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24/11/2006 - 13h46
Duprat gera dúvidas, mas faz Corinthians crer em investimentos
Danilo Valentini Em São Paulo
Empresário atolado em processos trabalhistas e figura cada vez mais visível da conturbada parceria entre Corinthians e MSI, Renato Duprat vem sendo o homem que a direção do clube e o próprio técnico Emerson Leão têm procurado acreditar que será o responsável por viabilizar o mínimo investimento para a contratação de reforços em 2007, mesmo que a desconfiança ainda acompanhe o intermediário do casamento entre as partes, efetuado há exatos dois anos durante uma sessão de votação no Parque São Jorge.
Duprat foi responsável pela aproximação do presidente do Corinthians, Alberto Dualib, com Kia Joorabchian, empresário iraniano que em 2004 apareceu com uma proposta de US$ 35 milhões de investimento inicial que convenceu o mandatário do clube e aliados a aprovarem uma parceria que sempre foi discutida pela -pequena e encoberta- oposição, liderada desde então pelo ex-vice-presidente de futebol Antônio Roque Citadini.
E agora, sem a presença de Kia Joorabchian, que está em Londres desde maio procurando se manter o mais afastado possível de sua relação com o Corinthians, Renato Duprat vem sendo tratado por Alberto Dualib como o canal de comunicação com os investidores da MSI, pessoas sem identidade confirmada pelo clube, mesmo que o Ministério Público de São Paulo já tenha apresentado documentação indicando Boris Berezovski, procurado pela Justiça da Rússia, e outros cidadãos com negócios nebulosos nas repúblicas da ex-União Soviética.
Mesmo enfatizando que "não sou o novo Kia", como enfatiza em toda entrevista, Renato Duprat afirma ser o responsável pelo "estudo" e preparação do orçamento para investimentos em 2007, depois que Alberto Dualib voltou de Londres afirmando a seus aliados ter ouvido dos investidores que "acabou a loucura", em referência a um rombo acumulado de US$ 20 milhões desde o início da parceria.
Sua atuação, porém, tem sido suficiente para fazer com que Dualib e o técnico Emerson Leão ouçam o que ele tem a dizer sobre as possibilidades de montar uma equipe competitiva para lutar por títulos na próxima temporada.
"Tive uma conversa o presidente e o representante, que manifestou o desejo de contratar, mas não como nos outros anos", afirmou Leão, já ciente que os investimentos de vulto como Tevez, Mascherano e Carlos Alberto, que caracterizam a MSI, não serão possíveis.
Quando citou o encontro com o representante da MSI, aliás, Leão evitou citar o nome de Renato Duprat, que ainda não tem uma função oficial e definida na relação com o Corinthians. Questionado se é possível ter certeza sobre a real influência que o empresário pode ter para definir o futuro do futebol do clube, o técnico inverteu a rota e fez a pergunta aos jornalistas que participavam de sua entrevista coletiva, nesta sexta.
"Vocês têm certeza? E eu também não posso ter certeza, mas pelo menos pelo diálogo se encaminha para isso", disse Leão, que desde sua chegada ao Corinthians, em agosto, nunca encontrou Kia Joorabchian e sempre fez questão de manifestar apoio irrestrito a Dualib, desafeto notório do iraniano.
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