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  26/11/2006 - 19h26
Contra os argumentos, Bahia segue na Série C

Gustavo Franceschini
Em São Paulo

Maior investimento em contratação de jogadores, maior média de público da competição (terceira melhor entre todas as divisões) e melhor campanha nas primeiras fases. E mesmo com tudo isso, eliminado no octogonal decisivo da Série C do Campeonato Brasileiro. Essa é a história do Bahia, campeão da elite nacional de 1988, que não conseguiu fugir do inferno da terceira divisão nesta temporada.

ANO DE FRACASSOS
Após a queda para a Série C, o Bahia iniciou 2006 tendo como principal ambição o retorno para a segunda divisão. E talvez tenha sido esse o motivo de o time da Fonte Nova ter perdido o Estadual de forma tão marcante.

Fora das finais do primeiro e do segundo turno, o Bahia viu o Colo Colo de Ilhéus conquistar o título estadual, que saiu da dupla Ba-Vi pela primeira vez em 37 temporadas. Assim, o time tricolor ampliou seu jejum de conquistas - a última foi o Estadual de 2001.
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Enquanto os campeões Atlético-MG (na Série B) e São Paulo (na Série A) disputam jogo a jogo o maior público do Campeonato Brasileiro em todas as divisões, o Bahia não precisou sequer de uma campanha positiva para atrair público. O time tricolor teve média de 23.615 torcedores nas partidas que fez como mandante até aqui.

Essa presença maciça dos torcedores foi motivada pela boa campanha do Bahia na terceira divisão que, até o fim da terceira fase, tinha a melhor campanha do certame. No octogonal decisivo, porém, a coisa mudou e o melhor time do campeonato não conseguiu garantir o acesso para a Série B.

Por que um time, em tese, tão superior aos seus concorrentes não conseguiu sequer escapar da terceira divisão nacional? Para a diretoria e a atual comissão técnica, o excesso de atletas no departamento médico, especialmente na fase final, foi o principal culpado pelo mau desempenho em campo.

"Eu peguei o Bahia para fazer 11 jogos em 41 dias e encontrei um problema enorme na preparação física. Nós chegamos a ter 15 jogadores no departamento médico. Por isso, eu nunca pude colocar o mesmo time em campo", disse o técnico Lula Pereira, que assumiu o time no meio do octogonal decisivo.

A verdade é que algumas das lesões que prejudicaram o Bahia são mesmo inusitadas. O zagueiro Émerson, por exemplo, chocou-se com o goleiro Darci durante uma partida e teve hemorragia na cabeça. Um traumatismo craniano afastou o volante Dadico do elenco profissional e o atacante Ednei, destaque do Campeonato Baiano, ficou fora durante boa parte do segundo semestre com uma lesão séria no joelho.

QUEDA DE PÚBLICO AMEAÇA
Qualquer que seja o motivo do fracasso na Série C, o fato é que o não-acesso do Bahia pode trazer conseqüências graves ao clube. Isso porque, em vez de repetir Palmeiras, Grêmio, Botafogo e Atlético-MG, que retornaram à primeira divisão no ano seguinte ao rebaixamento, o time tricolor viu sua situação se complicar e sequer retornou à Segundona.

Em todos os casos citados acima, o torcedor esteve presente ao estádio durante toda a campanha do retorno à primeira divisão, como foi quando o Bahia caiu para a Série B. Naquela ocasião, o time brigou pelo acesso até a fase final, e o torcedor tricolor marcou presença.
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"Independentemente da preparação física, as lesões que aconteceram atrapalharam o Bahia. Desde que o octogonal começou, sempre tivemos pelo menos oito atletas no departamento médico", lembrou o diretor de futebol Newton Mota, que também lamentou as falhas do clube nesta temporada: "Para melhorar no ano que vem, o Bahia precisa admitir seus erros em 2006. Nós não demos tranqüilidade para os treinadores e contratamos muito".

Outro problema apontado por Mota foi a precariedade das divisões de base do clube. Sem uma estrutura formadora de atletas, o Bahia não consegue revelar bons jogadores e depende de contratações para montar seu elenco.

"Falta dinheiro, e para investir em divisão de base é preciso investir em infra-estrutura, fisiologia, sala de musculação e ter olheiros. Além de melhorar isso, temos que intensificar a busca por novas revelações", disse Newton Mota.

A falta de dinheiro é um problema sério no clube nordestino, que há tempos reclama de problemas financeiros. "O problema do Bahia é a administração, que até tentou transformar o clube em empresa, mas a política da gestão não mudou", ponderou Rafael Plastina, da Informídia, empresa que faz consultoria de imagem para o Clube dos 13.

Campeonato Brasileiro - Série C


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