelo carinho que a torcida do São Paulo tem por mim. Eu acho que me identifico porque quando entro em campo me transformo numa outra pessoa, que briga pelo seu time e dá o máximo para chegar mais próximo da perfeição. Acho que é por isso que foi rápida a identificação.
UOL Esporte - O São Paulo é o clube mais importante na sua carreira? Leandro - Sem dúvida. Em nenhum outro clube que passei fui valorizado e reconhecido como aqui. E se tem algo que gosto na vida é de ser reconhecido pelo meu trabalho. O que não aconteceu em outras equipes.
UOL Esporte - Em qual clube você foi desvalorizado? Leandro - No Fluminense. Todo mundo sabia que não tinha condições de jogar algumas vezes, por estar lesionado, mas mesmo assim entrava em campo e dava o máximo. Se fosse num clube como o São Paulo, que tem uma estrutura, eu teria me recuperado melhor. E depois de tudo isso ainda ouvi na hora da renovação que a diretoria não conseguia avaliar o meu desempenho.
UOL Esporte - Defina em uma palavra o que representa o São Paulo para você? Leandro - Companheirismo.
UOL Esporte - Como torcedor do São Paulo, quem mais te marcou na infância? Leandro - Sem dúvida o Telê Santana, pelas conquistas das duas Libertadores e dos dois Mundiais. Comemorei bastante.
UOL Esporte - Para finalizar, deixe uma mensagem para o torcedor são-paulino? Leandro - Queria agradecer o apoio de todos, porque eles fizeram a diferença nesta reta final de Campeonato Brasileiro. E dizer que para o ano que vem o time está focado em mais conquistas. Continuem nos apoiando. Esse reconhecimento da torcida eu vou usar de exemplo para o meu filho, Leandrinho.
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