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  25/11/2006 - 18h29
Desorganização política resulta no pior ano da história do Guarani

Rodrigo Farah
Em São Paulo

O Guarani fez a terceira melhor campanha da primeira fase na Série B do Campeonato Brasileiro do ano passado e foi eliminado no quadrangular semifinal. No início de 2006, além do histórico, uma parceria nos moldes da sociedade Corinthians/MSI pintou um futuro animador. O acordo com a italiana Turbo System SLR prometia saldar todas as dívidas e recolocar o nome do clube campineiro entre os maiores do país. Em vez disso, porém, o que se viu foi uma absoluta bagunça fora de campos e dois rebaixamentos dentro das quatro linhas - para a Série A2 no Estadual e para a terceira divisão no Nacional.

REMANESCENTES SE DEFENDEM
As polêmicas e a bagunça administrativa do Guarani nesta temporada não se restringiram à esfera executiva. Os problemas permearam o dia-a-dia do elenco bugrino, que precisou conviver com um atraso salarial de três meses. Com isso, houve uma debandada de atletas da equipe campineira em meio à disputa da segunda divisão nacional.

Mesmo assim, os jogadores remanescentes do Guarani confirmam que o atraso nos pagamentos não foi o fator determinante no rebaixamento para a terceira divisão. De forma veemente, o elenco tentou desvencilhar a ausência de salários do fraco rendimento da equipe.
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Pouco mais de dez meses depois da assinatura do contrato com a Turbo System, o ânimo inicial do Guarani se transformou em caos. O clube campineiro viveu a pior temporada de sua história e confirmou seu histórico recente. Foram cinco rebaixamentos em seis anos: em 2001 e 2006, no Campeonato Paulista; em 2002, na Copa Rio-São Paulo; em 2004 no Campeonato Brasileiro; em 2006 na Série B.

Esse é o principal motivo pelo qual a torcida lutou neste ano pelo afastamento do presidente José Luiz Lourencetti, que ficou sete anos no cargo. E quando ele deixou o clube após a queda para a Série A-2 no Estadual, a fracassada parceria com a empresa italiana também se encerrou.

Na verdade, a empresa Turbo System SLR nada acrescentou ao clube campineiro e mostrou ser apenas uma fachada. O representante oficial da empresa, Nico Nicoletti, que dizia ser italiano, era na verdade brasileiro e já tinha respondido a processos na Justiça criminal, inclusive por estelionato.

Quando desembarcou no Brinco de Ouro da Princesa, o "empresário" prometeu contratações do porte dos italianos Gianluca Pagliuca, Roberto Baggio e Alessandro Del Piero. No entanto, no tempo em que ficou atrelada ao Guarani, a Turbo System acertou apenas com o volante Zé Elias e o treinador Toninho Cerezo, que fechou um contrato para receber R$ 170 mil mensais.

Os dois reforços não receberam um centavo sequer da Turbo System. Até a festa de lançamento da parceria, que contou com a presença do presidente José Luiz Lourencetti, foi paga pela empresa com um cheque sem fundos.

Após o fim da sociedade com a Turbo System, a transição de poder no Brinco de Ouro passou a representar um processo bastante turbulento. Leonel Martins assumiu a presidência do clube em junho, após disputas na Justiça, e herdou cerca de R$50 milhões em dívidas.

A nova administração não conseguiu se remanejar a tempo. O quadro financeiro do Guarani permaneceu em estado caótico, assim como a campanha do time ao longo da Série B. Um exemplo do péssimo rendimento da equipe foi visto na goleada sofrida para o Sport, por 8 a 1, no dia 19 de agosto, na Ilha do Retiro. O revés também resultou no pedido de demissão do técnico Carlos Gainete.

"Os problemas se agravaram de uma forma que ficou muito difícil de controlar. É muito complicado quando você assume um clube e só vê problemas atrás de problemas", lamentou o atual presidente Leonel Martins.

Depois disso, o Guarani conseguiu acordar na competição e melhorou seu desempenho dentro de campo. Porém, na reta final da competição, o time campineiro voltou a decepcionar e enfrentou uma seqüência de sete partidas sem vitórias.

Nesse período, tudo deu errado para o Guarani, como pênaltis perdidos no fim de algumas partidas e muitas chances desperdiçadas fora de casa e no próprio Brinco de Ouro. Essa seqüência de erros é, segundo o atual técnico Waguinho Dias, a principal explicação para o rebaixamento.

"Existiram várias causas que determinaram a crise do Guarani e a situação ruim no Brasileiro. Mas deixamos escapar muitas vitórias que não podíamos ter deixado. Vacilamos muito e isso não podia ter acontecido", comentou o treinador.

Na penúltima rodada da segunda divisão, o Guarani renovou suas esperanças com grande vitória, em casa, sobre o vice-líder Sport, por 2 a 0. Dessa forma, manteve a esperança de permanecer na Série B em 2007. Esperança que seguiu com a goleada por 5 a 1 sobre o lanterna Vila Nova neste sábado, fora de casa.

Contudo, nem o placar elástico evitou o rebaixamento. O Guarani já não dependia apenas de suas forças e, com vitórias de CRB, Paysandu e Portuguesa, a equipe campineira terminou a Série B de 2006 na 18ª colocação.

Campeonato Brasileiro - Série B
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