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  24/11/2006 - 12h43
Leão pede "diferenciados", mas aceita Corinthians "bom e barato"

Danilo Valentini
Em São Paulo

A tumultuada situação política interna do Corinthians e a indefinida atuação da MSI sem Kia Joorabchian ainda não foram suficientes para desanimar o técnico Emerson Leão, que, mesmo sabendo das limitações de investimentos para contar com os jogadores "diferenciados", confirma que a política do "bom e barato", se for bem usada, pode ser a saída para a equipe almejar títulos em 2007.

FOLHA ENXUTA ANIMA
O que faz Leão acreditar que mesmo sem jogadores "diferenciados" será possível montar uma equipe competitiva para 2007 é o fato que a folha de pagamentos do clube ganhou um respiro significativo desde as saídas de Mascherano, Marcelinho Carioca, Ricardinho e Tevez e a suspensão de Carlos Alberto.

Mesmo sem citar valores, a diretoria do clube afirma que o déficit mensal com o departamento de futebol já não é mais R$ 5 milhões, como chegou a acontecer em 2005 e no primeiro semestre deste ano.

"A folha de pagamento já baixou bastante. Já aconteceu espontaneamente uma diminuição, e quem sabe não ajuda nas contratações", diz o técnico, que cada vez mais trata a eventual permanência de Nilmar como algo pouco provável. "É difícil".
DUPRAT GERA DÚVIDAS
LEÃO FAZ LISTA DE REFORÇOS
Procurando manter o otimismo e acreditar que o presidente Alberto Dualib possa investir até R$ 20 milhões, como foi informado em reunião realizada nesta semana, e que contou também com a participação de Renato Duprat, suposto representante da MSI, o técnico do Corinthians declarou nesta sexta que sua prioridade é formar um elenco que lhe forneça possibilidades múltiplas e que priorizem a qualidade, e não a quantidade de jogadores.

Reiterando a posição manifestada pelo diretor de futebol do Corinthians, Edvar Simões, que na quinta-feira deu como exemplo o meia Lúcio, do Fortaleza, como o jogador que "atende ao perfil de planejamento do Leão", o técnico sinalizou que não acha ruim a possibilidade do clube se encaixar no "bom e barato", termo usado de forma pejorativa por equipes que montam equipes com orçamento limitado apostando em bons resultados.

"O bom e barato é difícil, porque os garimpeiros (leia-se empresários) do futebol brasileiro já passaram a mão em tudo. Mas se acharmos ótimos e de graça, maravilha. O problema é que quem já fez isso escolheu um barato sem saber que era bom. Papagaio de pirata escolhendo barato não dá certo", brincou Leão, que voltou a falar de boca cheia de Lúcio, com quem conversou quando o Corinthians foi enfrentar o Fortaleza, há três semanas.

O técnico, porém, usa o exemplo do jogador, a quem defendeu sua contratação veementemente, como modelo de dificuldade que o Corinthians enfrentará para contratar atletas vinculados a outras equipes, como é o caso de Lúcio, que tem compromisso com o Fortaleza até dezembro de 2007. Por isso, Leão acredita que a melhor solução é continuar de olho na lista de jogadores que têm contrato a expirar no fim deste ano.

DEFESA LIBERADA
Folha Imagem
O zagueiro Marinho foi poupado, mas já tem condições de jogo
Em julgamento realizado na tarde desta sexta no Supremo Tribunal de Justiça Desportiva em razão das expulsões no confronto ante o Figueirense, Marinho foi absolvido, enquanto Marcus Vinícius foi punido por uma partida. Mas, como já cumpriu suspensão automática na partida contra o Fluminense, tem condições de jogo.
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"Os nomes da realidade já estão definidos, e todos caros ficam mais distantes, sem exceção. Nós queríamos poder contratar só jogadores altamente diferenciados e isso não tem. Nem investidores têm dinheiro para isso", lamenta Leão, que limita o raio de ação que a diretoria terá para buscar reforços. "Devemos procurar reposição de peça dentro do Brasil, aqueles que se destacam e que poderiam ajudar na nova campanha".

Mas, mesmo dentro de tal realidade, Leão sabe que terá obstáculos para negociar com jogadores como atacante Soares, do Figueirense, a quem citou como um alvo visado por vários clubes. "Temos 15, 20 equipes buscando grande jogador. Mas não existe mais a unanimidade no futebol brasileiro".

A concorrência, porém, não assusta o técnico, que acredita no poder de fogo que o clube pode ter para levar a melhor em eventuais disputas como clubes que já aceleram seu processo de renovação, como é o caso do campeão São Paulo. "Com certeza o Corinthians, mesmo sem a MSI, tem condições de competir".

A postura já faz Leão começar a deixar de lamentar a impossibilidade de contratar o número de `diferenciados` que gostaria para a próxima temporada. Como contrapartida, acredita que os tais R$ 20 milhões que teria à disposição podem ser mais bem utilizados com "quatro de (R$) cinco".

"Se eu contrato um jogador de R$ 25 milhões (citando Nilmar, que envolve o Corinthians e a MSI em uma dívida de 8 milhões de euros com o Lyon) e ele torce um tornozelo e fica três meses afastado, eu dou um passo para trás, fico sem o jogador e os R$ 25 milhões. Ou tem muito jogador que não te ajuda técnica ou taticamente. Por isso fico com cinco jogadores que cumpram as determinações e joguem todos jogos".

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